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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Lenda da Peninha de Sintra - Duas Versões Longas


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagens: autor Flickr iPhil, e Arquivo do Caminheiro de Sintra


o cume da Peninha na primeira década
do novo milénio

Em todas as quatro versões da Lenda da Peninha, a história remete sempre para a época de D. João III, em que perto da Peninha em Sintra - e em algumas versões, especificamente em Almoinhas Velhas (nota: assinalado no mapa que se encontra no fim deste post), lugar perto da Malveira da Serra (Concelho de Cascais) - uma rapariga muda pastoreava um rebanho.

A pastorinha acaba por ficar com o poder de falar, e uma imagem de Nossa Senhora aparece na região da Peninha.

O povo, espantado pelo milagre e pelo aparecimento da imagem de Nossa Senhora, acaba por eregir uma pequena capela, hoje conhecida como Capela de Nossa Senhora da Penha, ou Santuário da Peninha:

::::: Primeira Versão da Lenda da Peninha

Conta-se que no reinado de D. João III havia no lugar de Almoinhos Velhos (nota: o correcto é Almoinhas Velhas) uma rapariga muda, guardadora de ovelhas e muito temente a Deus.


Aconteceu que um dia se lhe desgarrou uma ovelha do rebanho e fugiu pela serra até ao alto do penhasco.
A rapariga aí a foi buscar, mas quando chegou lá acima, toda chorosa e fatigada, viu, com grande espanto seu, uma formosa menina, que ao entregar-lhe a ovelha, lhe disse:

- Vai para casa e pede pão à tua mãe.
Ora como esse ano foi de grande fome pela seca e estiagem que houve, a rapariga atónita respondeu:
- Não o há em casa nem na dos vizinhos.
A menina lhe retorquiu:
- Abre a arca e lá encontrarás seis pães.

Foi para casa a pequena e contou a todos o que lhe acabara de acontecer, causando geral admiração aparecer com fala, admiração que subiu de ponto quando foram à arca e acharam seis pães.
Este milagre correu veloz por toda a povoação, a ponto de se efectuar uma romaria acima ao penhasco, não se encontrando a menina que havia aparecido à pastora, mas nas pesquisas foi encontrada entre os rochedos, oculta em uma lapa, a imagem da Virgem feita de pedra, que foi desde logo transportada para a ermida de S. Saturnino, mas desaparecida no dia seguinte, foram tornar a achá-la no rochedo, e isto se repetiu três vezes.

Conhecendo os devotos moradores que a vontade da Senhora era de ficar naquele sítio, fundou-se aí uma pequena ermida, que mais tarde, em 1673, caiu por ocasião de um tremor.


o cume da Peninha, no ano de 1884
em gravura de Caetano Alberto e co-autor desconhecido


Anos depois, um devoto ermitão, Pedro da Conceição, empregou todos os seus haveres na construção de uma igreja, dedicado a Nossa Senhora da Peninha.

O templo é pequeno, mas rico de construção, pois tem as paredes cobertas de belos mármores de cores, e em mosaicos.

Ali viveu o frei Pedro da Conceição em uma gruta trinta e cinco anos. A sua sepultura, que está da parte de fora da igreja, tem este epitáfio melancólico como o sítio: "Aqui jaz o Eremita de Nossa Senhora da Peninha, o irmão Pedro da Conceição. Pede um Padre-Nosso e uma Ave-Maria pelos benfeitores".


::::: Segunda Versão da Lenda da Peninha

Conta-se que no reinado de D. João III, na terra de Almoinhos-Velhos (nota: o correcto é Almoinhas Velhas), havia uma pastora muda que tinha o costume de levar as suas ovelhas a pastar ao cimo da serra.


Certo dia, uma das suas ovelhas fugiu, deixando a jovem pastorinha desesperada em busca da tal ovelha.

Após longas buscas observou ao longe uma senhora que trazia consigo a sua ovelha.


A pastorinha agradeceu muito da maneira que pôde, visto que esta não conseguia falar.


A senhora, aproveitando a ocasião, pediu à pastorinha que lhe desse um pouco de pão. A pastora explicou-lhe, gestualmente, que esse ano tinha sido mau e havia muita fome. A senhora deu-lhe então um conselho:


- Quando chegares a casa chama pela tua mãe e procura pão.


A pastorinha tentou-lhe explicar que isso era impossível, pois para além de ter a certeza de não haver pão em sua casa, ela não podia chamar pela sua mãe, pois era muda. Mas a senhora tanto insistiu que a pastora decidiu fazer o que esta lhe dizia.


Ao chegar a casa chamou por sua mãe e a sua voz fez-se ouvir em toda a sua casa.
Contou a história a sua mãe e apressou-se em procurar o pão. E qual não foi o espanto das duas quando dentro de uma arca encontraram pão que chegou para a aldeia inteira.


No dia seguinte, como prova de agradecimento, toda a aldeia subiu à serra e precisamente no sítio onde a pastorinha tinha encontrado a senhora, estava agora uma gruta com a imagem de Nossa Senhora.
Esse local passou a ser sagrado e mais tarde foi aí construída uma capela, conhecida por capela de Nossa Senhora da Peninha.


© O Caminheiro de Sintra



P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa o percurso (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), do lugar de Almoinhas Velhas, Concelho de Cascais até à Capela de Nossa Senhora da Penha ou Santuário da Peninha, em Sintra, Portugal:


Ver mapa maior

4 comentários:

  1. Cara Sara,


    agradeço o interesse por si revelado.

    Ainda não, mas algumas das lendas do Palácio da Pena aqui aparecerão em breve.


    Com os melhores cumprimentos

    O Caminheiro de Sintra

    ResponderEliminar
  2. na Peninha, "sinto-me em casa"... é maravilhoso ver as fotos e recordar os meus passos lá. Noutros tempos fazia caminhadas nocturnas pela Serra...é indescritível... Obrigada por este blog, Caminheiro!

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    Respostas
    1. Cara Isa,


      e muito obrigado pelas suas palavras, são essas as de todos os leitores, o meu "ganha-pão" emocional.


      Com os melhores cumprimentos

      O Caminheiro de Sintra

      Eliminar

Caríssimo(a),

por favor sinta-se à vontade para aqui escrever aquilo que agora pensa ou sente.

Ver-nos-emos em breve, sem disso sabermos.

O Caminheiro de Sintra