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domingo, 26 de dezembro de 2010

José Martins Carneiro e o Palácio da Pena - Parte II


© Pesquisa e transcrição: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: Adriana Sousa Duarte
Imagens: ver créditos fotográficos no final deste artigo



Continuação da transcrição do documentário de Adriana Sousa Duarte sobre o Palácio da Pena, com depoimentos de José Martins Carneiro.

Parte II

"José Martins Carneiro: "Em relação aos estilos nós temos que perceber que estamos num período muito definido, muito concreto: o período romântico. E portanto, os neos todos imperam aqui, mas de uma forma muito subtil. Nós não podemos dizer que vemos claramente visto um neo-gótico…porque não é sequer o Gótico Flamejante, nem tampouco…vemos Manuelino, claro que vemos, mas, esta profusão de estilos em que sobretudo, o que me parece mais importante de realçar, é a volumetria e esta sinfonia de volumes que se interpenetram entre si, criando esta primeira construção assimétrica no nosso país."

José Martins Carneiro, Preponderante Figura do Palácio da Pena

Narrador: O Palácio é todo ele um conjunto de significações desde a civilização egípcia, com os elementos animalistas, vegetalistas, remates nas cimalhas e colunas torsas onde assenta o arco do balcão da grande varanda, passando pela greco-romana, medieval, com a estátua fronteiriça ao Palácio, onde um cavaleiro medieval tem esculpido no escudo um mar ondulado e uma caravela. E até a renascença, com os bicos das guaritas da porta férrea, cunhais das bolas, e um magnífico retábulo em alabastro de mármore.

Todo o Palácio é uma mistura de estilos desde o Neo-Gótico, Neo-Manuelino, Neo-Islâmico, Neo-Renascentista, com outras sugestões artísticas como a Indiana. Esta mistura de estilos é intencional, na medida em que a mentalidade romântica do século XIX dedicava um fascínio invulgar ao exotismo.

Arquitectura do Palácio da Pena

José Martins Carneiro: "Obviamente são materiais da tradição genuinamente portuguesa: usa-se o mármore, usa-se a alvenaria, usa-se depois nos rebocos…usa-se uma tecnologia nova, e essa sim é da autoria do Barão Von Eschwege, e que é a técnica das manilhas. Que técnica é esta: é a utilização de vasos em barro - que eles na altura chamavam manilhas - invertendo-os, e esses vasos invertidos fazem com que se segure a argamassa, como em forma de ventosa, e isso cria estruturas muito souple, muito light digamos, leves de facto, o que de outra forma não seria possível para a construção deste monumento."

Narrador: Procurando atingir o ideal do estilo romântico da altura, D. Fernando II cria a própria natureza. Em 1846, e depois de um exaustivo estudo dos solos, o rei manda colocar nos duzentos hectares circundantes ao Palácio, milhares de árvores e espécies raríssimas, além disso, ele reencaminha a água inventando lagos. O Paraíso Europeu estava construído.

O Triunfal no Palácio da Pena

Vamos então conhecer de perto este pequeno paraíso. A caminhada é longa, mas vale bem a pena, pela descoberta da mata, das mansões, dos jardins, e fontes. Disseminados pelo parque estão também pavilhões construidos nos mais diversos estilos arquitectónicos. Bicas, pequenos recantos e miradouros, pontes e grutas, bancos de jardim, pérgolas e fontes, pequenas casas onde se alojavam guardas e demais criadagem, estufas e viveiros com uma vastíssima quantidade de espécies botânicas.

O Parque possui uma ambiência fria e nórdica o que se deve à influência dos jardins românticos da Alemanha, a que D. Fernando II não foi alheio.

Vestígios do Crescente da Serra da Lua

Passando o portão principal e continuando a nossa viagem de reconhecimento dos espaços envolventes, passamos pelo Jardim da Rainha, primitiva horta do Mosteiro, transformada em jardim pela Rainha D. Amélia; o picadeiro, plataforma que terá servido de arena para equitação dos princípes, e primeiro campo de ténis; o Templo das Colunas, mirante sobre o Palácio erigido em 1840 por D. Fernando II no local de uma antiga capela dedicada a Santo António integra símbolos da Ordem de Cristo, e o crescente da Serra da Lua.

A encimar os penedos de granito que se erguem, observa-se a estátua do guerreiro, como que a guardar todo o território. Esta estátua, em bronze, atribuida a Ernesto Rusconi data de 1844 e constitui uma possível representação do rei como guardião da sua obra. Podemos perceber que uma das características principais deste complexo arquitectónico pousado no alto desta serra se traduz na visão ou na vista, para o Palácio, para a mata, e mesmo para o mar, tendo para isso sido construidos vários miradouros e guaritas. Vemos ao longe a Cruz Alta: é uma cruz, esculpida em pedra, com troncos entrelaçados mandada erguer três séculos antes da construção do Palácio da Pena, por D. João III, para assinalar o ponto mais alto da Serra de Sintra: 529 metros, acima do nível do mar.

O Território do Gigante de Ernesto Rusconi

A seguir visitamos este pavilhão de estilo islâmico com uma cúpula esférica com uma inscrição em árabe: é a chamada Fonte dos Passarinhos. Os azulejos são semelhantes aos da fachada principal do Palácio. Foi construida em 1503 pelo sultão de D. Manuel I, em comemoração do regresso de Vasco da Gama. Chegamos a uma das imagens de marca do Parque da Pena: o Vale dos Lagos. São cinco lagos artificiais integrados consecutivamente, e ligados por pequenas cascatas. Esta é a zona mais baixa do Parque, para onde confluem todas as linhas de água, salientando que tudo isto foi inventado, criado de raíz. Nota-se uma grande preocupação com todos os pormenores.

A Fonte dos Passarinhos no Palácio da Pena

D. Fernando II planeou o Parque de modo a este simular uma naturalidade quase perfeita, para tal, imaginou para o Parque ambientes diversos, contrastantes, em que a presença do insólito e do exótico fosse marcante. No Parque encontram-se espécies de plantas representativas de vários pontos do Mundo: do Japão, Nova Zelândia, Líbano, Brasil, África, Austrália, América do Norte, a par de exemplares portugueses, num total de mais de duas mil espécies. É pela sua diversidade vegetalista que o Parque Natural da Pena é considerado hoje como Parque da Europa, com o mais rico e invulgar conjunto…"


© O Caminheiro de Sintra

Créditos fotográficos:
1ª fotografia: autor Flickr szeke
2ª fotografia: autor Flickr brumó
3ª fotografia: autor Flickr draculina_ak
4ª fotografia: autor Flickr frmorais
5ª fotografia: autor Flickr Phil Photostream
6ª fotografia: autor Flickr Samuel Santos

P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (balão "A" - para ver melhor poderá ampliar), o Palácio Nacional da Pena em Sintra, Portugal:

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