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domingo, 30 de maio de 2010

Lenda do Convento dos Capuchos de Sintra ou "A Tentação de Frei Honório"


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Fontes: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagens: autores Flickr (respectivamente) PesterussaTiago A. Pereirapmdcsb


O corredor do dormitório do Convento
dos Capuchos da Serra de Sintra
  O Convento dos Capuchos, sito no centro da Serra de Sintra, o qual foi sempre habitado por comunidades de frades da Ordem dos Franciscanos (também conhecida como Ordem dos Frades Menores devido ao seu voto de pobreza), é palco de uma lenda mais comummente conhecida como A Tentação de Frei Honório.

  Esta lenda centra-se num frade do Convento dos Capuchos, de seu nome Honório, que se deparou um dia com o diabo, que o tentou tentar sob a forma de mulher, tentação essa que Frei Honório ignorou.

  A lenda acaba por atribuir um impacto ainda maior ao simbolismo dos Capuchos na Serra de Sintra. De seis caminhos, é uma encruzilhada, que tal como qualquer outra da Europa ou mais especificamente de Portugal, se vê como o cruzamento com os caminhos do destino, o cruzamento com as outras vidas, o cruzamento com os medos, ou simplesmente o realçar desses, em especial se num ambiente propício ao aparecimento desse sentimento. Na Cultura Europeia, as encruzilhadas sempre foram tomadas como locais onde à noite os diabos e as feiticeiras se encontravam para celebrar os seus Sabat.
Janela que dá para a passagem da Casa das Águas
no Convento dos Capuchos em Sintra

  Uma encruzilhada, acaba também por ser o símbolo do próprio interior do ser Humano, nos seus vários caminhos de pensamentos, ideias, sentimentos, e emoções, que a sua percepção percorre dentro de si mesmo, encontrando - muitas vezes com surpresa - desconhecidos caminhos, ou outros desconhecidos símbolos que enlevam o medo. Assim acontece também - num misto de interior com o exterior - na lenda do Convento dos Capuchos de Sintra, ou na - suposta - "Tentação de Frei Honório".

  São agora apresentadas duas versões para esta lenda, sendo que a primeira é um excerto de um livro (incógnito), e a segunda um pouco mais completa. Embora isso, a primeira versão usa também o símbolo do fogo, equiparado ao diabo, o qual ao aproximar-se do local onde o diabo tentou tentar Frei Honório, logo se extinguia.


::::::Primeira Versão da Lenda do Convento dos Capuchos de Sintra:

"Da curiosa Relação do Castelo da Serra de Sintra, transcrevemos o presente trecho que nos falta da tentação do diabo ao virtuoso Frei Honório:
Saindo do convento de (Santa Cruz ou da Cortiça) para a parte de baixo do Carril, que vai dar ao penedo, em distância de tiro de espingarda, se venera uma cruz, que fez com o dedo em uma pedra tosca o venerável Frei Honório de Santa Maria, aparecendo-lhe o demónio para impedir e confessar uma pecadora, com a qual o fez desaparecer; e havendo vários incêndios na serra, assim que chegava o fogo a este lugar, se extinguia, ficando ileso desde a cruz até à cova da cerca onde habitava."


O Convento dos Capuchos na Serra de Sintra
com um fino manto de névoa


::::::Segunda Versão da Lenda do Convento dos Capuchos de Sintra:

"Um dos habitantes do convento de Santa Cruz ou dos Capuchos, foi Frei Honório, homem de muita fé e de grandes virtudes. Muito estimado e respeitado dos habitantes daquelas redondezas, ali viveu durante trinta anos, sofrendo dolorosa e resignada penitência. Seu corpo jaz na Igreja daquele curioso convento. Diz-se que certa vez, Frei Honório encontrou pelos campos uma linda rapariga, “para quem não olhou”, mas que o forçou a fazer alto. Exigia-lhe que a confessasse. O virtuoso monge, naquele ermo não tinha confessionário, e sem querer fixar a pequena, mandou-a para o convento em procura de outro confessor. A bela da moçoila não se conformou com a resposta e insistiu ao mesmo tempo com o bom religioso. Rubro como um tomate, s suar em bica - isto passou-se em Agosto - apressou o passo, sempre seguido daquela que lhe pedia absolvição ou penitência, até que, voltando-se e tapando o rosto com uma das mãos para fugir à formosura que o diabo encarnara para o tentar e perder, com a outra fez o sinal da cruz, a que a endiabrada e tentadora, respondeu com um grito, fugindo para não mais ser vista."

Em algumas edições, a esta segunda versão da Lenda do Convento dos Capuchos de Sintra, é ainda acrescentado:

"Então, Frei Honório, por castigo por ter caído em tentação, isolou-se a pão e água numa gruta existente no Convento (foto da gruta de Frei Honório, dos anos 50). E lá ficou até ao fim da sua vida."


© O Caminheiro de Sintra


P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), o percurso do cruzamento dos Capuchos, até ao Convento dos Capuchos, na Serra de Sintra, Portugal:


Ver mapa maior

14 comentários:

  1. A lenda de Frei Honório é-me familiar.Curioso foi cruzar a introdução das 'encruzilhadas',que me tem sido trazido ultimamente...Vivo numa encruzilhda,real e estou a atravessar uma encruzilhada metafórica.Tenho recebido conselhos para manter a candeia acesa...terá sido essa luz que guiou intuitivamente os meus passos até aqui?
    Obrigada Escriba.

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  2. Caríssima BRIM,


    as encruzilhadas fazem parte de qualquer caminho, tal como de qualquer vida. O que de melhor há a fazer, é sempre manter a candeia acesa para discernir bem - tal como na lenda - o que é Humano do que é o diabo (leia-se: imaginação / medos), e a Lenda de Frei Honório é excelente para a compreensão das várias perspectivas que o ser Humano poderá ter para si, do real ao imaginário.


    Com os melhores cumprimentos

    O Caminheiro de Sintra

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  3. Visitei recentemente o Convento dos Capuchos em Sintra. Mas não foi unicamente uma visita... Ao entrar num dos quardinhos que sei exactamente qual foi, senti que havia ali algo mais, algo para além do normal... senti fortemente que havia ali uma presença, que eu não estava só, que algo ali se tinha passado e não sei explicar o porquê de ser eu sentir tudo aquilo... Como posso eu saber mais sobre aquele dito quartinho? Todos os outros compartimentos estavam na normalidade. Haverá registos? Onde? Como hei-de proceder? Como posso saber?

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  4. Acabei de enviar um comentário, ou antes, um grito da minha alma, ou um pedido de ajuda... nem sei como o considerar. Esqueci-me de adicionar o meu email que só assim me poderá dizer algo. Peço que me responda, que diga algo mais... O meu email: candy.arts@gmail.com
    Muito grata
    Maria Cândida Soares

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  5. Conheço muito bem Sintra e a sua Serra, mas ao ver este magnifico blog vejo que afinal o que sei é muito pouco. Possuo uma casa de veraneio na aldeia do Penedo, próximo do convento dos Capuchos. Sei bem o que foi o Convento dos Capuchos durante muitos anos, abandonado e deixado ás mãos de almas que ali procuravam "abrigo" de forma muito "sui generis". Estas lembranças ainda hoje perduram expressas nas paredes do convento para memória futura. A última vez que o visitei foi em Agosto de 2004, já recuperado e com visita guiada. Durante a visita muito interessante, foi-nos contada esta lenda na sua 2ª versão e foi-nos mostrada a gruta.
    Muitos parabéns pelo excelente trabalho.

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  6. Caro Bruno,

    em muito agradeço as suas elogiosas palavras.

    De facto, e apesar da recuperação do Convento dos Capuchos, nas celas ainda se poderão encontrar assinaturas do século passado nas paredes inscritas, creio que sendo a mais antiga, de 1945 - o que como é óbvio, acaba por levantar inúmeras questões na nossa mente.

    Espero que "O Secreto Palácio de Sintra" possa continuar a si e a quem o lê, a satisfazer, e a enlevar o sentimento que de Sintra se possua.

    Com os melhores cumprimentos

    O Caminheiro de Sintra

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  7. estive ontem nos Capuchos , onde já não ia há anos, desde a altura em que há bastantes anos atrás lá acampámos num fim de semana, na época em q ainda era permitido fazer isso.
    Gostei imendo deste blog e virei mais vezes !!

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  8. Cara GreenTea,

    agradeço a expressão das suas memórias. Da maneira que seja, Sintra acaba sempre por nos marcar, quer no nosso passado, presente, ou futuro naquilo que queiramos fazer. Espero que "O Secreto Palácio de Sintra" possa sempre avivar-lhe Sintra, seja em que tempo isso na sua mente se revelar.

    Com os melhores cumprimentos

    O Caminheiro de Sintra

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  9. Parabéns pelo Blog, muito interessante.
    Vivo no centro do pais e até bem pouco tempo não podia dizer que conhecia Sintra. Felizmente tive o prazer de integrar na equipa que se dedica ao restauro do Chalet da Condessa d Edla. Desde então Sintra passou a ser para mim local obrigatório. Ha quem tenha a necessidade de chocolate, eu tenho a necessidade de respirar Sintra. Porque, como diz o poeta ´... Sintra é o único lugar no pais onde a história se fez jardim... Em Sintra não se morre passa se vivo para o outro lado. Porque a morte é impossivél no vigor da beleza...

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  10. Caro Asile / Cara E.,

    muito obrigado pelas suas palavras e pelos seus sentimentos. Espero que sintra continue a ser uma maravilha dentro de si, e que possa O Secreto Palácio de Sintra enlevar esse sentimento.

    Parabéns também por integrar uma das equipas envolvidas no magnífico trabalho de recuperação do Chalet da Condessa d'Edla.

    Com os melhores cumprimentos

    O Caminheiro de Sintra

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  11. Caro Caminheiro,
    gostaria de louvá-lo pela dedicação e beleza das suas palavras que dedica a esta lindissima e mágica serra...
    Penso que sem querer nos encontramos na Biblioteca de Sintra, na secção da mesma, na segunda-feira dia 14/11 (se não for o meu engano). E sem querer hoje fui parar ao seu blogue...e amei!

    Será que me pode esclarecer acerca da Peninha, porém algo que não seja a história tradicional da menina muda e Nossa Senhora. Posso estar enganada, ou confusa, mas algo diz-me que há mais profundamente histórico naquele espaço (incluindo a antiga capela de baixo).

    Agradeço desde já,
    com os melhores cumprimentos,

    Darya Sivash (caso precise:dsivash@gmail.com)

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  12. Caro Virgílio,


    muito obrigado pelas suas palavras.


    Com os melhores cumprimentos

    O Caminheiro de Sintra

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  13. Estive recentemente no Convento dos Capuchos e o singelo lugar torna-se magnífico pela espiritualidade e pela flora. É um bálsamo para a alma.

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Caríssimo(a),

por favor sinta-se à vontade para aqui escrever aquilo que agora pensa ou sente.

Ver-nos-emos em breve, sem disso sabermos.

O Caminheiro de Sintra