colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra


Domingo, 8 de Janeiro de 2012

Sintra em "A Canção de Lisboa", em 1933 - "...sonhar castelos no ar..."

© Texto, pesquisa, e captura das imagens: O Caminheiro de Sintra
Filme: excerto de "A Canção de Lisboa"


  Em 1933 a produtora Tobis realizava o seu primeiro filme. Dos locais escolhidos para as filmagens, Sintra acabou por ser eleita, incorporando de forma perfeita o desígnio do guião que lhe estava destinado. A 7 de Novembro de 1933, era então lançada "A Canção de Lisboa" ao público.

  Entre as delícia das pessoas surgiram vozes mais mesquinhas a tentar minorizar o filme, pegando por coisas simplicíssimas. 

O filme é popular!
O Vasco usa um chapéu impróprio de um quintanista de medicina!
As tias não deviam ter desmaiado!
O Vasco é Gordo!


Sintra e Seus Arredores em 1922 (filme documentário mudo)

© Texto e pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Filme: Cinemateca Portuguesa



  A Cinemateca Portuguesa preservou e disponibilizou digitalmente a meio do ano de 2011, o filme intitulado "Cintra e Seus Arredores", do ano de 1922.

  Era esse parte de uma colecção de documentários da produtora Caldevilla Film, intitulada "Termas de Portugal", também conhecida como "As Águas e os Ares".

Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

Casa da Gandarinha - Palácio Gandarinha (em frente à entrada sul do Parque da Liberdade em Sintra)



Percorrendo a estrada de São Pedro em direcção a Sintra, onde antes da curva onde se encontra a fonte projectada por Raúl Lino é observável o edifício acastelado do Monte Sereno elevando-se entre as árvores no cume de um monte da Serra, chega-se mais à frente, após curva e contra-curva, até à discreta entrada do Parque da Liberdade.

o Palácio Gandarinha elevando-se em frente a uma das entradas
do Parque da Liberdade, em Sintra

Em frente dessa, um edifício em ruínas leva os aromas da fantasia até aos confins da nossa mente.

Subterrâneos de Sintra - Nova Colecção! (número 10)

nichos que se encontram na Serra de Sintra

Sintra, naqueles que a visitam ou simplesmente naqueles que com emotivas palavras dela ouvem falar, expande-se por si, no imaginário desses, preenchendo esse espaço da forma mais romântica e fantasiosa.
O Monte da Lua, como também é conhecida a Serra de Sintra, guarda em seu manto verde, na misteriosa neblina, e nos túneis e nichos, sentimentos que são avivados por aqueles que os vêem ou que por eles passam.

as grutas feitas por mão Humana,
que dão ênfase ao misticismo de Sintra

Essa fantasia, esse enlevado romantismo, cria consoante as crenças do que a vida é, pendores para que essas ganhem mais força dentro da vida de cada um, através das emoções que ao serem avivadas, desejam confirmar-se para que cada um viva mais seguro de si.

Quinta do Monte Sereno - O Castelo de Betão de Sintra

"o castelo de betão" ou "o castelo do pasteleiro", em Sintra, emergindo da floresta
na verticalidade da sua arquitectura

Elevando-se por entre as árvores no cume do monte visível na estrada de São Pedro, antes de se passar pela fonte de São Pedro (autoria do projecto desta, de Raúl Lino), é conhecido o seu edifício acastelado como "Castelo de Betão", "Castelo de São Gregório", "Castelo do Pasteleiro", nomes - exceptuando-se o óbvio do primeiro - que provocam curiosidade em quem os oiça pela primeira vez, não resistindo a questionar o seu porquê.

Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

Lenda Tradição e História do Convento de Penha Longa - Da Revista Cyntra, número 1, de 1908


"Este convento que era de frades jerónimos foi fundado em 1355 por frei Vasco Martins, mandado concluir por D. João I e reedificado por D. João III. Teve origem em uma ermida de Nossa Senhora, cuja imagem, segundo a tradição, foi achada naquele sítio. Penha Longa parece derivar de Pera Longa ou Pedra Longa, devido à estranha configuração de uma pedra, semelhante a uma pera, que encima o grupo de penedos, junto ao qual foi fundado este convento.

Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011

"Contos de Sintra - Volume I": Apresentação do Livro



Livro "Contos de Sintra - Volume I", já disponível para venda. Para saber mais informações, detalhes, e ler excertos do livro, carregue aqui.

Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

Domingo, 29 de Maio de 2011

Lendas e Tradições do Solar (Quinta) de Ribafria - Revista "Cyntra", número 4, de 1908


"O Solar de Ribafria foi mandado edificar em 1541 por Gaspar Gonçalves, a quem D. Manuel I, por alvará de 16 de Setembro desse ano conferiu o senhorio de Riba-Fria, dando-lhe um brasão de armas, e permitindo-lhe usar esse apelido.

Além do seu valor histórico, o palácio de Riba-Fria é digno de nota pela sobriedade e correcção de linhas da sua arquitectura genuinamente manuelina, constituindo um dos mais belos exemplares da antiga arquitectura civil portuguesa.

Sobressai do seu todo uma torre quadrangular de pouco mais de trinta metros de altura, erguendo-se altiva no verdadeiro vale, junto ao rio de Lourel, na base da encosta que domina. Foi essa torre construída, segundo reza a lenda, para que o proprietário de Riba-Fria dali pudesse avistar Penha Verde, que a esse tempo lhe pertencia, como descendente do fundador D. João de Castro; querem porém outros que ele se destinasse apenas para se poder avistar o mar, o oceano imenso, a que se prendiam as nossas tradições guerreiras, os arredores sublimes de toda a glória cavalheiresca de uma época, cuja história é um poema. No ângulo do poente dessa torre, está o escudo de Riba-Fria esculpido em pedra. Merecem especial menção, o grande tanque em cujas águas tranquilas se espelha em toda a extensão o vetusto edifício, e uma magnífica cisterna, com uma vasta sala com a sua abóboda de cantaria apoiada em arcos e colunas de eterna solidez.


É também tradição que foi nesse palácio, outrora sumptuoso, que o rei afortunado D. Manuel I, patrocinado por Gaspar Gonçalves, bastas vezes se deleitou em aventuras amorosas, com certa dama da sua predilecção. Ali se deram festas principescas, e bailes de grande esplendor, onde se reunia tudo que de mais nobre e distinto nessa época existia.
Chegou até nós esta lenda dos tesouros de Riba-Fria:
Um dos descendentes de D. João de Castro, escondeu na torre do palácio importantes tesouros que trouxera da Índia, e receando qualquer assalto nunca daí os tirara, devendo ter permanecido ocultos, em parte ignorada, ainda muito depois da sua morte.

Outra versão diz-nos:

Que tendo falecido repentinamente um velho serviçal, conhecedor do local onde se ocultava o tesouro, dali o retirara, e para que não fosse descoberto esse furto, enterrara a maior parte dessas jóias, por diversas partes do arredor do palácio. Esta segunda versão veio avigorar-se ainda mais no espírito crédulo do povo, quando, pelos anos de 1875 a 1877, numa pedreira em exploração ali próximo, foi encontrado um bracelete de ouro maciço com 1600 gramas de peso, e que foi objecto de larga disputa entre o proprietário da pedreira e o dos terrenos contíguos, decidindo-se o pleito ao cabo de vinte anos.
Faria esta jóia parte do tesouro de Riba Fria? É possível. O que é fora de dúvida é que no palácio ou na torre nada existia, tendo sido infrutíferas todas as buscas ali realizadas há mais de vinte anos, quando o palácio saiu da posse da casa do Conde de Penamacor, para um novo proprietário. No entanto, há ainda quem afirme que nessas buscas alguma pequena parte do tesouro foi encontrada pelos operários, na ausência do proprietário, que nunca dela teve conhecimento."

Raskolnikov
(sinta-se à vontade para mais abaixo se expressar)

P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), a Quinta dos Ribafria em Sintra, Portugal:


Ver mapa maior

Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

O Palácio da Pena e Lisboa: "Presença de Lisboa na Arquitectura do Castelo da Pena"

Retrato de D. Fernando II
Da revista municipal Lisboa de há quase vinte cinco anos atrás - mais precisamente do ano de 1986 - consta um excelente artigo intitulado Presença de Lisboa na Arquitectura do Castelo da Pena.

Para além de inúmeras referências ao Palácio da Pena dignas de registo para quem por ele se interessar, o referido artigo tem um efeito curioso que é o de organizar dentro da mente de quem o leia, aquilo que muitos já se terão apercebido, mas que possivelmente nunca o estruturaram mentalmente ou analisaram com a clareza que nele é notória:

"O Castelo da Pena, essa estranha e tão sedutora criação de D. Fernando II e do arquitecto Barão de Eschwege, é, no seu aspecto arquitectónico, uma obra híbrida, na qual avulta a sua feição de revivalismo. Tem pormenores inspirados em variados estilos (1). Aí encontramos também a presença do manuelino, aspecto que Raul Lino valorizou pelo seu carácter prioritário, mas sem pormenorizar infelizmente: «é digno de nota o terem-se aproveitado aqui (na Pena) pela primeira vez elementos de arquitectura nacional, nomeadamente manuelinos». (2)


Decorridas cerca de três décadas, Diogo de Macedo, simultaneamente um escultor e um estudioso, um historiador e um crítico de arte que nos legou páginas com reais méritos, assim apreciou a mesma faceta desse monumento: «no culto de um nacionalismo delirantemente concebido, só a preocupação imitativa de velhos estilos, em total fantasia cenográfica se tornaria notória pelo barroquismo pitoresco e compósito que o rei D. Fernando fora o primeiro a adoptar nas obras do palácio da Pena, em Sintra. Romantismo evocativo que, sobretudo viria a perturbar pelos pastiches imprevistos».(3)


Tal como Raul Lino, Diogo de Macedo mantém os seus comentários num plano de generalidade.


Quanto ao Prof. José-Augusto França, nas suas magistrais e penetrantes páginas dedicadas ao Castelo da Pena, aponta no mesmo sentido dois aspectos particulares: o «Pórtico de Tritão, imitação da Porta da Justiça de Alhambra, de Granada, cujas plantas e levantamentos foram riscados por encomenda de D. Fernando», assim como «a imitação da famosa janela da Sala do Capítulo do Convento de Cristo em Tomar», apreciando-a, com o seguinte comentário: «A cópia infiel da Janela do Capítulo denuncia a involuntária caricatura romântica - que, neste caso, agindo sobre um elemento decorativo de um estilo ornamental lhe faz a crítica... Decoração em segundo grau, decoração de decoração, o desenho romântico desfaz-se, desfazendo também o original manuelino, a sua insuficiência arquitectural de aplique.
Janela do Capítulo, no Convento de Cristo em Tomar (imagem não presente no artigo original)
Formalmente, D. Fernando tornou pesada a esbelteza do desenho de Castilho e invertendo de propósito a posição da janela e da rosácea (que perdeu densidade realista), tudo reduziu a uma ilustração. O gigante ou Tritão que ele desenhou para a fachada oposta é uma ampliação brutal da estatueta que termina inferiormente a janela de Tomar — e aí algo de fantástico passou à pedra, com raríssima manifestação de sobrenatural do romantismo entre nós». (4)
Ser semelhante ao Tritão do Palácio da Pena, na base da Janela do Capítulo no Convento de Cristo em Tomar (imagem não presente no artigo original)
Parece-nos haver interesse assinalar, em especial numa revista olisiponense como esta, encontrarem-se, entre as imitações existentes no Castelo da Pena, diversas originais da cidade de Lisboa.
Porta antecedendo a Ponte Levadiça tem nas ombreiras e na parte superior uma decoração cuja semelhança com a do Cunhal das Bolas no Bairro Alto, em Lisboa, é evidente
Aspecto do Cunhal das Bolas