colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O Coração de Jorge Telles de Menezes




    O último artigo que escrevi para o Jornal de Sintra é para mim um dos mais especiais. Quando o escrevi quis celebrá-lo como trigésimo ao dedicá-lo ao poeta e sonhador Jorge Telles de Menezes. O Jorge já se encontrava adoentado há vários meses e quis com esta dedicatória fazê-lo sorrir, tal como a mim me continua a fazer quando da sua essência me lembro. Acabou por deixar-nos na semana em que este artigo ia ser publicado.

Uma minha memória do poeta sonhador, Jorge Telles de Menezes,
no ano de 2015 na Igreja de Santa Maria.
    A vontade de escrever esse conteúdo surgiu com uma memória em que eu, o Nuno Vicente e o Jorge saíamos de um qualquer sítio e o poeta e sonhador que nos deixou começou a evocar um episódio de William Beckford aqui em São Pedro. Desse episódio o Jorge lembrava-se do sonhador injustiçado; eu lembrava-me apenas da parte que o precedia, quando o sonhador injustiçado, Beckford, cavalgava rasgando o escuro da floresta com um véu de uma tocha, até instrumentos de sopro se terem em timbre mostrado através da espessa mata.

     Quando o escrevi lembrei-me ainda de outros poetas e sonhadores que Sintra aqui acolheu. Mas sempre com a essência e aquela memória do Jorge presente.


    « ...em inícios de Setembro, antes de chegarem à dita casa começaram na noite a ouvir, saindo da espessa mata, os sons de vozes e instrumentos de sopro. Eram os preparos que se davam para ali receberem a Rainha D. Maria I, naquela noite em que não corria aragem, naquela noite em que nem as chamas das velas junto das fontes sequer se agitavam.
    Passados dias, nesse mesmo Setembro de 1787, Beckford visitara a Penha Verde conhecendo a história do Grande Dom João de Castro. E novamente foi até à quinta onde hoje vive D. Duarte Pio de Bragança. Nessa noite em que a Rainha D. Maria I foi ali recebida, no seu chegar, sentou-se “defronte da janela de grades, detrás da qual eu estava”. Beckford, pelo seu estatuto, já deveria ter sido apresentado (...) »


    Este é um excerto da minha memória desse dia do passado em que os sonhos saíam em palavras de três bocas, mas em que o bater de cada um desses corações era, na realidade, a verdadeira e mais sincera comunicação.

As silhuetas do Jorge Telles de Menezes, do Nuno Vicente,
e a minha. Créditos Fotográficos: Lígia Cabral.
    Nem sei bem como explicar isto, mas "quando aqui cheguei" (nas infinitas aspas que a expressão pode ter) o Jorge foi a pessoa mais desprovida de complexos autóctones e de coração mais cheio que encontrei. Desde o "primeiro momento" tratou-me de uma das mais fraternas formas que neste mundo se pode sentir. O sonho comandava a sua vida, num eterno enamoramento com o bem, com o doce, com o longo núbio em que lentamente fechar os olhos se pode para viver o que nesta dimensão mais interessa e que pertença de outra é.

    O maior consolo que tenho é a certeza de que o poeta viveu como um sonhador toda a sua vida. Viveu como um sonhador, tendo alcançado o amor no fim do fio que aqui fisicamente nos une. Viveu como a vida devia ser vivida. Tão importante como a sua obra, é aquilo que o Jorge continua a ser. E foi tudo aquilo que ele foi, que ele é, aquilo que gerou a sua obra. E o que continuará a ser é o homem que para nós sempre foi. E esse homem vive nos nossos corações.

Longa existência aos Sonhadores! 💚





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"Poetas e Sonhos" - Miguel Boim, Jorge Telles de Menezes, Jornal de Sintra, 31 de Agosto de 2018

Poetas e Sonhos
na edição de 31 de Agosto de 2018
do Jornal de Sintra

    Este é para mim um dos mais especiais artigos. Quando o escrevi quis celebrá-lo como trigésimo ao dedicá-lo ao poeta e sonhador Jorge Telles de Menezes. O Jorge já se encontrava adoentado há vários meses e quis com esta dedicatória fazê-lo sorrir, tal como a mim me continua a fazer quando da sua essência me lembro. Acabou por deixar-nos na semana em que este artigo ia ser publicado.

    A vontade de escrever este conteúdo surgiu com uma memória em que eu, o Nuno Vicente e o Jorge saíamos de um qualquer sítio e o poeta e sonhador que nos deixou começou a evocar um episódio de William Beckford aqui em São Pedro. Desse episódio o Jorge lembrava-se do poeta injustiçado; eu lembrava-me apenas da parte que o precedia, quando o poeta injustiçado, o Beckford, cavalgava rasgando o escuro da floresta com o véu de uma tocha, até instrumentos de sopro se terem em timbre mostrado através da espessa mata.

     Quando o escrevi lembrei-me ainda de outros poetas e sonhadores que Sintra aqui acolheu. Mas sempre com a essência e aquela memória do Jorge presente.

    « ...em inícios de Setembro, antes de chegarem à dita casa começaram na noite a ouvir, saindo da espessa mata, os sons de vozes e instrumentos de sopro. Eram os preparos que se davam para ali receberem a Rainha D. Maria I, naquela noite em que não corria aragem, naquela noite em que nem as chamas das velas junto das fontes sequer se agitavam.

    Passados dias, nesse mesmo Setembro de 1787, Beckford visitara a Penha Verde conhecendo a história do Grande Dom João de Castro. E novamente foi até à quinta onde hoje vive D. Duarte Pio de Bragança. Nessa noite em que a Rainha D. Maria I foi ali recebida, no seu chegar, sentou-se “defronte da janela de grades, detrás da qual eu estava”. Beckford, pelo seu estatuto, já deveria ter sido apresentado
(...) »

    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler algumas das palavras que foram inspiradas pela essência do poeta e sonhador Jorge Telles de Menezes.

    Deixo ainda o habitual convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que completou em Janeiro deste ano os seus 84 anos. Não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.

    E do Jorge continuará a ter sempre as suas palavras de poeta e sonhador.





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domingo, 8 de julho de 2018

"Armas de Sintra" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 29 de Junho de 2018

Armas de Sintra
na edição de 29 de Junho de 2018
do Jornal de Sintra

    Estas são as Armas que nos defendem e que defender queremos.
    Embora possa parecer um discurso belicista, estas Armas tratam apenas do passado e do presente de Sintra. Não numa lâmina de aço, mas em qualquer lâmina que contrarie o que negro ou desonroso seja para o município.

    Mas o uso de identificadores de casas ou de honra - e o ideal seria que de ambas sempre se tratasse - começou há muito muito tempo atrás, para até nós hoje chegar:

    ...destaco as cores que têm sido a cara do município ao longo das décadas que foram passando: o amarelo (ouro) e azul. Mais do que o seu significado em heráldica, nobreza para a primeira e ar para a segunda, prefiro lembrar-me não de um dos primeiros eléctricos da Praia das Maçãs (azuis) ao Sol de Verão, mas das palavras de Afonso de Albuquerque sobre Malaca, as quais procuraram no Reino encontrar algo que tão luxuoso fosse como aquilo que lá havia visto: "...porque ha hy mais ouro e azull em malaca que nos paços de simtra..."

    Não foram estas as únicas cores usadas, mas abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este meu último artigo sobre as Armas de Sintra, saído na edição do Jornal de Sintra de 29 de Junho de 2018.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que completou em Janeiro deste ano os seus 84 anos!

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terça-feira, 5 de junho de 2018

"Castro Forte" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 1 de Junho de 2018

Castro Forte
na edição de 1 de Junho de 2018
do Jornal de Sintra

Este Castro não alude a uma fortaleza de pedra; trata-se antes de uma fortaleza humana do século XVI a qual a desonra não conseguiu corromper. Castro Forte foi como Luís Vaz de Camões o nominou em Os Lusíadas. Este Castro Forte era outro daqueles, daqueles...

    «...outros em quem poder não teve a morte».
    É assim que Luís de Camões canta D. João de Castro, o Castro forte em quem poder não teve a morte. E esta é mais uma das vezes em que aqui falarei do grande D. João de Castro.
(...)

    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este meu último artigo sobre Sintra e sobre o Grande D. João de Castro, saído na edição do Jornal de Sintra de 1 de Junho de 2018.

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quarta-feira, 2 de maio de 2018

3 de Maio: Aniversário do Convento dos Capuchos da Serra de Sintra

Um frade sentado nos rústicos degraus entre as cruzes que colinas acima de Monserrate
indicavam o caminho para o Convento dos Capuchos da Serra de Sintra.

    Este 3 de Maio é para mim tão especial como todos os que têm passado. O deste ano celebra 458 anos de história desde a fundação do Convento dos Capuchos da Serra de Sintra. Na verdade, o nome de baptismo do Convento era Convento da Santa Cruz da Serra de Sintra. E que Santa Cruz? E como se relaciona essa com o dia 3 de Maio?

    Neste ano o consumir de tempo por parte dos projectos em que estou envolvido fez com que escrevesse apenas um artigo sobre o Convento, tendo-o feito na última edição do Jornal de Sintra. E é nesse artigo que encontrará a resposta às perguntas que acima coloquei, assim como outros factos da sua história.

As entradas para as enfermarias, em frente daquela
que hoje é conhecida como "Sala da Penitência"
(esta última não se encontra presente na imagem).

    As vivências que ali se deram tentavam, no maior desconforto humano, enaltecer a entrega que faziam à sua fé. Entre as crónicas de há séculos atrás foram anotados os nomes daqueles que ali viveram assim como aquilo que ali viveram. Mas há que nunca esquecer que esses, esses que nos fazem o peito enfunar no entusiasmo e fascínio que encontramos nos relatos das suas histórias, foram tão humanos como nós, sentindo o calor, sentindo o frio, a humidade, o sono, a paixão, o amor, o ódio, enfim, tudo aquilo que nos distingue - a nós e àqueles - das personagens de ficção que nunca existiram.

    Poderá celebrar o aniversário do nosso amado Convento ao ler aqui o artigo do Jornal de Sintra dedicado ao seu aniversário e às razões e tradições do seu original nome.



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segunda-feira, 30 de abril de 2018

"Invenção e Exaltação nos Capuchos" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 27 de Abril de 2018

Exaltação e Invenção nos Capuchos
na edição de 27 de Abril de 2018
do Jornal de Sintra

Que Exaltação e que Invenção foram estas? É o que irá saber agora ao poder consultar gratuitamente online o meu último artigo no Jornal de Sintra. Invenção e Exaltação nos Capuchos trar-lhe-á o que decerto não espera e que assinala algo de grande e sentimental importância:

    Mas hoje o Convento dos Capuchos irá mostrar-nos o que nos próximos dias chegará. E isso
está relacionado com a sua invocação original, com o nome através do qual surgiu na Serra de
Sintra: Convento
da Santa Cruz da Serra de Sintra.
    No ano de 312 o Imperador... (...)


    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 27 de Abril de 2018.

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terça-feira, 17 de abril de 2018

"Entre o Livro e o Manuscrito" - Palestras na Mostra do Livro na Biblioteca de Sintra

Biblioteca Municipal de Sintra, Casa Mantero
Imagem: Câmara Municipal de Sintra


    Na Sexta-feira e Sábado encerrarei as noites da Mostra do Livro na Biblioteca de Sintra, evento que decorrerá entre 20 e 22 de Abril, e que visa celebrar o Dia Mundial do Livro.

    Trarei aos presentes (levando-os até outros tempos) algumas histórias da História de Sintra que se encontram Entre o Livro e o Manuscrito, e que serão divididas pelos dois dias:


1) Entre o Livro e o Manuscrito:
      Silhuetas do Passado de Sintra

            Dia 20 de Abril, Sexta-feira, 21h30-23h00

    Do pergaminho ao papel, da pena à prensa, que pessoas e traços de carácter desvelamos nós naqueles que no passado por Sintra passaram? As suas histórias são guardadas na história, brilhando como tesouros ao serem recontadas.


2) Entre o Livro e o Manuscrito:
      Antigos Ambientes de Sintra
 
            Dia 21 de Abril, Sábado, 21h30-23h00

    Muitos dos espaços que hoje em Sintra visitamos possuem a capacidade de encantar os visitantes com a sua antiguidade. Mas quantos deles não foram mutilados? E quantos outros não tinham uma configuração completamente diferente? As histórias da história mostram-nos as surpresas através dos que lá conviveram.

Fragmento de iluminura do século XVI, de livro da
Biblioteca Nacional de Portugal

    Nos três dias da Mostra do Livro poderão também encontrar - a partir das 10h30 e até às 23h00 - uma pequena feira do livro e outras actividades que passarão pelo teatro (com a Casa das Cenas), música, workshop's (incluindo um dirigido a famílias com crianças de mais de 4 anos pela escritora Margarida Botelho), jogos, contos, e andando todos esses em redor do Livro. A programação poderá ser aqui consultada.

    Na Biblioteca Municipal de Sintra - Casa Mantero - com entrada livre. Mapa com percurso da estação de comboios de Sintra para a Biblioteca neste link.


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terça-feira, 3 de abril de 2018

"A Imperatriz Leonor de Portugal" (2.ª parte) - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 28 de Março de 2018

A Imperatriz Leonor de Portugal
na edição de 28 de Março de 2018
do Jornal de Sintra

    Podendo considerar-se como a segunda parte do artigo publicado no blog neste passado mês de Março, encontra agora disponível para leitura gratuita online este último artigo do Jornal de Sintra: A Imperatriz Leonor de Portugal. Neste artigo encontrará a conclusão de um longa viagem de casamento, mas também algumas das formas como ela se relaciona com Sintra:

    Outro dos homens que fazia parte da comitiva que acompanhava D. Leonor na sua viagem até Itália era o Bispo de Coimbra, D. Luís Coutinho. Aquele que havia dado a extrema-unção ao tio de Afonso V, ao Infante D. Pedro, após este ter sido atravessado por uma flecha dos homens do Rei.O Bispo de Coimbra, no regresso daquela comitiva torna-se Bispo de Lisboa, mas... Passados poucos meses, o novo Bispo de Lisboa, D. Luís Coutinho, vê-se obrigado a vir até à Serra de Sintra, mais precisamente até aos banhos de Santa Eufémia, para tentar salvar (...)

    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 28 de Março de 2018.

   
    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que completou neste presente ano 84 anos de vida!

    E não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.




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quinta-feira, 15 de março de 2018

A Imperatriz Leonor de Portugal e Frederico III




    “Callate e aquy o nom digas a nynguem” – foi o que, em Alfarrobeira, no ano de 1449, o Conde de Avranches disse a um criado o qual chorando, o informava que no seu lado do campo de batalha o Infante D. Pedro das Sete Partidas tinha caído morto. O Conde de Avranches, Álvaro Vaz de Almada, pretendia assim que os homens do Infante D. Pedro, os homens daquela que era vista como a facção rebelde, continuassem a lutar sem saberem que aquele que trajando uma cota de malha com uma cobertura de veludo carmesim e um capuz na cabeça, tinha caído com o coração atravessado por uma flecha.

    O Conde de Avranches cairia algum tempo depois, segundo uns gritando ora fartar rapazes, segundo outros ora vingar vilanagem – certo é que a junção das duas suposições chegou-nos  até hoje com a tão conhecida expressão é fartar vilanagem

    Do outro lado do campo de batalha, fazendo frente à facção tida como rebelde, encontrava-se o sobrinho do caído Infante D. Pedro, que naquele ano contava já 17 Invernos. O seu sobrinho tinha, na sua cabeça e desde o seu 14.º aniversário de vida, a sombra da coroa portuguesa: tratava-se do Rei D. Afonso V.

Afonso von Gottes gnaden kung zu portergall umd zalgarbe herr
zue Sept und allgogiro
(“Afonso pela Graça de Deus
Rei de Portugal e Algarve, senhor de Ceuta e Alcácer”):
desenho representando o Rei D. Afonso V – primeiro Príncipe
de Portugal de título –, presente no diário de Jörg von Ehingen
(anos de 1400) pertença da Württembergische Landesbibliothek
(Estugarda, Alemanha).

    Este foi um dos episódios mais marcantes do Rei Afonso, o quinto de nome e título, e que se relaciona com o que neste mês aqui escrevo.

    Quando o Rei D. Afonso V somou mais um Inverno, quando fez 18 anos, recebeu cartas do Rei dos Romanos, o qual mostrava interesse em casar com uma de suas irmãs, a qual tinha – aquando da abertura das cartas – 15 anos de idade.

    Há que dizê-lo: este casamento tinha sido de antemão proposto perante um terceiro elemento: o Rei de Nápoles e Aragão. Este matrimónio serviria agora também de paliativo: o Papa recebera uma queixa da tia de Afonso V, reclamando que o seu irmão, o caído Infante D. Pedro, tinha ficado durante três dias com o seu corpo sem vida sobre a terra do campo da batalha de Alfarrobeira, à mercê das bicadas das aves de rapina. Para além disso, apesar de ter recebido a extrema unção por parte de D. Luís Coutinho, tinha o corpo ao fim desses três dias sido levado para lugar desconhecido.

Fragmento de quadro da Imperatriz Leonor (de Portugal),
pintado em 1468 por Hans Burgkmair.
Actualmente no Kunsthistorisches Museum (Viena, Áustria).

    No ano de 1451, dois religiosos tidos na sua aparência como vulgares, são roubados e deteudos no Caminho de Santiago. É por mero acaso que o Bispo de Coimbra topa com o seu destroço, e os ajuda a chegar a Lisboa. Estes dois religiosos – como disse, vulgares no seu aspecto – eram afinal os embaixadores do Rei dos Romanos, que vinham selar o casamento desse com a jovem irmã do Rei de Portugal, D. Afonso V.

    Já em Lisboa, são recebidos de forma muito afectuosa pelo Rei de Portugal e tratados quase como príncipes. O casamento é selado, e para que aquele dia fique na mente de todos em memória marcado, o Rei decide dar perdões judiciais a casos de difícil resolução, assim como o perdão das dívidas de muitos. Seguem-se as festas, inclusivamente com justas na Rua Nova em que até o irmão do Rei, o Infante D. Fernando, chega com os seus aventureiros, vestidos com guedelhas de seda fina como selvagens, em cima de bons cavalos vestidos e cobertos de figuras e cores de alimárias conhecidas...

Miniatura representando Frederico III,
com as armas de Portugal em
baixo, tendo por cima dessas a inscrição
Leonora imperatryx.
Presente em manuscrito
da Österreichische Nationalbibliotek.
    Em Outubro desse mesmo ano de 1451, o Rei sai da Sé de Lisboa e acompanha a pé a irmã até ao Cais da Ribeira, onde uma ponte de tonéis fazia, sobre a água, o seu caminho para a embarcação que aguardava levá-la do Reino de Portugal para sempre.

    A viagem ainda a levou ao Norte de África, antes de cruzar o Mediterrâneo. A irmã do Rei D. Afonso V não conhecia o Rei dos Romanos. Estava a caminho da região de Itália para o conhecer, para se casarem presencialmente, para serem ambos investidos Imperadores.

    No último dia de Fevereiro de 1452, em pleno Inverno, D. Lopo de Almeida – que acompanhava a futura Imperatriz – escrevia ao seu Rei, D. Afonso V:

...o dia, que a Senhora Vossa Irmã chegou à Cidade de Siena, saíram os da Cidade a recebê-la...
...e depois veio o Duque Alberto, Irmão do Imperador, com muita gente...
...e ao cabo de pouco veio El Rey da Hungria, e a cavalo lhe deu a dita Senhora a mão...
...chegámos junto com as portas da Cidade, e na entrada do arrabalde estavam a maior parte dos cidadãos a pé, vestidos de carmesim e escarlatas forradas de martas mui negras...

...por esta Cidade pintaram as armas do Imperador com as vossas: a porta, donde pousa vossa Irmã, estão [elas] pintadas...


A coluna de mármore que foi levantada em Siena
e que tinha no topo as armas de Portugal. De fresco presente na Biblioteca
Piccolomini, da Catedral de Siena,
realizado por Pinturicchio no início dos anos de 1500.

    A 16 de Março seria celebrado o casamento em Roma. Três dias depois, a 19 de Março, na mesma cidade de Roma, Frederico III [ex Rei dos Romanos] e Leonor de Portugal seriam investidos Imperadores do Sacro Império Romano-Germânico.

D. Leonor de Portugal, Imperatriz do
Sacro Império Romano-Germânico,
tendo à frente as duas filhas: Helena e Kunigunde.
Iluminura de manuscrito do século XV,
da Bayerische Staatsbibliothek.

    E de que forma se relaciona tudo isto com Sintra? Quem acompanhou D. Leonor, que na chegada a Siena, no encontro com Frederico III, tinha apenas 17 anos de idade? E que legaram esses seres humanos para a nossa história? Recontares que mostram ambientes diferentes daqueles que a limitada imaginação é capaz de recriar...

...este dia, acabadas as justas, foram cear, e acabada a ceia vieram todos por vossa Irmã, e levaram-na a casa do Imperador, e dançaram em sua sala quase uma hora, e veio colação [refeição] maior que a de Fernão Serveira, que com três patos dizia que se fartaria muito bem e lançar-se-ia na cama. O Imperador partiu-se da dança antes da colação e foi-se à sua câmara, e acabada a dita colação, levou El Rey a dita Senhora àquela mesma câmara com poucos, salvo mulheres, e acharam-no já lançado [e] vestido entre os lençóis; e tomaram vossa Irmã e lançaram-na na cama com ele também vestida, e cobriram-lhe as cabeças e beijaram-se, e feito isto...

    ...muito mais há para saber no próximo artigo do Jornal de Sintra.




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domingo, 25 de fevereiro de 2018

"A Rainha Mãe" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 23 de Fevereiro de 2018

A Rainha Mãe
na edição de 23 de Fevereiro de 2018
do Jornal de Sintra


    Já se encontra disponível para leitura gratuita online o meu último artigo no Jornal de Sintra. A Rainha Mãe traz um ambiente do século XVI e as responsabilidades e amor que uma estrangeira no Reino de Portugal teve.

    Ao final do dia que se seguiu ao de sua morte, o corpo da Rainha saiu do Paço de Enxobregas (actualmente Xabregas; antigamente local paradisíaco) acamado num esquife, acompanhado por cerca de dois mil cavaleiros segurando tochas. Milhares de mãos iam tocando nos varais do esquife à medida que esse ia atravessando as apertadas e sinuosas ruas da cidade amuralhada de Lisboa, por entre prantos e gritos de desgostoso e amargo querer do povo, recusando aceitar a decisão divina da sua partida deste mundo. Chegado a... (...)

    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 23 de Fevereiro de 2018.

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