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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Casa da Gandarinha - Palácio Gandarinha (em frente à entrada sul do Parque da Liberdade em Sintra)


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra




    Percorrendo a estrada de São Pedro em direcção a Sintra, onde antes da curva onde se encontra a fonte projectada por Raúl Lino é observável o edifício acastelado do Monte Sereno elevando-se entre as árvores no cume de um monte da Serra, chega-se mais à frente, após curva e contra-curva, até à discreta entrada do Parque da Liberdade.

o Palácio Gandarinha elevando-se em frente a uma das entradas
do Parque da Liberdade, em Sintra

    Em frente dessa, um edifício em ruínas leva os aromas da fantasia até aos confins da nossa mente.
   É conhecido esse como Casa da Gandarinha, ou Palácio Gandarinha ("Gandarinha", na localidade de Cucujães, Oliveira de Azeméis, onde nasceu o Visconde de Gandarinha).

    Em 1850, o terreno era propriedade do Conde do Lavradio (que ajudou a mediar o casamento entre D. Maria II e D. Fernando II), existindo a dúvida de que se existira nesse, já alguma construção. Isso porque num documento de 1888 entende-se que a casa (com a configuração que se encontra) tinha sido reedificada, e não edificada. Surge assim a data da sua construção.

a entrada principal da Casa da Gandarinha

  No entanto não é realmente elucidatório se teria existido uma tal construção no lugar da Casa da Gandarinha antes. E a ter existido, seria provavelmente uma construção de habitação, mais pequena ou degradada. 

    Mais se entende no referido documento, que o propósito de reedificação teria sido o de alugar o edifício - com as delineação arquitectónica como a vemos hoje - para funcionamento de um hotel, intenção essa do seu proprietário, o Visconde de Gandarinha, mais tarde, também Conde da Penha Longa.

as ruínas que subsistem com o embargamento das obras para hotel,
nos anos noventa

    Em 1905 a casa ainda não tinha sido habitada, nem tampouco o hotel funcionara, ao que parece por desistência de tal intento por parte do Visconde de Gandarinha.

edifício principal, traseiras, onde funcionou a "Escola Profissional Doméstica"
da Associação Internacional Católica para Obras de Protecção às Raparigas

    Já no século XX, o edifício foi doado a uma instituição católica. A doação inicialmente referida, diz-se que foi feita pela Viscondessa da Gandarinha, que tinha criado o Asilo da Gandarinha (mais tarde conhecido como Fundação Condessa de Penha Longa) em 1874. 

   A mencionada instituição católica era a Associação Católica Internacional para Obras de Protecção às Raparigas (hoje conhecida como "Associação Católica Internacional ao Serviço da Juventude Feminina"), que lá começou a funcionar com uma "Escola Profissional Doméstica" em 1937, actividade que se diz ter-se mantido até 1974.

a Casa da Gandarinha, vista do Lugar da Cruz,
tendo ao fundo a Quinta do Monte Sereno

   Nos anos 90, a casa foi vendida a um privado, que pretendia realizar a construção de um hotel. A construção avançou mesmo em força, até que a família dos doadores iniciais (Viscondes de Gandarinha ou Condes da Penha Longa) decidiu agir judicialmente por - tal como acontece com as habitações da Santa Casa da Misericórdia que são recebidas como doação e não podem ser vendidas - depois de ter sido doada, ter sido vendida a um privado (tendo como propósito final a tal construção do hotel, distando assim de qualquer intento misericordioso, implícito na doação inicial). Deu-se então o embargamento, que até hoje se mantém.



© O Caminheiro de Sintra

Pede-se a quem tenha memórias fotográficas do interior do edifício e da propriedade, ou relatos de recordações que deseje partilhar, o favor de entrar em contacto via e-mail.

12 comentários:

  1. Gostei muito do seu blog e canal youtube, pois sou apaixonada por Sintra, com a sua inegável beleza e mistério. Vou continuar a ler sem dúvida, pois aguça ainda mais a minha curiosidade!

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  2. Cara Anónima,

    muito obrigado pelo seu expressar, sinta-se sempre à vontade para visitar "O Secreto Palácio de Sintra", esperando que de cada vez que o faça sinta as suas memórias de Sintra avivadas.

    Com os melhores cumprimentos

    O Caminheiro de Sintra

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  3. parabéns pelo estudo de investigação posto ao serviço de todos que gostam de Sintra,só gostaria de dar um sugestão para um novo tema para o blogue: mostrar que Sintra é mais do que um conto de fadas, temos partes da vila muito degradadas, estradas miseráveis (vila-colares, e etc)casas de antigos guardas florestais espalhadas pela serra que se encontram abandonadas e subaproveitadas, parques e espaços verdes que mais parecem mato, somos património mundial onde nem uma pousada de juventude existe... Sintra é mais que os castelos e palácios(pena é que ainda não houve nenhum governante de câmara que ainda não teve inteligência de transformar Sintra num pólo turístico onde os turistas venham, visitem, gastem e fiquem)

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  4. Merci, obrigado.Continuarei a ler e procurar sobre essa bela Terra.

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  5. O Gandarinha foi,minha "casa"durante ano e meio,pois na altura "63-64", fazia parte da Casa Pia,estive la a aguardar entrada num Semi Internato em Lisboa. Na altuara em que eu la estive ja nao estava a ser dirigida por irmas,mas sim uma directora e assistentes.La aprendi a bordar,e fazer tapetes de arraiolos.A melhor coisa que guardo na memoria,era a capela que havia dentro Do Gandarinha como lhe chamavamos,e das noites de Verao, que se ouvia o bate da raquete na bola, de pessoas que iam jogar tenis para o Parque Da Liberdade. Obrigada por este lindo blog,que me leva a uma etape(11 anos)da minha infancia.

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    Respostas
    1. Anónimo 05 de Novembro de 2012
      Olá, também eu estive interna neste colégio. Gostei de lá ter estado. Na altura já eram a directora e assistentes. De facto a capela era muito bonita, Lembro-me de que tudo era enorme e passeavamos bastante. Aprendiamos um pouco de tudo.

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    2. Anónimo 05 de Novembro de 2012
      Olá, novamente. Há pouco tempo passei por aquela que foi o meu lar durante alguns anos e deu-me vontade de chorar ao ver o estado de degradação que chegou esta casa, muito bonita, na altura. Ficam as boas lembranças que quem me acolheu e me preparou para a vida!

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  6. Cara Anónima,

    muito obrigado eu - e creio que todos - pelo seu tocante relato do passado, pessoal e da casa da Gandarinha. Caso se sinta disposta a contar mais sobre a sua relação com aquele espaço da sua infância, queira enviar por favor um e-mail para "caminheiro.de.sintra", no gmail. Todos os relatos da história de Sintra são importantíssimos para o futuro, mais ainda quando vivenciados de forma significativa.

    Com os melhores cumprimentos

    O Caminheiro de Sintra

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  7. Olá ...Sou arquitecto e tenho realizado um trabalho de ilustrações de castelos de Portugal. O meu último foi o dos Mouros.
    O convido a visitar o meu blog

    www.alepoveiro.blogspot.com

    cumprimentos

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  8. Caro Alê Poveiro,

    muito obrigado pela indicação. É um prazer sempre que se encontra alguém que dedica/dedicou uma parte de si a Sintra, como é o caso com a sua ilustração do Castelo dos Mouros.

    Com os melhores cumprimentos

    O Caminheiro de Sintra

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  9. Muito obrigada por este post,Caminheiro.
    Sou uma apaixonada por esta mágnifica ruína,como lhe disse no facebook,e é sempre bom poder saber um pouco mais sobre o seu passado e a história que encerra dentro das suas paredes centenárias.
    Se eu tivesse fundos,e claro,autorização dos proprietários,restauraria toda a mansão e devolvia-a ao seu serviço de caridade. É uma pena que a história se deixe degradar assim,e ver que as pessoas não têm o minímo de cuidado(ou mesmo meios) para manter tal edifício. Sempre que passo pela casa da gandarinha,sinto sempre uma vontade imensa de a ver e conhecer melhor,no entanto a casa vai ficando mais arruinada a cada dia que passa,e temo que grande parte dela seja agora apenas um esqueleto,com andares que já desapareceram deixando apenas as paredes.

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  10. Cara Kimichisai,


    muito obrigado pelas suas palavras. É sempre bom quando alguém se encontra satisfeito com O Secreto Palácio de Sintra, e o expressa.

    Quanto ao que ademais disse, pois creio que o estado de ruína é aquele em que realmente a Casa da Gandarinha se encontra agora. Compreendo a sua vontade movida pelo seu coração, mas correr-se-ia de novo o risco de a caridade (por esta razão ou por aquela) a vender de novo para outros fins. Existe sempre maneira de se dar a volta às coisas mesmo que se afirme algo, e em termos imobiliários em Portugal é algo frequente.

    Para além disso, as ruínas têm sempre coração próprio que não é o mesmo da habitação original ou reedificação futura - só estou a querer dizer que muito provavelmente quem a veja reedificada já não terá o mesmo sentimento romântico e interesse.

    Resta-nos esperar que um dia seja utilizada da melhor forma, para que bem se enquadre dentro de Sintra e nas intenções dos seus (futuros/actuais) proprietários.


    Com os melhores cumprimentos

    O Caminheiro de Sintra

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Caríssimo(a),

por favor sinta-se à vontade para aqui escrever aquilo que agora pensa ou sente.

Ver-nos-emos em breve, sem disso sabermos.

O Caminheiro de Sintra