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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Origem das Queijadas de Sintra - in "Velharias de Sintra" de José Azevedo (1980)

"Já se encontram referências às Queijadas de Sintra, como fazendo parte de pagamento de foros, no ano de 1227 (Século XIII), quando reinava D. Sancho II, o Capelo (podem-se consultar documentos arquivados na Torre do Tombo que o atestam).

Quanto ao local de origem das queijadas parece ter sido o lugar de Ranholas, freguesia de S. Pedro de Penaferrim, do concelho de Sintra. Em 11 de Maio de 1935, na extinta Assembleia de Sintra, que funcionou na Casa Valmor, na Vila Velha, proferiu uma conferência subordinada ao tema «Manteiga de Sintra», o regente agrícola, publicista e investigador Tude Martins de Sousa, e nela pode ler-se o seguinte:



Efectivamente e referindo-me apenas ao concelho de Sintra, e é o que por agora nos interessa, aparece em 1377, no reinado de D. Fernando I, há 558 anos, arrendado o Casal de Mastroncas (deve ser Mastrontas) em Sintra, do Mosteiro de S. Vicente de Fora, por três moios de pão meado (metade de trigo e metade de centeio), um carneiro e duas dúzias de queijadas.Em 1479 (tempos de D. Afonso V) o foro referente ao Casal dos Tostões, do Convento de Canto Eloi, era de doze bolos, doze queijadas, doze ovos e um púcaro de manteiga.O Casal do Rebolo, em Almargem do Bispo, foi aforado em 1481 por cem alqueires de trigo e noventa de cevada, um porco de dois anos e uma dúzia de queixadas, na véspera da Santíssima Trindade. [Este já era dos princípios do reinado de D. João II, pois D. Afonso V já tinha morrido em Sintra em 28 de Agosto de 1481.] O Casal dos Sete Sizos, em Rio de Mouro, foi aforado em 1490 (reinava o mesmo monarca) por, além de um pão meado, um cabrito, bolos e uma dúzia de queijadas....

Até agora, ainda ninguém identificou qualquer fabricante de queijadas em relação àquelas épocas distantes, nem sequer as terras onde se fabricavam. No entanto, o princípio da sua industrialização, segundo nos diz Alfredo Pinto (Sacavém), falecido em 24 de Janeiro de 1945, começou com uma Maria Sapa, de Ranholas, em 1756, em cuja casa, no dito lugar, conseguia reunir os mais autênticos fidalgos que estavam em Sintra."

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O Caminheiro de Sintra