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terça-feira, 6 de julho de 2010

Lenda de Monserrate - Sintra

© Pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Manuel Gandra
Imagens: autores Flickr (respectivamente) zip 95Portuguese_eyes



O Palácio de Monserrate em tons
pouco usuais
"Numa colina isolada, a meio de estrada velha que vai de Sintra a Colares, e cerca de um quilómetro da
Penha Verde, encontra-se o Palácio de Monserrate. À direita fica-lhe a Quinta do Cadaval. Ao cimo vê-se a montanha coberta de arvoredo.


Foi fundado perto do local onde havia uma antiga ermida com a invocação de Nossa Senhora de Monserrate.
Diz a tradição que nos tempos do domínio árabe morou naquele sítio, no alto da Penha, um moçárabe ou fidalgo cristão, que tinha grande predomínio com todas as famílias cristãs que habitavam a serra.


O relvado fronteiro ao Palácio de Monserrate
Esse moçárabe andava em rixa velha com o alcaide do castelo de Sintra, resultando dessa discórdia este vir desafiá-lo a duelo, o que se efectuou ficando estendido sem vida o moçárabe, que por toda aquela gente desde logo foi tido em conta de mártir, ao qual levantaram um túmulo e depois uma capelinha de oração.


Essa pequena ermida com o tempo ruiu, sendo em 1500 substituída por outra, edificada pelo padre Gaspar Preto, sob a invocação de Nossa Senhora de Monserrate, vindo de Roma a imagem da Virgem, feita de alabastro.


Parece que aquele sítio foi dado ao hospital de Todos os Santos em Lisboa, e depois aforado a Caetano de Mello e Castro, vice-rei da Índia, que mandou arrotear o terreno, nele fundando a Quinta chamada da Bela Vista."


© O Caminheiro de Sintra


P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), Monserrate em Sintra, Portugal:


Ver mapa maior

2 comentários:

  1. Boa tarde,

    Antes de mais parabéns pelo espaço. Está excelente. Relativamente a Monserrate tenho uma questão que talvez me possa responder.
    A capela ficava onde actualmente estão as ruínas, no jardim, ou estas ruínas são "falsas"? Já li em alguns sítios que a capela estaria situada no local do palácio e que as suas ruínas foram transferidas para o jardim e colocadas de maneira de propósito daquela maneira. No entanto, outros há, que dizem que aquelas ruínas são verdadeiras e que a capela se situava mesmo ali. Se me puder esclarecer agradecia.

    Cumprimentos
    Joana Marques
    aonjaa@gmail.com

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  2. Cara Joana,


    estive a consultar todo o material que tenho relacionado e que se pode relacionar com a Capela de Monserrate, e posso-lhe dizer que tudo o que vi é matéria para um quase infindável número de especulações. No entanto, caso sinta a necessidade de tomar uma opinião como a decisiva, deixo-lhe esta de Alfredo Azevedo, que embora por vezes falhasse como o próprio humildemente reconhecia, creio ser a mais indicada:

    "Não admite D. Aida Kingsbury [nota do Caminheiro de Sintra: também em alguns livros conhecida como "Ilda Kingsbury", privilegiada por ter tido em sua posse muitos documentos relacionados com Monserrate e com William Beckford] que De Visme tenha demolido a capela para, no mesmo sítio, erguer o seu palácio. A esta opinião dou o meu acordo absoluto, pois tem toda a lógica. Sendo o rico inglês pessoa bem formada, o que a mesma senhora averiguou em trabalhos de biógrafos de Gerard De Visme, não é de aceitar que este, embora huguenote, tomasse uma atitude que chocaria os crentes do país que tinha escolhido para viver, pelo menos, durante alguns anos (...) é verosímil que aquilo que se deitou abaixo fosse um resto de paredes por o pequeno templo ter ruído com o terramoto de 1 de Novembro de 1755, que, como já disse, tornou impróprias para serem habitadas as casas que já existiam na propriedade. E assim, Gerard De Visme já não teria motivos para quaisquer escrúpulos em demolir o que restava. A capela, na realidade, foi novamente edificada, não sei se respeitando a traça primitiva, num morro fronteiro àquele em que primeiramente se localizou. Lá está, completamente em ruínas, ainda com a sua porta ogival, com falta das duas ombreiras, que teriam sido colunas encimadas por capitéis que ainda se conservam no seu lugar. De cada lado uma janela também em ogiva, com vestígios de trabalhos posteriores."

    Por favor a Joana (bem como outras pessoas que isto leiam) tenha consciência de que também é especulação, embora as inferências das primeiras frases façam bastante sentido. Quanto à parte que reporta o levantamento da mesma no morro fronteiro, é especulação, sem factos concretos que comprovem sem margem para dúvida, tal linha de pensamento.

    Tenho tido sorte com alguns dos últimos comentários onde as pessoas têm colocado perguntas extremamente interessantes e importantes, tal como foi o seu caso, e pelo qual lhe agradeço. Muito provavelmente no futuro sairá um post sobre este mesmo assunto, visto que - tal como disse - é passível de imensas linhas de hipótese ou especulação, com o material escrito que existe dos séculos passados.

    Caso a Joana tenha mais alguma dúvida, sinta-se à vontade para a expor por e-mail.


    Com os melhores cumprimentos

    O Caminheiro de Sintra

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Caríssimo(a),

por favor sinta-se à vontade para aqui escrever aquilo que agora pensa ou sente.

Ver-nos-emos em breve, sem disso sabermos.

O Caminheiro de Sintra