colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


Mostrar mensagens com a etiqueta Serra de Sintra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Serra de Sintra. Mostrar todas as mensagens

sábado, 22 de março de 2025

Miguel Boim na Universidade de Évora


 

 "Miguel Boim na Universidade de Évora: No âmbito da Unidade Curricular de Oficina de Escrita Criativa e do Mestrado em Literatura, realizar-se-á uma conferência com o escritor Miguel Boim, autor de Fantasmas da História de Sintra (2025); Contos de Sintra (2025); Sintra Lendária (2014), no dia 25 de Março pelas 16h na Sala de Docentes do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora."

Visto a entrada ser livre, todos os eborenses e cúmplices de regiões próximas serão muito bem-vindos.

 

 

 

quinta-feira, 13 de março de 2025

Sobre a Apresentação do Livro "Fantasmas da História de Sintra", na Casa do Fauno (07 de Março de 2025)

 

alguns dos momentos que fizeram a noite da apresentação do livro
Fantasmas da História de Sintra


Há dez anos atrás comecei a trabalhar no esboço daquilo que se viria a tornar no livro "Fantasmas da História de Sintra". Levei cinco anos a escrevê-lo. Queria que as pessoas que o lessem pudessem sentir de forma mais intensa o que de bizarro encontramos na História: as coisas em que há séculos acreditaram, o que juraram ter vivido, o que sentiram, os mistérios de que em tempos longínquos ouviram falar. Contudo, não o podia escrever de forma objectiva, directa, pois não queria que quem lesse o livro interpretasse as minhas palavras como estando a tomar uma parte, ou que as minhas palavras fossem interpretadas como reflexos de crenças actuais. E para isso, não chegariam as mais de quinhentas notas de pé de página com referências bibliográficas.

Depois de o ter concluído, entre pandemia e outras situações, passaram cinco anos, perfazendo assim dez anos. Claro, valeu a pena. Vale sempre a pena quando desejamos que os outros possam sentir coisas boas com as nossas palavras, com os nossos gestos, com as nossas decisões. E foi o que também me fizeram na passada Sexta-feira, dia 07 de Março de 2025. Um dia no meio de tantos outros com avisos meteorológicos, repleto de chuva e de frio. Vieram amigos, conhecidos, desconhecidos, pessoas que me são queridas. Alguns de muito perto, outros de muito longe. Encheram a sala da Casa do Fauno onde também há mais de dez anos apresentei o livro "Sintra Lendária" (que chegou agora à 7.ª edição). Falámos do mistério que a vida é (sabemos que somos humanos, que vivemos no planeta Terra, mas no contexto do Universo e da vida não fazemos ideia do que isso significa), de coincidências, da História, e do prazer que espero que possam tirar deste meu novo livro, nos fantasmas que são as sombras que podem ser encontradas na História da Serra de Sintra.

Muito obrigado ao Alexandre Gabriel, editor da Zéfiro, que também apresentou o livro e que felizmente é também tão obcecado por perfeição nos acabamentos dos trabalhos literários; aos meus amigos mais próximos que estiveram presentes e tornaram a noite ainda mais bonita; à minha adorada Adriana que todos os dias enche a minha vida de cor, assim fazendo com que eu deseje ainda mais que todos possam sentir ainda mais cor em suas vidas; a todos que perante condições tão adversas vieram aquecer os corações com a História desta Serra que também para vós é tão marcante; e a todos aqueles que seguem o meu trabalho - quer há dias, quer há anos -, muito, muito obrigado. A felicidade e prazer de todas estas pessoas com a Serra de Sintra será uma das minhas maiores recompensas.

Site: https://www.miguelboim.com
Facebook:  https://pt-pt.facebook.com/Caminheiro.de.Sintra
Instagram: https://www.instagram.com/caminheiro.de.sintra/  
Biografia: https://www.miguelboim.com/biografia-de-miguel-boim

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Sintra e Gil Vicente - 5 artigos de Miguel Boim no Jornal de Sintra (2018-2019)


O Filósofo e o Parvo:
não só na obra de Gil Vicente, mas também na vida.

    Gil Vicente e Sintra é uma associação de dois ícones portugueses que é comummente feita. E aquilo de que se não foge de encontrar mencionado é o termo Paraíso Terreal, como se pode observar à direita num prospecto turístico de meados do século XX.

O habitual termo Paraíso Terreal
aparecendo sempre na evocação de
Sintra e Gil Vicente.
Mas que mais de Sintra podemos
em Gil Vicente encontrar?
    Mas o que realmente de Sintra encontramos na obra completa de Mestre Gil? É-nos possível perceber, vislumbrar, como Gil Vicente sentiria este lugar de Portugal que para alguns de nós representa um reduto onde a alma se tenta na verde solidão saciar?

    Ao longo de cinco artigos (cinco partes de Gil Vicente e Sintra) escritos para o Jornal de Sintra, analisei algumas das formas como o Mestre aludiu a Sintra, como essas podem ser interpretadas à luz da época, e como as suas palavras podem reflectir o sentimento que esse ser humano do século XVI - que gravou o seu nome na nossa História ao longo de 500 anos - tinha para com a Serra de Sintra.

    500 anos depois, ainda aqui se mantêm os descendentes da fauna que também captou a fantasia de Mestre Gil.

    500 anos depois, ainda que sem a mesma variedade de fauna, somos encantados pela voz da natureza e de passados os quais sentimos que com o nosso presente nos podem reconciliar.

    500 anos depois, podemos sentir Sintra em toda a obra de Mestre Gil, devendo nós hoje perceber que também naqueles tempos existia quem preferisse o sossego da Serra à agitação das festas no Paço Real, quem preferisse estar com verdadeiros lobos ao invés de estar com aqueles que frequentando as ditas festas, vestiam humana pele.



    1.ª Parte de Gil Vicente e Sintra
Terra de Cardos e Pedras

Terra de Cardos e Pedras
na edição de 28 de Setembro de 2018
do Jornal de Sintra

    «...Mas Mestre Gil era muito mais do que alguém com grandes capacidades para executar algumas poucas funções. Gil Vicente era ele próprio um gerador de fantasia. No ano de 1520 esperava-se a entrada em Lisboa do Rei D. Manuel e da Rainha. O Mestre era reconhecido pela sua fantasia a ponto tal que o Rei deu indicações para que se seguissem todas as sugestões do Mestre. Quando se viu chegado o dia da entrada do Rei e da Rainha, havia inclusivamente no Tejo uma caravela mal aparelhada e de velas esfarrapadas e pintadas de más pinturas de que saíam grandes fumaças e fogos artificiais (...) e muitos trovões; e a caravela sem governar ora através ora a popa (...) e os diabos fazendo coisas de muito prazer com que houve a maior festa do recebimento... No dia seguinte, o Rei e a Rainha tinham muitas plataformas ou palcos por entre os quais haviam de passar. Num deles era visível um homem deitado, adormecido, do peito do qual saía uma grande árvore dourada (a Árvore de Jessé, brotando do peito de Adão) tendo essa árvore representações de todos os reis e de todos os profetas, acima desses estando Deus com os seus anjos, estes últimos tocando seus instrumentos musicais. Ao lado desse palco, um outro muito coberto de ramos e arvoredo, com muitas fontes de água, que representava a Ilha da Madeira; e no meio uns ricos aposentos em que viviam quatro fadas e em uma rica câmara estava um berço dourado que embalavam quatro sereias cantando suavemente; e as fadas falaram em lugar da Ilha, oferecendo-se para criarem o filho ou filha primeiro que [a Rainha] parisse, e [que] seria por elas fadado (...)» (CONTINUAR A LER)



    2.ª Parte de Gil Vicente e Sintra
O Cavaleiro Portugal e a Serra de Sintra

O Cavaleiro Portugal e a
Serra de Sintra

na edição de 09 de Novembro de 2018
do Jornal de Sintra


    «...E é assim que começa a Farsa da Lusitânia, dizendo-nos que uma ninfa, há três mil anos atrás, tinha por morada uns rochedos ao pé da Serra de Sintra, serra que então se chamava Solércia (“Solércia” queria dizer tanto agudeza de espírito e esperteza, como algo capaz de desencantar mil ardis ou de muita manha ter). O Sol, que passava sempre na distância e via aquela ninfa de nome Lisibea entre as rochas próximas da Serra de Sintra, e a visse nua sem nenhuma cobertura, tão perfeita em suas corporais proporções, como formosa em todolos lugares de sua gentileza, fez, através do amor entre ambos, que Lisibea desse à luz uma filha de nome Lusitânia.  (...)» (CONTINUAR A LER)



    3.ª Parte de Gil Vicente e Sintra
Coração de Amante e a Entrada no Inverno

Coração de Amante e a Entrada
no Inverno

na edição de 07 de Dezembro de 2018
do Jornal de Sintra


    «...Mas antes de lá se chegar, há que percorrer o caminho que Mestre Gil muitas vezes terá feito e onde muito observaria. Nesse caminho, da Cidade de Lisboa à Serra de Sintra, Gil Vicente via – já naquilo que é hoje considerado como Sintra – traços dos tempos modernos, dias em que a alegria e a tradição, naquele ano de 1529, já há muito se tinham perdido. Batia a saudade dos tempos passados – tal como a nós hoje, dos nossos passados tempos de vida. É aqui sim, que Mestre Gil fala do que Portugal até há pouco (início do século XVI) fora, e da alegria que era então sentida também no concelho de Sintra; assim que entra em palco, assim que começa o Triunfo do Inverno, o Mestre encontra-se só, perante a audiência, e diz: Em Portugal vi eu já / em cada casa um pandeiro, / e gaita em cada palheiro; / e de / vinte anos a cá / não há aí gaita nem gaiteiro. / A cada porta um terreiro, / cada aldeia dez folias, / cada casa atabaqueiro: / e agora Jeremias / é nosso tamborileiro. / Só em Barcarena havia / tambor em cada moinho, / e no mais triste ratinho / s’enxergava uma alegria / que agora não tem caminho. (...)» (CONTINUAR A LER)



    4.ª Parte de Gil Vicente e Sintra
The Green Man, Sintra e o Mestre Gil

The Green Man, Sintra e o Mestre Gil
na edição de 11 de Janeiro de 2019
do Jornal de Sintra


    «...Como tais preocupações apresentavam apenas o brilho que ofusca os escuros recantos onde de forma recôndita a falta de dignidade tem por hábito andar, o Ferreiro e a Forneira decidem ser hora de partir. E é na sequência da sua partida que surge o mais conhecido excerto de Mestre Gil Vicente relativo à Serra de Sintra, e dito pela boca da própria Serra de Sintra: Um filho de um Rei passado / dos gentios Portugueses / tenho eu muito guardado, / há mais de mil anos e três meses / por um mágico encantado. / E este tem um jardim / do paraíso terreal, / que Salomão mandou aqui / a um Rei de Portugal; / e tem-no seu filho ali. / Este será o presente, / e eu irei por ele asinha, / porque é para a Rainha / justo e conveniente. / O qual Príncipe virá / em pessoa aqui com ele, / que sabe as virtudes dele, / e como e quem o trouxe cá, / e quanto se monta nele. / E virá acompanhado / dessas cachopas Sintrans, / e de mancebos do gado, / Louçãos e elas louçãs, / com seu cantar costumado.

    O Verão diz então que o jardim apresentado – para que mais fastio não cause pois ainda nem acabado está – conclui o seu triunfo, aquilo que na realidade foi o triunfo do Verão.

    E chegamos agora ao desvelar de como foi ludibriado quem até aqui chegou. Entram quatro mancebos e quatro moças, todos muito bem ataviados em folia, dizendo esta cantiga: Quem diz que não é este / San João o Verde? Exactamente, São João, o Verde. Aos olhos de hoje não conseguimos compreender muitas das coisas do passado, ou tomamo-las como erradas. Mas se com os devidos e necessários filtros para se olhar para esse mesmo passado, somos capazes de entrar de forma mais profunda nas vidas que os nossos antepassados viveram. Na 3.ª parte destes artigos mencionei que a Rainha dera à luz em Abril de 1529. Em Abril, como é óbvio, não é Verão. E é o próprio Verão, na peça, a dizer que foi no seu tempo que a Rainha foi alumbrada, iluminada, que deu à luz. Além do mais, com o enfraquecimento do Inverno (após os dois triunfos desse), quem apareceu de imediato, trazendo os cânticos da natureza consigo, foi o Verão. E se – por exemplo – olharmos para outra peça do Mestre, aquela que tem o nome de Auto dos Quatro Tempos, vemos que esses “tempos”, as estações do ano, estão divididas entre Verão, Estio e Outono e Inverno. A forma como foi ludibriado foi ao ter interpretado este Verão de quem tenho falado ao longo de todo o artigo, como o nosso Verão; na realidade trata-se daquilo que interpretamos hoje como Primavera, e que então era tida com o termo Verão. No fundo, este Verão de que falei ao longo de todo o artigo representa o renascimento no ciclo da natureza, a sua renovação. (...)» (CONTINUAR A LER)



    5.ª Parte de Gil Vicente e Sintra
O Fim de Mestre Gil e Suas Sintras

O Fim de Mestre Gil e suas Sintras
na edição de 08 de Fevereiro de 2019
do Jornal de Sintra


    «...Estávamos então em 1529. Em 1502 tinha sido a primeira representação de uma obra do Mestre, actuando ele próprio praticamente só perante a Rainha, o Rei, e o então recém-nascido Príncipe. Em 1529 esse recém-nascido já se tinha tornado no Rei D. João III. E o que daqui, de 1529 para a frente surgiu, foi um lento apagar do Mestre, até o seu nome ter silenciosamente desaparecido. O Auto da Lusitânia (do qual falei na 2.ª parte desta sequência de artigos) foi concebido para celebrar o nascimento do Príncipe D. Manuel (a quem foi também posteriormente dedicado o retábulo da Pena (o retábulo ainda poderá ser visto nos dias de hoje no Palácio da Pena)). Contudo existiu uma outra obra de Gil Vicente que foi utilizada nas festas de celebração do nascimento do Príncipe D. Manuel, mas não cá em Portugal e sim em Bruxelas, na embaixada de Portugal em Bruxelas, no final do ano de 1531. À partida não terá sido a primeira vez que foi apresentada, e tinha o título de Jubileu d’Amores. Entre a assistência em Bruxelas encontrava-se um cardeal italiano, de nome Girolamo Aleandro. Depois da apresentação da obra o cardeal enviou uma carta ao secretário do Papa, queixando-se da peça. Entre os múltiplos traços heréticos, referia que (...)» (CONTINUAR A LER)



    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que completou em Janeiro deste ano os seus 85 anos!

    E não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.





ir para a página de Facebook O Caminheiro de Sintra

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

"O Cavaleiro Portugal e a Serra de Sintra (Gil Vicente - 2.ª parte)" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 09 de Novembro de 2018

O Cavaleiro Portugal e a
Serra de Sintra

na edição de 09 de Novembro de 2018
do Jornal de Sintra


    O Cavaleiro Portugal? Sim, o Cavaleiro Portugal. Continuo com a forma como Gil Vicente expressava o seu sentir de Sintra, filtrado esse pela fantasia do Mestra. E chamava-se então, no tempo do Cavaleiro Portugal, a Serra de Sintra dessa maneira?

    «E é assim que começa a Farsa da Lusitânia, dizendo-nos que uma ninfa, há três mil anos atrás, tinha por morada uns rochedos ao pé da Serra de Sintra, serra que então se chamava Solércia (“Solércia” queria dizer tanto agudeza de espírito e esperteza, como algo capaz de desencantar mil ardis ou de muita manha ter). O Sol, que passava sempre na distância e via aquela ninfa de nome Lisibea entre as rochas próximas da Serra de Sintra, "e a visse nua sem nenhuma cobertura, tão perfeita em suas corporais proporções, como formosa em todolos lugares de sua gentileza", fez, através do amor entre ambos, que Lisibea desse à luz uma filha de nome "Lusitânia".  (...)»

    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 09 de Novembro de 2018.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que completou em Janeiro deste ano os seus 84 anos!

    E não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.





ir para a página de Facebook O Caminheiro de Sintra

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Entrevista com Miguel Boim, O Caminheiro de Sintra, na RDS Rádio (8 de Setembro de 2018)





    No passado dia 8 de Setembro estive nos estúdios da RDS Rádio numa entrevista conduzida por Carlos Pinto Costa.

    Tendo sido uma entrevista com rédea livre, foram muitos - e mais pessoais - os temas abordados, começando logo com a forma como o trabalho relacionado com a História de Sintra que venho há anos a desenvolver, surgiu.

    Mas também algo acerca do qual muitas pessoas muitas vezes me questionam: qual o mistério da Serra de Sintra que a faz cativar as pessoas? 

    Entre coisas mais pessoais, foi inevitável o surgir na conversa o facto de ter crescido no coração da Baixa Pombalina e de como, partindo daí, se iniciou a minha relação com a Serra de Sintra.

    Além destes, muitos outros temas surgiram ao longo da entrevista, a qual o(a) convido a agora ouvir.






ir para a página de Facebook O Caminheiro de Sintra

terça-feira, 7 de novembro de 2017

"A Mata das Avelãs" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 27 de Outubro de 2017

A Mata das Avelãs
na edição de 27 de Outubro de 2017
do Jornal de Sintra

    Já tem ao seu dispor para ler online - e gratuitamente - o meu último artigo no Jornal de Sintra. A Mata das Avelãs levá-lo-á a um espaço especial da Serra de Sintra, sem poder deixar de esquecer o que neste Verão (e também Outono) em Portugal aconteceu:

      A Mata das Avelãs é um lugar, um espaço, uma mancha na Serra de Sintra. Tinha tudo para apenas ser uma mata de avelaneiras, mas o nome outorga-lhe o peso que o espaço tem.
     Sentimo-lo por o vermos anotado nos séculos que para trás de nós se estendem. Vemo-lo a avivar as vidas que há mais de quatrocentos anos na Serra viveram, e que nas palavras gravadas nos foram deixadas por aqueles que na história as quiseram marcar. Quem o fez certamente não sabia quão importantes essas palavras seriam num futuro distante.
    A Mata das Avelãs é um (...)


    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 29 de Setembro de 2017.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que completou em Janeiro último 83 anos!

    E não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.









terça-feira, 23 de outubro de 2012

Origem do Nome Cintra - ou "Sintra" e "Cintra"



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo d'O Caminheiro de Sintra


gravura pretendendo ter o valor das armas
da Vila de Cintra, no ano de 1859
   
    Sintra, tendo passado por várias grafias em latim e em português, passou em finais do século XVI / inícios do século XVII, a ver seu nome escrito com ‘C’: Cintra.

domingo, 15 de abril de 2012

Drácula em Sintra (Jess Franco)




© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra



    Mais do que estender palavras neste artigo, talvez seja melhor focar o sem-fim de hipóteses que Sintra e sua atmosfera à fantasia possibilitam. Isso mesmo é observável no genérico deste Drácula Contra Frankenstein de Jess Franco (Jesus Franco), de 1972, em que pegando em elementos simples e nem por isso arcaicos, consegue transmitir de forma quase perfeita, o sentimento de um Drácula em Sintra.

La Fille de Dracula, 1972
    Para além do Drácula Contra Frankenstein, Jess Franco rodou no mesmo ano de 1972, utilizando também Sintra, o filme La Fille de Dracula, onde a Quinta da Regaleira se veste de dracúlea forma.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sintra no Cinema III




© Pesquisa, compilação, e texto: O Caminheiro de Sintra


   Nesta última parte de Sintra no Cinema, são apresentados mais quatro filmes, também eles inseridos na Filmografia de Sintra de 2012. Encerra-se assim esta série de artigos dedicados aos filmes menos publicitados, antes de se prosseguir para alguns filmes que mereceram grande destaque e com facilidade chegaram ao grande público.
El Perro del Hortelano, aqui com uma imagem captada na
Sala dos Cisnes, no Paço Real de Sintra
   Pilar Miró em 1996 adapta a peça de teatro de Félix Lope de Vega, El Perro del Hortelano (baseada nos escritos gregos de Luciano de Samosata do século II d.C. (que como curiosidade escreveu aquelas que são consideradas as primeira obras de ficção científica, onde se inclui uma viagem à lua, "uma ilha redonda e brilhante suspensa no ar.") mantendo o mesmo nome para o filme. A adaptação para cinema utiliza o cenário português com vários locais de relevo, como o Palácio do Marquês da Fronteira, o Palácio de Queluz, e o Paço Real de Sintra. É esse que podemos aqui ver neste excelente documento audiovisual do programa Cine Magazine da RTP 2 (à altura, TV2), das filmagens de El Perro del Hortelano (O Cão do Hortelão), e também num excerto do filme que a esse se segue.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sintra e Seus Arredores em 1922 (filme documentário mudo)



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Filme: Cinemateca Portuguesa



  A Cinemateca Portuguesa preservou e disponibilizou digitalmente a meio do ano de 2011, o filme intitulado "Cintra e Seus Arredores", do ano de 1922.

  Era esse parte de uma colecção de documentários da produtora Caldevilla Film, intitulada "Termas de Portugal", também conhecida como "As Águas e os Ares".

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Casa da Gandarinha - Palácio Gandarinha (em frente à entrada sul do Parque da Liberdade em Sintra)


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra




    Percorrendo a estrada de São Pedro em direcção a Sintra, onde antes da curva onde se encontra a fonte projectada por Raúl Lino é observável o edifício acastelado do Monte Sereno elevando-se entre as árvores no cume de um monte da Serra, chega-se mais à frente, após curva e contra-curva, até à discreta entrada do Parque da Liberdade.

o Palácio Gandarinha elevando-se em frente a uma das entradas
do Parque da Liberdade, em Sintra

    Em frente dessa, um edifício em ruínas leva os aromas da fantasia até aos confins da nossa mente.

Subterrâneos de Sintra - Nova Colecção! (número 10)



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


nichos que se encontram na Serra de Sintra

Sintra, naqueles que a visitam ou simplesmente naqueles que com emotivas palavras dela ouvem falar, expande-se por si, no imaginário desses, preenchendo esse espaço da forma mais romântica e fantasiosa.
O Monte da Lua, como também é conhecida a Serra de Sintra, guarda em seu manto verde, na misteriosa neblina, e nos túneis e nichos, sentimentos que são avivados por aqueles que os vêem ou que por eles passam.

as grutas feitas por mão Humana,
que dão ênfase ao misticismo de Sintra

Essa fantasia, esse enlevado romantismo, cria consoante as crenças do que a vida é, pendores para que essas ganhem mais força dentro da vida de cada um, através das emoções que ao serem avivadas, desejam confirmar-se para que cada um viva mais seguro de si.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Lenda Tradição e História do Convento de Penha Longa - Da Revista Cyntra, número 1, de 1908


© Pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra


À direita, na distância, o Convento da Penha Longa

"Este convento que era de frades jerónimos foi fundado em 1355 por frei Vasco Martins, mandado concluir por D. João I e reedificado por D. João III. Teve origem em uma ermida de Nossa Senhora, cuja imagem, segundo a tradição, foi achada naquele sítio. Penha Longa parece derivar de Pera Longa ou Pedra Longa, devido à estranha configuração de uma pedra, semelhante a uma pera, que encima o grupo de penedos, junto ao qual foi fundado este convento.

domingo, 29 de maio de 2011

Lendas e Tradições do Solar (Quinta) de Ribafria - Revista "Cyntra", número 4, de 1908


© Pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


A torre dos Ribafria

"O Solar de Ribafria foi mandado edificar em 1541 por Gaspar Gonçalves, a quem D. Manuel I, por alvará de 16 de Setembro desse ano conferiu o senhorio de Riba-Fria, dando-lhe um brasão de armas, e permitindo-lhe usar esse apelido.

Além do seu valor histórico, o palácio de Riba-Fria é digno de nota pela sobriedade e correcção de linhas da sua arquitectura genuinamente manuelina, constituindo um dos mais belos exemplares da antiga arquitectura civil portuguesa.

Sobressai do seu todo uma torre quadrangular de pouco mais de trinta metros de altura, erguendo-se altiva no verdadeiro vale, junto ao rio de Lourel, na base da encosta que domina. Foi essa torre construída, segundo reza a lenda, para que o proprietário de Riba-Fria dali pudesse avistar Penha Verde, que a esse tempo lhe pertencia, como descendente do fundador D. João de Castro; querem porém outros que ele se destinasse apenas para se poder avistar o mar, o oceano imenso, a que se prendiam as nossas tradições guerreiras, os arredores sublimes de toda a glória cavalheiresca de uma época, cuja história é um poema. No ângulo do poente dessa torre, está o escudo de Riba-Fria esculpido em pedra. Merecem especial menção, o grande tanque em cujas águas tranquilas se espelha em toda a extensão o vetusto edifício, e uma magnífica cisterna, com uma vasta sala com a sua abóboda de cantaria apoiada em arcos e colunas de eterna solidez.

Os muros ameados da Quinta de Ribafria

É também tradição que foi nesse palácio, outrora sumptuoso, que o rei afortunado D. Manuel I, patrocinado por Gaspar Gonçalves, bastas vezes se deleitou em aventuras amorosas, com certa dama da sua predilecção. Ali se deram festas principescas, e bailes de grande esplendor, onde se reunia tudo que de mais nobre e distinto nessa época existia.
Chegou até nós esta lenda dos tesouros de Riba-Fria:
Um dos descendentes de D. João de Castro, escondeu na torre do palácio importantes tesouros que trouxera da Índia, e receando qualquer assalto nunca daí os tirara, devendo ter permanecido ocultos, em parte ignorada, ainda muito depois da sua morte.

Outra versão diz-nos:

A entrada para a Quinta de Ribafria
Que tendo falecido repentinamente um velho serviçal, conhecedor do local onde se ocultava o tesouro, dali o retirara, e para que não fosse descoberto esse furto, enterrara a maior parte dessas jóias, por diversas partes do arredor do palácio. Esta segunda versão veio avigorar-se ainda mais no espírito crédulo do povo, quando, pelos anos de 1875 a 1877, numa pedreira em exploração ali próximo, foi encontrado um bracelete de ouro maciço com 1600 gramas de peso, e que foi objecto de larga disputa entre o proprietário da pedreira e o dos terrenos contíguos, decidindo-se o pleito ao cabo de vinte anos.
Interiores
Faria esta jóia parte do tesouro de Riba Fria? É possível. O que é fora de dúvida é que no palácio ou na torre nada existia, tendo sido infrutíferas todas as buscas ali realizadas há mais de vinte anos, quando o palácio saiu da posse da casa do Conde de Penamacor, para um novo proprietário. No entanto, há ainda quem afirme que nessas buscas alguma pequena parte do tesouro foi encontrada pelos operários, na ausência do proprietário, que nunca dela teve conhecimento."


© O Caminheiro de Sintra

P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), a Quinta dos Ribafria em Sintra, Portugal:


Ver mapa maior

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Damião de Góis e os Tritões de Sintra - A Fantástica Descrição do Século XVI


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra (duas primeiras imagens); (restantes imagens e respectivamente) autores Flickr Grosvnor, Donnr MB, prebelo


Damião de Góis, Urbis Olisiponis Descriptio

 O fantástico sempre se encontrou presente no passado da história, algumas vezes escondendo-se nos mais inesperados sítios. No seu Urbis Olisiponis Descriptio, ou em português Descrição da Cidade de Lisboa, de 1554, Damião de Góis menciona algumas vezes a zona da Serra de Sintra e do Cabo da Roca.

 O mais admirável torna-se contudo, as suas palavras acerca de relatos de Tritões quer na costa Sintrense, quer na entrada Tejo acima, relatos dos tempos da Roma Antiga, bem como outros de Damião de Góis contemporâneos.

 Curioso é também aquilo que facto aparenta ser, de nunca ninguém ter relacionado de forma que seja, este relato com a Janela do Tritão no Palácio da Pena.

Descrição da Cidade de Lisboa, 1554
"Não me atrevo a estabelecer sem bases a origem do nome de Lisboa; talvez isso parecesse a muita gente um caso fabuloso - tão fabuloso como aquele facto que Varrão foi buscar a Justino, o qual escreve que "na Lusitânia, onde está a cidade de Lisboa, no monte Tagro, as éguas ficam prenhes só pelo vento".

Note-se que Plínio e Solino admitem igualmente este facto. Contudo, o mesmo Justino referindo-se a isto, assevera, com afinco, que tal opinião é errónea. "Na Lusitânia", diz ele, "conforme muitos autores narraram, junto ao rio Tejo, as éguas concebem por meio do vento. Mas estas lendas são originadas por causa da fecundidade das éguas e da grande quantidade das manadas; pois estas são em tão grande número na Galiza e na Lusitânia e correm tão velozes que não sem razão parecem concebidas pelo próprio vento."

Esta explicação de Justino realmente não me desagradaria, se os físicos não tivessem razões para provar que a Natureza costuma produzir e procriar muitas coisas sem as fêmeas terem contacto com machos. E assim, Dom Rodrigo, arcebispo de Toledo, admite, na sua História, com grande soma de argumentos, aquele passo de Varrão.

"...inesperadamente saltou para um rochedo um tritão macho, com a barba comprida, longos cabelos, peito crespo, rosto não muito disforme, e aspecto perfeitamente humano."

A Convenção de Sintra, Dalrymple e Junot - Contributo Para a Sua Clarificação


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Contribuição: Edgar Cavaco
Imagens: créditos designados nas legendas


  Com as invasões francesas no início do século XIX, e com todos os acontecimentos que lhe foram inerentes em território português (declaração de guerra à Grã-Bretanha, fuga da Família Real Portuguesa para o Brasil, religação Portugal/Grã-Bretanha, etc.), é assinado um armistício entre França e a Grã-Bretanha em 1808, para a partida dos franceses de solo português.

  A convenção onde foi ratificado o armistício ficou conhecida como "Convenção de Sintra", um nome que apenas devido à localidade de onde a carta informando o Governo Britânico do acordo consumado entre franceses e britânicos, havia sido remetida, e devido à já fama que Sintra possuía no seio britânico, levou a que se assumisse que o armistício tinha sido assinado em Sintra. Não impediu contudo tal facto, que tivessem surgido as hipóteses e certezas de que a "Convenção de Sintra" tinha sido assinada no Palácio de Seteais, ou no Palácio de Queluz.

  Num post do Secreto Palácio de Sintra onde aparece uma nota alusiva à "Convenção de Sintra", E. Cavaco do blog "As Invasões Francesas" teve a amabilidade de deixar o seu rico contributo na reposição da verdade da história, clarificando de forma rigorosa alguns dos contornos que envolveram a ratificação do armistício.

Blog "As Invasões Francesas" de E. Cavaco

Assim, ficam aqui os seus dois comentários como foram colocados, havendo no entanto notícia por parte do seu autor de que ao longo deste ano de 2011 irão ser publicados documentos relativos às Invasões Francesas em Portugal por ordem cronológica, sendo que  perto do Outono estarão disponibilizados os textos do armistício, da "Convenção de Sintra" (o texto provisório que foi rectificado, e o definitivo), e outros referentes ao mesmo assunto: diversas cartas do juiz de Lisboa e de alguns oficiais do exército português aos generais ingleses (destes últimos ao governo britânico), algumas notícias de jornais britânicos, entre outros. Em Dezembro de 2011 será ainda publicado o resultado do inquérito que foi feito em Inglaterra a este mesmo respeito.


1ª MISSIVA
[nota: dos links presentes no texto, os indicados pelo seu autor encontram-se precedidos por um asterisco]

José Alfredo da Costa Azevedo e a Loja Luz do Sol, ou a Maçonaria em Sintra - Parte V



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra


  Ao longo de quase sessenta anos a publicar artigos no Jornal de Sintra, José Alfredo da Costa Azevedo deixou-nos em quatro desses, um vislumbre daquilo que era falado acerca da loja maçónica em Sintra, intitulada "Luz do Sol".

  Há que ter em conta que os artigos demonstram apenas a perspectiva de quem se encontrava de fora e de quem nada tinha a ver com a maçonaria, bem como fica patente o tipo de zum-zum que na altura se ouvia entre bocas e ouvidos. Parece no entanto, que mais tarde José Alfredo da Costa Azevedo chegou mesmo a fazer parte da "Loja Luz do Sol".

  Para além disso, os quatro artigos ajudam grandemente também, no aprofundar de conhecimento sobre personagens sintrenses das quais muitos já terão ouvido falar, as quais estariam eventualmente também elas ligadas à maçonaria.

"Não tenho documentos onde apoiar-me para fazer este trabalho, a não ser os que vi, há mais de 55 anos, na posse de um amigo que faleceu em 1933 e no que me disse outro amigo, recentemente falecido, cujo pai era mação. Assim, socorrendo-me da memória, vou fazer o que me for possível.

Tive conhecimento, há muitos anos e por mero acaso, que tinha existido em Sintra uma loja maçónica, com o nome de Luz do Sol.


domingo, 26 de dezembro de 2010

Palácio Nacional da Pena - Parte III


© Pesquisa e transcrição: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: Adriana Sousa Duarte
Imagens: ver créditos fotográficos no final deste artigo



  Continuação da transcrição do documentário de Adriana Sousa Duarte sobre o Palácio Nacional da Pena, com a participação do ex-director do Palácio da Pena, José Martins Carneiro.

Parte III

Continuando pelo nosso percurso, vamos conhecer o interior deste palácio. Ao subirmos as escadas de dois lances em forma de “u” deparamo-nos com o claustro do convento dos frades jerónimos, de estilo Manuelino. Trata-se de um espaço lindíssimo, onde a arcaria e os feixes do abóbadado reflectem a solenidade de uma atmosfera tranquila. Tem dois pisos, com arcada de arcos plenos no primeiro, e abatidos no segundo. À volta destes, dispõem-se algumas das principais salas. Este ambiente é praticamente todo original, tendo sido guardados mesmo os azulejos policromáticos. Esta estética azulejar variada foi colocada e ajustada aos diversos espaços rectangulares disponíveis.

Palácio da Pena, Serra de Sintra

Essencialmente estão presentes azulejos hispano-árabes Maneiristas tipo xadrez, e tipo tapete, onde a policromia varia com a luminosidade, e até com o nevoeiro de cada dia. A ideia de colocar esta manta de retalhos de azulejaria foi do próprio rei, que foi buscar estes pequenos quadrados aos armazéns do estado, criados pelo Marquês de Pombal aquando do célebre terramoto de Lisboa.

Azulejos de Wenceslau Cifka

Somos convidados agora a entrar na copa principal, que dá acesso à casa de jantar privada da família real. O tecto desta sala é ainda do tempo dos frades jerónimos do século XVI. Passamos a seguir aos aposentos do rei D. Carlos I, assim como o seu atelier de pintura. De seguida, detemo-nos numa antiga cela dos monges, com a sacristia e o coro numa planta em “L”. Destaque para o vitral da janela central da nave, uma obra produzida em Nuremberga na Alemanha, em 1848, tratando-se de uma homenagem a Portugal e à sua expansão no Mundo. Aqui vemos o rei D. Manuel I que segura num Conventinho da Pena, mais além vê-se Vasco da Gama que regressa da Índia com os navios ao fundo, enquanto que em cima estão Santa Maria e São Jorge, e mais em cima podemos divisar a heráldica da casa de Saxe Coburgo Gotha e da casa de Portugal.

Retábulo de Nicolau de Chanterene

Na igreja destaca-se o retábulo de alabastro do mestre Nicolau de Chanterene, que trabalhou toda a vida em Portugal. Entre 1530 e 1532, esteve em Sintra a criar este retábulo. Esta obra transmite delicadeza, expressão, leveza, e transparência. Este painel na verdade, é uma novidade para a altura, na medida em que já não tem nada de manuelino e sim, é pura renascença.

Ponte Levadiça do Palácio da Pena

Situados no piso superior da galeria das antigas celas do Convento que foram remodeladas, estão os quartos da família real. O primeiro quarto, o Quarto das Damas de Companhia tem um notável trabalho de estuques. No tecto encontramos uma representação de troncos de árvores com pinhas à mistura. As paredes imitam madeira, dando à dependência uma área de distinção e sobriedade. Este admirável trabalho de estuques está bem patente também no segundo quarto, o Quarto do Veador com temas florais. Passemos agora ao quarto da rainha Dona Amélia, que inclui um exímio trabalho de decoração atribuido ao pintor-desenhador António Januário Correia, criando-nos a sensação de estarmos no interior de uma sala árabe.

Gárgula do Palácio da Pena

No seguimento do nosso périplo pelo interior do Palácio, passamos pelo Quarto de Vestir da Rainha, pela Sala de Estar da Família Real, e pelo Escritório da Rainha. D. Amélia foi a última Rainha de Portugal, esposa de D. Carlos I. Embora o Palácio não tenha sido construido em sua geração, ela foi a maior utilizadora e apreciadora deste castelo.

Janela Para o Pátio dos Arcos do Palácio da Pena

José Martins Carneiro: "A última figura real que habitou, vivou, o Palácio da Pena. E se nos exteriores nós temos de prestar toda a nossa vassalagem e toda a nossa homenagem a D. Fernando II, os interiores, as ambiências decorativas do interior devemo-lo sim ao gosto da última rainha de Portugal, Dona Amélia de Orlean e Bragança. Nitidamente."

Pátio dos Arco, Palácio da Pena

Narrador: Esta foi a razão porque tantos espaços foram atribuidos a ela.

Finalmente chegamos à Sala Árabe, uma das mais belas salas de todo o Palácio. Integralmente pintada Trompe-l'Oeil por Paolo Pizzi. Sendo uma sala de pequenas dimensões, as pinturas conferem-lhe profundidade e relevo, dando-lhe uma dimensão quase irreal. Faz parte das dependências privadas da Rainha, um terraço o qual pode ser acedido pela sala de estar privada, ou através de um átrio de passagem.

Parte da Ronda da Guarda, Palácio da Pena

Daqui se avista a parte fernandina do Palácio, e todo o movimento de volumes que dão à arquitectura exterior do monumento, uma dignidade e uma racionalidade inimaginável. Atenda-se que toda a construção do Palácio está assente sobre grandes rochedos, e consequentes grandes desnivelamentos do terreno, o que transforma numa maior magnitude a grandeza do bastião arquitectónico do romantismo.

Lendas do Palácio da Pena

É do terraço da rainha que nos apercebemos imediatamente da relação directa do interior com o exterior do Palácio, e deste, com o imenso manto verde que o envolve. Na Sala Indiana destacamos o gosto pelo rendilhado e pelo escultórico, de tal forma que não conseguimos encontrar o limite entre a escultura e as artes decorativas."


© O Caminheiro de Sintra

Créditos fotográficos:
1ª fotografia: autor Flickr J. A. Alcaide
2ª fotografia: autor Flickr Samuel Santos
3ª fotografia: autor Flickr Samuel Santos
4ª fotografia: autor Flickr Eric-P
5ª fotografia: autor Flickr Tony Moorey
6ª fotografia: autor Flickr Jürgen Stemper //
7ª fotografia: autor Flickr bartb_pt
8ª fotografia: autor Flickr Harshil.Shah
9ª fotografia: autor Flickr Pedro Moura Pinheiro
P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (balão "A" - para ver melhor poderá ampliar), o Palácio da Pena em Sintra, Portugal: