colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


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segunda-feira, 24 de março de 2025

terça-feira, 17 de abril de 2018

"Entre o Livro e o Manuscrito" - Palestras na Mostra do Livro na Biblioteca de Sintra

Biblioteca Municipal de Sintra, Casa Mantero
Imagem: Câmara Municipal de Sintra


    Na Sexta-feira e Sábado encerrarei as noites da Mostra do Livro na Biblioteca de Sintra, evento que decorrerá entre 20 e 22 de Abril, e que visa celebrar o Dia Mundial do Livro.

    Trarei aos presentes (levando-os até outros tempos) algumas histórias da História de Sintra que se encontram Entre o Livro e o Manuscrito, e que serão divididas pelos dois dias:


1) Entre o Livro e o Manuscrito:
      Silhuetas do Passado de Sintra

            Dia 20 de Abril, Sexta-feira, 21h30-23h00

    Do pergaminho ao papel, da pena à prensa, que pessoas e traços de carácter desvelamos nós naqueles que no passado por Sintra passaram? As suas histórias são guardadas na história, brilhando como tesouros ao serem recontadas.


2) Entre o Livro e o Manuscrito:
      Antigos Ambientes de Sintra
 
            Dia 21 de Abril, Sábado, 21h30-23h00

    Muitos dos espaços que hoje em Sintra visitamos possuem a capacidade de encantar os visitantes com a sua antiguidade. Mas quantos deles não foram mutilados? E quantos outros não tinham uma configuração completamente diferente? As histórias da história mostram-nos as surpresas através dos que lá conviveram.

Fragmento de iluminura do século XVI, de livro da
Biblioteca Nacional de Portugal

    Nos três dias da Mostra do Livro poderão também encontrar - a partir das 10h30 e até às 23h00 - uma pequena feira do livro e outras actividades que passarão pelo teatro (com a Casa das Cenas), música, workshop's (incluindo um dirigido a famílias com crianças de mais de 4 anos pela escritora Margarida Botelho), jogos, contos, e andando todos esses em redor do Livro. A programação poderá ser aqui consultada.

    Na Biblioteca Municipal de Sintra - Casa Mantero - com entrada livre. Mapa com percurso da estação de comboios de Sintra para a Biblioteca neste link.


ir para a página de Facebook O Caminheiro de Sintra

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Medicina, Superstição e Magia (numa Sintra Lendária) - palestra de entrada livre

palestra de entrada livre, apenas limitada
à lotação da sala


    No próximo Domingo (4 de Dezembro de 2016) estarei na Casa do Fauno para mais uma palestra! Desta vez será a Medicina, Superstição e Magia (numa Sintra Lendária).

    Se já não a/o vir há muito, espero que possa aparecer para se deixar novamente deslumbrar com a história lendária de Sintra!


♦♦♦ INFORMAÇÕES

Domingo, 4 de Dezembro de 2016, 17h00
Local: Casa do Fauno, Sintra (mapa)
Entrada livre (limitada à lotação da sala)


♦♦♦ SINOPSE
  
    Tendemos a pensar isoladamente em cada uma delas, e cada uma delas em seu tempo próprio. A verdade é que no passado nunca estiveram verdadeiramente separadas, embora se procurasse sempre forma de o fazer. E como as encontramos na história de Sintra? Entrelaçadas. Entrelaçadas funcionando a história lendária destes montes e vales para que melhor consiga mergulhar no passado da Medicina, Superstição e Magia.


Convite realizado pelo Atrium Rosacruz de Sintra.


Página de Evento de Facebook da palestra: https://www.facebook.com/events/1785684728352000/














quarta-feira, 25 de abril de 2012

Chronica Gothorum / Chronicon Lusitanum - excertos sobre Sintra em português

© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo d'O Caminheiro de Sintra
Recolecção do texto em latim: Marc Szwajcer
Tradução latim-português de excertos relacionados com Sintra: O Caminheiro de Sintra


túmulo de D. Afonso Henriques no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra,
neto de D. Afonso VI de Leão e Castela, Reconquistador de Sintra em 1093

    Por não se encontrar por estes dias com grande facilidade na internet a Chronica Gothorum ou Chronicon Lusitanum, é aqui apresentado o dito documento. Razão outra é a menção a Sintra em alguns de seus itens, que do documento aqui apresentado em latim foram esses aqui traduzidos para português.

    A Chronica Gothorum aparece com tal denominação pela primeira vez na terceira parta da obra Monarchia Lusitana, de Frei António Brandão, impressa em 1632. Na sua apresentação, Frei António Brandão refere que existem duas versões desta suposta crónica dos Godos, e que a apresentada por ele é a versão mais extensa, tendo essa sido antes possessão de André de Resende.
Chronica Gottorvm, Chronica Gothorum,
Chronicon Lusitanum, Chronica Lusitana
    O seu autor é desconhecido, assim como a data em que foi feita. Poder-se-ia inferir como sendo dos tempos de D. Afonso Henriques, visto que o relato dessa vem desde 328 d.C. com a entrada dos Godos na Península Ibérica, até ao ano de 1186 da nossa Era. Ou poder-se-ia inferir que por se apresentar com a datação da Era Hispânica ou Era de César, seria anterior a 1422, data da alteração do calendário no reino de Portugal, da Era de César para a Era de Cristo. Contudo, estas inferências encontram-se longe da objectivação da razão na realidade.

    Pouco tempo antes de 1764, a Chronica Gothorum conhece nova impressão, desta feita através de Frei e Padre Henrique Flórez de Setién y Huidobro, no décimo quarto volume da sua obra España Sagrada. É nesta edição que a denominação é mudada de "Chronica Gothorum" para "Chronicon Lusitanum" (mais tarde passando a Chronica Lusitana), decisão justificada pelo próprio, escrevendo que essa pouco tinha que ver com o reino dos Godos, senão que com o reino dos Portugueses.
Enrique Flórez de Setién y Huidobro, autor de España Sagrada
contendo a Chronicon Lusitanum ou a Chronica Gothorum
    O que abaixo se apresenta é o documento em latim, com a datação da Era Hispânica ou da Era de César, e nos três anos em que Sintra é mencionada a tradução em português encontra-se no item cronológico seguinte, começando por pontilhado, com a datação da Era de Cristo, e texto em itálico.


Æra 349. Egressi sunt Gothi de terra sua.

Æra 366. Ingresi sunt Hispaniam, & regnaverunt ibi annis 387. De terra autem sua perveniunt ad Hispaniam per 17. annos.

sábado, 24 de março de 2012

Filmografia de Sintra: de 1961 a 2012




© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra


   Na continuação do artigo anterior, que teve como base a compilação de Luís de Pina e de José de Matos-Cruz (somente até ao ano de 1984, e faltando algumas entradas, como involuntariamente aqui outras faltarão), apresenta-se a catalogação da filmografia de Sintra de 1961 até 2012, onde em outros artigos da colecção Sintra, Imagem em Movimento se podem observar trechos dos filmes em que Sintra se apresenta como pano de fundo, quer envolvendo com o seu manto de natural nobreza os filmes, quer o mesmo envolvendo a fantasia de quem Serra e Planície ame.

   A destacar na presente lista, o aparecimento das produções televisivas bem como das curtas-metragens, que apesar das devidas inerentes limitações, ajudam a guardar a imagem em movimento de Sintra.


1961
Lisboa (João Mendes, Felipe de Solms)

1962
Down to Lisbon by Sea (Jack Archibald, Burnham Film Productions)
Realidades Portuguesas nº1 (Miguel Spiguel)
Sintra (Serviços Cartográficos do Exército)
Os Sorrisos do Destino (Pierre Kast, António da Cunha Telles, Jad Films)

1963
Realidades Portuguesas (Miguel Spiguel)

1964
Filmcraft (Alan Hyman)
O Triângulo Circular (Pierre Kast, Eichberg-Film)

1966
Comando de Asesinos (Julio Coll, Hispamer)
Dança dos Diamantes / A Man Could Get Killed (Ronald Neame, Cliff Owen, Cherokee Productions, Universal Pictures) [título inserido no artigo Sintra no Cinema - I, com trailer disponível]
Dança dos Diamantes
(A Man Could Get Killed, 1966)

1967
Sala das Mangas (Ian Grant)
Sete Balas Para Selma (António de Macedo, Imperial Filmes)

1968
Frutas e Vinhos (J.N. Pascal-Angot, International Audio-Vision)

1969
Almada Negreiros Vivo (António de Macedo, Francisco de Castro)
S.O.S. Invasión (Silvio F. Balbuena, IMT Films)

1970
Las Cinco Advertencias de Satanás (José Luís Merino, Hispamer)

1972
Lisboa, Jardim da Europa (António de Macedo, Francisco de Castro)
La Maldición de Frankenstein (Jess Franco)
Drácula Contra Frankenstein (Jess Franco)
La Fille de Dracula (Jess Franco)

1973
A Virgin Among the Living Dead / Christina, Princesse de l'Érotisme (Jess Franco)

1976
Alguns Aspectos da Organização do Trabalho em Agricultura (Alice Gabriela Gamito, Cinemec, Zweite Filmproduktions, Ascot Film)
O Dia da Força Aérea (Centro de Audio-Visuais da Força Aérea)
Festival de Sintra (Centro de Audio-Visuais da Força Aérea)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Filmografia de Sintra: de 1897 a 1960




© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra


    Da longa Filmografia de Sintra, encontra-se um valoroso auxílio na compilação de Luís de Pina e de José de Matos-Cruz - a qual é base do presente artigo - onde atinge essa o seu limite em 1984, e na qual faltam algumas obras da sétima arte rodadas em Sintra. Usando essa compilação, acrescentando os filmes que lhe faltavam, ficará certamente também a que aqui se apresenta, com as suas lacunas, desconhecidas por enquanto, desconhecidas por aquilo que na pesquisa realizada ao longo de vários meses não se encontrou.

   Espera-se que a um dia se chegue, no qual a toda a filmografia de Sintra se possa ter facilidade de visualização, apesar da grande ajuda já disponível através dos vários meios de hoje em dia, aos quais qualquer pessoa de qualquer condição pode ter acesso, e também através dos quais é possível apresentar alguns excertos dessa filmografia na colecção Sintra, Imagem em Movimento, d'O Secreto Palácio de Sintra.

    Aqui fica pois, a primeira parte (de duas) da catalogação de 2012 da Filmografia de Sintra, abrangendo esta os anos de 1897 a 1960.


1897
O Comboio de Recreio e Sintra (Empresa Germano Alves, Brasil)

1908
Artilharia Portuguesa (João Freire Correia, Portugália Film)

1910
Sintra (João Freire Correia, Portugália Film)

1911
Excursão dos Congressistas de Turismo a Sintra e Cascais (Lusa Film)
Grupo de Baterias a Cavalo de Queluz em 1911 (Lusa Film)

1917
Escola de Oficiais Milicianos em Queluz (Serviços Cinematográficos do Exército)

1918
Mal de Espanha (Leitão de Barros, Lusitânia Film)
Malmequer (Leitão de Barros, Lusitânia Film)
Portugal (Gaumont)

Nua, em perspectiva da Gruta dos Banhos no Palácio da Vila,
em 1928
1920
Sintra (Pathé Films)

1922
O Destino (Georges Pallu, Invicta Film) [título inserido no artigo Sintra no Cinema - III]
Sintra e Seus Arredores (Caldevilla Film) [artigo e filme disponíveis para consulta]

1923
Excursion a Sintra (Gaumont)

1924
Aspectos Coloridos de Sintra (Castello Lopes)
Sintra (Gaumont)
Sintra e Seus Encantos (Artur Costa de Macedo)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Lenda Tradição e História do Convento de Penha Longa - Da Revista Cyntra, número 1, de 1908


© Pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra


À direita, na distância, o Convento da Penha Longa

"Este convento que era de frades jerónimos foi fundado em 1355 por frei Vasco Martins, mandado concluir por D. João I e reedificado por D. João III. Teve origem em uma ermida de Nossa Senhora, cuja imagem, segundo a tradição, foi achada naquele sítio. Penha Longa parece derivar de Pera Longa ou Pedra Longa, devido à estranha configuração de uma pedra, semelhante a uma pera, que encima o grupo de penedos, junto ao qual foi fundado este convento.

domingo, 29 de maio de 2011

Lendas e Tradições do Solar (Quinta) de Ribafria - Revista "Cyntra", número 4, de 1908


© Pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


A torre dos Ribafria

"O Solar de Ribafria foi mandado edificar em 1541 por Gaspar Gonçalves, a quem D. Manuel I, por alvará de 16 de Setembro desse ano conferiu o senhorio de Riba-Fria, dando-lhe um brasão de armas, e permitindo-lhe usar esse apelido.

Além do seu valor histórico, o palácio de Riba-Fria é digno de nota pela sobriedade e correcção de linhas da sua arquitectura genuinamente manuelina, constituindo um dos mais belos exemplares da antiga arquitectura civil portuguesa.

Sobressai do seu todo uma torre quadrangular de pouco mais de trinta metros de altura, erguendo-se altiva no verdadeiro vale, junto ao rio de Lourel, na base da encosta que domina. Foi essa torre construída, segundo reza a lenda, para que o proprietário de Riba-Fria dali pudesse avistar Penha Verde, que a esse tempo lhe pertencia, como descendente do fundador D. João de Castro; querem porém outros que ele se destinasse apenas para se poder avistar o mar, o oceano imenso, a que se prendiam as nossas tradições guerreiras, os arredores sublimes de toda a glória cavalheiresca de uma época, cuja história é um poema. No ângulo do poente dessa torre, está o escudo de Riba-Fria esculpido em pedra. Merecem especial menção, o grande tanque em cujas águas tranquilas se espelha em toda a extensão o vetusto edifício, e uma magnífica cisterna, com uma vasta sala com a sua abóboda de cantaria apoiada em arcos e colunas de eterna solidez.

Os muros ameados da Quinta de Ribafria

É também tradição que foi nesse palácio, outrora sumptuoso, que o rei afortunado D. Manuel I, patrocinado por Gaspar Gonçalves, bastas vezes se deleitou em aventuras amorosas, com certa dama da sua predilecção. Ali se deram festas principescas, e bailes de grande esplendor, onde se reunia tudo que de mais nobre e distinto nessa época existia.
Chegou até nós esta lenda dos tesouros de Riba-Fria:
Um dos descendentes de D. João de Castro, escondeu na torre do palácio importantes tesouros que trouxera da Índia, e receando qualquer assalto nunca daí os tirara, devendo ter permanecido ocultos, em parte ignorada, ainda muito depois da sua morte.

Outra versão diz-nos:

A entrada para a Quinta de Ribafria
Que tendo falecido repentinamente um velho serviçal, conhecedor do local onde se ocultava o tesouro, dali o retirara, e para que não fosse descoberto esse furto, enterrara a maior parte dessas jóias, por diversas partes do arredor do palácio. Esta segunda versão veio avigorar-se ainda mais no espírito crédulo do povo, quando, pelos anos de 1875 a 1877, numa pedreira em exploração ali próximo, foi encontrado um bracelete de ouro maciço com 1600 gramas de peso, e que foi objecto de larga disputa entre o proprietário da pedreira e o dos terrenos contíguos, decidindo-se o pleito ao cabo de vinte anos.
Interiores
Faria esta jóia parte do tesouro de Riba Fria? É possível. O que é fora de dúvida é que no palácio ou na torre nada existia, tendo sido infrutíferas todas as buscas ali realizadas há mais de vinte anos, quando o palácio saiu da posse da casa do Conde de Penamacor, para um novo proprietário. No entanto, há ainda quem afirme que nessas buscas alguma pequena parte do tesouro foi encontrada pelos operários, na ausência do proprietário, que nunca dela teve conhecimento."


© O Caminheiro de Sintra

P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), a Quinta dos Ribafria em Sintra, Portugal:


Ver mapa maior

domingo, 26 de dezembro de 2010

Lendas de Sintra


  Abril de 2010, foi quando o Secreto Palácio de Sintra do nada se ergueu.

  Desde esse momento e nos seis meses que se lhe seguiram, foram publicados mais de 40 artigos sobre Lendas de Sintra, Mistérios e História, mais de 40 vídeos com a assinatura das Lendas do Secreto Palácio de Sintra foram colocados online, e ao longo desses primeiros seis meses este espaço recebeu mais de 40 mil visitas - as quais agradeço, tal como de igual modo também a si que agora lê estas palavras lhe fico grato.

 Do que aqui foi feito, os leitores puderam observar só o resultado final das investigações, o culminar objectivo de um percurso muitas vezes abstracto e errante, muitas memórias ficando no entanto por contar.

  Por este espaço ter uma linha editorial muito precisa, eu, o Caminheiro de Sintra, tentei sempre - com o fim de os leitores terem o melhor produto final possível - ser o mais objectivo, o mais impessoal, e o mais imparcial possível, sempre sentindo, que os leitores muito mais gostariam de saber.

  Até mesmo o espaço Contos de Sintra com conteúdo exclusivo da minha autoria, foi criado à parte das Lendas do Secreto Palácio de Sintra, de modo a terem ambos os seus objectivos e a sua individualidade própria.

  Por isso mesmo decidi criar um outro espaço que ao Secreto Palácio de Sintra será paralelo - continuando este com a sua linha editorial concisa, para que os leitores o possam aproveitar da melhor maneira - e que será onde muito do que fica por dizer, será por fim escrito, para que quem de fora está se possa inteirar de forma mais profunda, dos meandros que giram à volta de, e dentro de Sintra.

  O nome escolhido foi Lendas de Sintra, pois que como por quase todos é assumido, as lendas contêm sempre um fundo de verdade. Creio porém que para além das alusões e informações que vejo como necessário de serem divulgadas para que os leitores possam ter cada vez mais cor no quadro de Sintra que dentro de sua mente cada um para si pinta, decerto que as anotações e memórias que contarei, na sua realidade tornarão banal a mais prodigiosa fantasia.

  Ou talvez não. É tudo uma questão de se ser ou não surpreendido, e para isso o peso que a vida vivida tem, é juíz que sentença dita. Espero no entanto, nas lendas ou na realidade, ou na realidade que lenda aparente ser, contribuir para um maior espicaçar de curiosidade acerca de Sintra, tal como contribuir para o tempo dispendido pelos leitores que as minhas palavras continuarem a ler.


© O Caminheiro de Sintra


Lendas de Sintra em: http://lendas-de-sintra.blogspot.com

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

D. Carlota Joaquina e a Quinta do Ramalhão - A Lenda do Agente Secreto de D. Carlota Joaquina



© Pesquisa, e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra



Na Quinta do Ramalhão

 Luís Garcia de Bívar, criou a Quinta do Ramalhão partindo apenas de um velho casal agrícola que no local já existia em 1470, criando também o Aqueduto do Ramalhão - isto em 1744.

 Em 1768 foi criado o Palácio do Ramalhão, através de D. Maria da Encarnação Correia, ao que logo a seguir se deu a breve estadia de William Thomas Beckford em 1787.

O Arco do Ramalhão
 D. Carlota Joaquina de Bourbon esteve por diversas vezes após 1802 no Palácio do Ramalhão, tendo mesmo aí chegado a viver após recusar jurar a Constituição Portuguesa de 1822.

 De um autor de nome César da Silva, chega-nos a Lenda do Ramalhão, ou a Lenda do Agente Secreto de D. Carlota Joaquina:

"Do outro lado da fronteira tinha ela seu irmão em condições quase idênticas às suas. Cativo se encontrava ele também, por assim dizer, em Cádiz, onde os constitucionais vitoriosos, para segurança própria, o vigiava cautelosamente. E aí, nesse cativeiro, amargava Fernando VII as violências que fizera praticar quando tomara conta do ceptro castelhano.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

A História do Paço Real de Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: O Caminheiro de Sintra




 A história do Paço Real de Sintra (também conhecido como “Palácio Nacional de Sintra”, e “Palácio da Vila”) remonta aos tempos da ocupação islâmica, dizendo-se que à altura Sintra teria dois castelos.

 Um deles, era - e é - localizado no topo de uma colina com vista para norte, e é actualmente denominado de “Castelo de Mouros”.

 O outro, localizado no declive dessa mesma colina, supostamente terá sido a residência dos governantes mouros da região, tendo tempos depois da Reconquista, sido denominado de Paço Real de Sintra.

 Essa - estranha de se ler nos dias de hoje - primeira referência histórica, surgiu no século X pelo geógrafo árabe Al-Bakr. Depois, no século XII, quando Sintra foi tomada em paz por D. Afonso Henriques, a residência dos governantes árabes passou a ser um edifício importante na conjectura do reino português, tendo inclusive alguns autores assumido que tinha sido essa uma das casas que D. Afonso Henriques havia doado a Gualdim Pais, Grão-Mestre da Ordem dos Templários em Portugal.

 Da forma mourisca do Paço Real de Sintra, dos primeiros tempos de ocupação cristã, diz-se nada se ter mantido até aos dias de hoje, sendo talvez a parte mais antiga, a Capela Real, possivelmente construída durante o reinado de D. Dinis no início do século XIII.

 As grandes campanhas de renovação do Paço Real de Sintra, começaram talvez com D. João I, por volta do século XIV, nos edifícios à volta do pátio central (recorde-se que a antiga configuração do Paço Real de Sintra tinha ao longo do perímetro do largo que fica à frente da actual escadaria, altos muros fazendo lembrar um castelo) onde as suas maiores alterações datam desta campanha, que incluiu o edifício principal com as arcadas, bem como as chaminés cónicas. Do interior, e datando ainda desta modificação, uma série de salas foram fundadas, como por exemplo a Sala das Pegas (na qual se basei uma das lendas do Paço Real de Sintra, ou Palácio Nacional de Sintra).

 Seguiram-se depois outros projectos de renovação, um ainda no mesmo século XV, e outro no século XVI. Desses projectos ordenados pelo rei D. Manuel I e pelo rei D. João III, entre 1497 e 1530, e à medida que o reino ia assistindo ao desenvolvimento de um estilo de transição da arte Gótico-Renascentista denominado “Manuelino”, inspirado nos feitos dos portugueses nos Descobrimentos, bem como uma espécie de renascimento artístico de influência islâmica chamado de Mudéjar, o Paço Real de Sintra ganhou em certas partes os tons policromáticos dos azulejos de traçado islâmico, bem como a Ala Manuelina (no extremo direito, estando de frente para as arcadas e possuindo decoradas janelas em pedra) e a Ala Joanina. Surgiu também durante estas modificações, a Sala dos Brasões.

 Nessas primeiras renovações pela parte de D. Manuel, o arquitecto responsável foi Diogo Boytac (também conhecido como "Diogo de Boitaca"), crendo-se que tenha sido este um dos primeiros maçons em Portugal. Apesar deste facto, algumas assinaturas maçónicas que constam desse edifício bem como de outros em Sintra, tudo leva a crer que fizeram parte das obras de reparação realizadas após o terramoto de 1755. Na ocorrência do mesmo, a maior perda foi a torre sobre a Sala Árabe, que desabou.

 A configuração actual, sem muralha em redor da praça sita em frente à escadaria das arcadas, ficou consumada no início do século XX, quando também após a implantação da República, o Paço Real de Sintra foi considerado Monumento Nacional.


 Outros factos de nota relacionados com o Paço Real de Sintra:

- Na Sala dos Brasões, após a conspiração contra o rei D. José I, o brasão da família Távora foi removido [As armas dos Tavoras foram, em resultado da sabida sentença, apagadas, e mal se enxergam... in O Paço de Cintra, Conde de Sabugosa, p.193.].
- D. Duarte I, filho de D. João I, gostava muito do Paço Real de Sintra e durante muito tempo aí permaneceu. Acabou por deixar uma descrição bastante importante, frisando que a maior parte do edifício não mudou muito desde as renovações realizadas por seu pai, D. João I.
- O sucessor de D. Duarte I, o rei D. Afonso V, nasceu (em 1432) e faleceu (em 1481), no Paço Real de Sintra. Por sua vez, o seu sucessor, D. João II, foi aclamado rei de Portugal no mesmo edifício.
- Diz-se também que o rei D. Sebastião ouviu no Paço Real de Sintra, Luís Vaz de Camões a recitar “Os Lusíadas”, antes da partida do primeiro para Alcácer-Quibir.
- D. Afonso VI, que foi deposto por seu irmão D. Pedro II, por ser declarado mentalmente instável foi forçado a lá viver sem de lá sair, de 1674 até ter lá falecido no ano de 1683.


© O Caminheiro de Sintra


P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), o Paço Real de Sintra, Portugal:


Ver mapa maior

O Foral de Sintra por D. Afonso Henriques - Sintra, 1154

© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra
Tradução: Francisco Costa in O Foral de Sintra (edição de 1976) com adaptações por parte do Caminheiro de Sintra


  Em 1154, D. Afonso Henriques através do Foral de Sintra doou trinta propriedades nos arredores de Lisboa, a moradores do Castelo de Sintra - que à altura muito provavelmente teria uma configuração diferente, muito mais ampla e talvez até abrangendo o Paço Real de Sintra - para que esses pudessem ter mais prosperidade e fazer crescer Sintra desse modo.

  O Foral de Sintra engloba as principais leis que se deveriam fazer cumprir, dando ao mesmo tempo a liberdade necessária para que cristãos, mouros, e moçárabes, pudessem conviver num clima de paz, fazendo crescer Sintra.

  Abaixo, inicialmente o Foral de Sintra no seu original em latim medieval, sendo seguido da tradução para português:

terça-feira, 6 de julho de 2010

Versão Comum da Lenda do Palácio Nacional de Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: autores Flickr (respectivamente) dB e n c h e c idot Whisker


O Palácio Nacional de Sintra, também conhecido
como Palácio da Vila

  Após duas versões menos correntes já colocadas aqui n'O Secreto Palácio de Sintra da Lenda do Palácio Nacional de Sintra, bem como da versão de Almeida Garrett chegou a vez de expor a versão mais comum desta lenda, e que se encontra com imensa facilidade na internet.

  Apenas difere das outras por ter mais detalhe - embora não muito - e por ao contrário das duas outras versões, se focar na não inocência do beijo de D. João I, ao mesmo tempo que transmite um sentimento de frieza no relacionamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre.

  Fala também de uma lenda de um dos jardins do Palácio Nacional de Sintra, também essa de contornos amorosos.

  Acaba por ser um texto mais do que nos relacionamentos Humanos, extremamente focado no Eros, e revelando falta de acuidade, notório no "Pour Bien" ao invés do "Por Bem", inscrito na mensagem das Pegas:

domingo, 20 de junho de 2010

Almeida Garrett e Sintra: a Sala das Pegas do Palácio Nacional de Sintra ou Palácio da Vila


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Excerto transcrito: O Romanceiro, de Almeida Garrett
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra; autor Flickr dot Whisker


Almeida Garret, um dos autores que falou
sobre a Sala das Pegas no Palácio Nacional de Sintra

Almeida Garrett, no seu primeiro volume do Romanceiro, de 1843, na última parte do mesmo, apresenta sob forma de nota o seguinte texto para o seu redactor, em alusão à Lenda do Palácio da Vila, de Sintra:


AS PEGAS DE SINTRA

Dou aqui lugar a esta composição que, moderna como é, e minha, toda é feita de coisa populares e antigas. A anedota devera ter sido celebrada pelos menestréis do tempo: não o foi, e eu procurei suprir o seu descuido. Não aparece pois em meu nome, senão no deles, embora de longe os rastreie. Quando a primeira vez saiu de minha carteira a presente balada foi para se imprimir na Ilustração31 , jornal que se publicava em Lisboa em 1845-46. Reimprimir com ela aqui também a carta que então escrevi ao redactor daquele jornal, porque deveras contém a história de sua composição. Eis aqui a carta:

A Lenda de Xentra, Cynthia, Suntria, ou da Etimologia de Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: membro Youtube drplim




  Embora seja fácil encontrar várias hipóteses para a etimologia de "Sintra", é difícil, senão quase impossível, traçar a sua origem até ao início do povoado.

 As contribuições para essa dificuldade são imensas, desde o facto de vários povos terem passado pela Serra de Sintra, bem como o quão fácil é, ter a lucidez toldada pela emotiva fantasia que a Serra aviva na mente de quem a conhece.

 Desde os primórdios da Humanidade, em especial desde o Neolítico há dez mil anos atrás (8000 a.C.), passando pela Idade do Bronze (3000 a.C.), Idade do Cobre (2500 a.C.), permeadas estas duas últimas pela era Megalítica e com seus traços na Serra de Sintra (Anta de Adrenunes, Tholos do Monge, por exemplo), Idade do Ferro (1200 a.C.), passando muito provavelmente e entre outros, pelos Celtas, Lusitanos, Romanos, Visigodos, Mouros, e por fim e até hoje, os Portugueses.

 Pelo meio de todos esses povos, passaram várias denominações, decerto cada uma tentando adaptar a denominação do povo anterior, à cultura do que então dominava a Serra de Sintra.

 "Ofiússa", um dos nomes que corre por algumas conversas, era não da região de Sintra, mas da parte costeira da Península Ibérica. De étimo grego e significando "terra de serpentes", encontra-se a sua utilização na Ora Maritima de Rufus Avienus Festus: "Ophiussam ad usque. rursum ab huius litore, internum ad aequor, qua mare insinuare se..." (nota: étimos gregos e étimos latinos, eram facilmente adaptados por uma língua na outra).

 Sem fontes convincentes, diz-se que os Celtas davam o nome de "Cynthia" à Serra de Sintra, em devoção à lua. Ainda assim, pode-se confirmar apenas o intento da devoção à lua, visto que os romanos denominavam a Serra de Sintra de "Mons Lunae", "Monte da Lua".

 De acordo com alguns autores, também vários escritores clássicos, gregos e latinos mencionavam a Serra de Sintra como "Mons Sacer", ou "Monte Sagrado", chegando a dizer (Sílvio Itálico) no texto "Púnicas", que o vento de Sintra era tão fértil que emprenhava as éguas, que desse modo davam à luz pequenos e velozes cavalos.

 Dos Celtas e dos Lusitanos, "Cynthia" perdurou, mesmo passando pelo "Mons Lunae" do domínio romano que acabou por entrar em declínio, tendo passado - supostamente - "Cynthia" por esses, e chegado até aos Mouros, que segundo alguns, a chamaram de Zintira, Chinra, Xintra, até chegar a Xentra. Embora isso, e apenas segundo alguns autores, um geógrafo árabe de nome Edrisi, referia "Sintra" nos seus escritos como "Xentra", ou "Sentra" - porém, isso já foi no Séc. XII, o qual teve mais de metade desse com a ocupação de Sintra por parte dos Portugueses, o que equivale a dizer que estes poderiam ter ignorado perfeitamente a denominação que os Mouros usavam.

 Existe ainda quem refira - tal como se encontra na Wikipédia - que a "mais antiga forma medieval conhecida "Suntria" apontará para o Indo-Europeu “astro luminoso” ou “sol”". A questão ganha estranhos contornos, visto que a origem dos étimos de "sol" nos ramos Indo-Europeus, quer bretões, eslavos, romances, afastam de "Suntria" qualquer aproximação a "sol", a não ser o Gótico "Sunno", já depois de várias alterações nos ramos ascendentes.

 Ainda assim, existem provas de cultos mantidos ao longo dos séculos em honra ao sol, como é notório no Da Fábrica que falece ha Cidade de Lysboa de Francisco de Holanda, de 1571, que numa gravura sua mostra um templo de pedras erguidas formando um círculo, com a seguinte descrição:

SOLI.AETERNO / CHRISTO.IESV. / ET. / GLORIASE. VIR/GINI.
MARIAE. / VLISIPPO. / DEDICATIVT.

 Note-se que o que na inscrição se enfatiza, é Jesus Cristo e a Virgem Maria (em glória eterna como o sol), e sendo homenageados por Lisboa (nota: a pedra contendo esta inscrição, encontra-se hoje em dia no Museu de Odrinhas). Para além disso, o misto de Paganismo com Cristianismo não é heterogéneo, por isso deverá mesmo ser visto como um monumento de homenagem.

 Depois da duvidosa Xentra, existe ainda quem diga que "Sintra" advirá de "sin" que para os babilónios significaria montanha ou monte, e "tra" teria sido juntado ao "sin" pelos Lusitanos, representando três faces de Deusa: lua no céu, Diana na terra, e Hécate no inferno - não se percebendo contudo, como é que o "tra", conteria em si, essas três faces de Deusa.

 Voltando a "Suntria" - e já muito perto do fim da etimologia de "Sintra" - a mesma poderá ter sido corrompida, visto que na História de Portugal volume 1, de Alexandre Herculano, se pode encontrar a seguinte nota, tirada da Crónica dos Godos:

 "Mense Julio capta fuit Sintria a comite D. Henrico. Audientes enim sarracem mortem regis D.
Alfonsi coeperunt rebellare», «Chronica Gothorum», era 1147."

 E eis aqui, que é utilizada "Sintria", em 1147, aquando da reconquista de Sintra aos Mouros.

 Certo é que a referida crónica foi escrita em Latim, mas do "Sintria" a "Sintra", foi um pequeno passo, passando ainda pela corrupção de "Cintra", pelas mudanças de ortografia - e com as suas tentativas de adequação às épocas em que a mesma sofria alterações - ao longo dos séculos.

 Xentra, Cynthia, Suntria, Sintria, Sintra...independentemente da nominação, sempre carregando o mesmo sentimento ao longo dos séculos, para os olhos e o coração de quem a vê, em casa se sentir.


© O Caminheiro de Sintra

Camilo Castelo Branco e Sintra: a dissertação sobre a Lenda de Seteais para Lady Jackson


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagem: Imageshack



Sobre a Lenda de Seteais de Sintra, já aqui esplanada n'O Secreto Palácio de Sintra, Camilo Castelo Branco faz uma pequena dissertação para Lady Jackson (Catherine Hannah Charlotte Elliott Jackson) para a elaboração do livro dessa, Fair Lusitania, onde é notória a aspereza crítica do escritor português, enlevada pelas emoções que a marca negativa do povo português imprimia no autor.

Existe ainda - depois da referida dissertação - uma pequena nota em forma de adenda, aludindo ainda a outra hipótese para a origem dos sete ais.

Já tínhamos que fortes noções referidas e impressas a respeito de Seteais, umas de gente boçal, outras de pseudo antiquários, não obstante a escritora deu-nos a novidade dos sete clamorosos ais ou hourraha em 1808 [nota: infelizmente não foi possível discernir a que escritora o autor se refere, no entanto, a data de 1808 é a mesma da Convenção de Sintra, mencionada na adenda que se segue a esta dissertação].

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Origem das Queijadas de Sintra - in "Velharias de Sintra" de José Azevedo (1980)

"Já se encontram referências às Queijadas de Sintra, como fazendo parte de pagamento de foros, no ano de 1227 (Século XIII), quando reinava D. Sancho II, o Capelo (podem-se consultar documentos arquivados na Torre do Tombo que o atestam).

Quanto ao local de origem das queijadas parece ter sido o lugar de Ranholas, freguesia de S. Pedro de Penaferrim, do concelho de Sintra. Em 11 de Maio de 1935, na extinta Assembleia de Sintra, que funcionou na Casa Valmor, na Vila Velha, proferiu uma conferência subordinada ao tema «Manteiga de Sintra», o regente agrícola, publicista e investigador Tude Martins de Sousa, e nela pode ler-se o seguinte:

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Lenda do Palácio Nacional de Sintra ou Lenda do Palácio da Vila


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: (respectivamente) autor Flickr soyignatius; autor Flickr Whisker



O Palácio Nacional de Sintra, comummente
conhecido como Palácio da Vila

  A Lenda do Palácio Nacional de Sintra - ou como é mais comummente conhecido, "Palácio da Vila” - é uma lenda que se foca na Sala das Pegas, sala de jantar existente no dito palácio, tendo há vários séculos atrás, sido uma sala de audiências.

  Talvez por que a sala de jantar fosse um local pelo qual muitas pessoas passassem e pudessem com tempo a sala observar e sobre o que observavam reflectir, foram aí pintadas uma série de Pegas, contendo no bico uma faixa onde se lia “Por Bem”.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Palácio de Seteais - do séc. XVIII ao séc. XXI - Parte IV


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: Câmara Municipal de Sintra
Imagens: autor Flickr Ivo Gomes




  O Palácio de Seteais foi construído entre 1783 e 1787 para o cônsul holandês Daniel Gildemeester, em terras concedidas – não se sabe por que razão - por Sebastião Carvalho e Melo (o Marquês de Pombal) ao primeiro, no lugar que à altura tinha por nome Campo do Alardo.

  Daniel Gildemeester escolheu a beira de uma elevação para construir o dito palácio, local de onde a vasta paisagem ao redor da Serra de Sintra podia ser admirada. O palácio foi então construido, sendo rodeado por um amplo jardim com árvores de fruto.

  Em 1797, alguns anos após a morte do cônsul, a viúva Gildemeester vendeu o Palácio de Seteais a Diogo José Vito de Menezes Noronha Coutinho, V Marquês de Marialva.

  A estrutura foi então ampliada entre 1801 e 1802, provavelmente pelo arquitecto neoclássico José da Costa e Silva, autor do Teatro de São Carlos, em Lisboa. O Palácio de Seteais foi transformado num edifício simétrico em forma de “u”, com a casa do cônsul a tornar-se após a remodelação, numa das asas do “u”.  Serviu a dita ampliação para que o V Marquês de Marialva tivesse os aposentos para a sua família.

O Palácio de Seteais com o seu
antigo fronteiro campo Centeais

  A cornija dos edifícios que compõem a fachada principal do Palácio de Seteais foi então decorada com motivos típicos do neoclassicismo, como vasos, bustos e relevos de guirlandas. Os jardins do Palácio de Seteais foram também remodelados, esses porém seguindo as tendências românticas.

  A nova e a antiga asas foram ligadas em 1802 por um arco de estilo neoclássico, construído em homenagem ao Príncipe Regente D. João VI e à Princesa Carlota Joaquina, que haviam visitado o Palácio de Seteais naquele ano de 1802. O arco triunfal foi decorado com as efígies de bronze do par real e uma comemorativa inscrição em latim, sendo toda esta obra do arco do triunfo do Palácio de Seteais, atribuída ao arquitecto Francisco Leal Garcia.

  As paredes de várias salas interiores do Palácio de Seteais foram decoradas com frescos atribuídos ao pintor francês Jean Pillement e a seus discípulos. Os motivos aí presentes incluem vegetação exótica e criaturas mitológicas, produto típico do neoclassicismo.

  Na parte detrás do Palácio de Seteais, socalcos formavam um jardim de buxo, indo a paisagem deste desde o Oceano Atlântico até se perder nas terras saloias a norte de Sintra.

As sebes de buxo no jardim do Palácio de Seteais

  Do casamento de Dom Diogo José Vito com Dona Margarida Caetano de Lorena, filha do IV Duque do Cadaval, nasceram quatro filhos, a mais nova dos quais - Joaquina de Menezes - sucedeu ao V Marquês de Marialva na posse do Palácio de Seteais.

  Dona Joaquina de Menezes, mais tarde Marquesa do Louriçal, morreu viúva em 1846, não deixando ascendência ou descendência, pelo que toda a sua propriedade passou para seu sobrinho, Dom Nuno José de Moura Barreto, I Duque de Loulé e à altura futuro Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa.

  Depois de ter mudado de donos várias vezes, o palácio foi por fim adquirido pelo Governo Português em 1946.

  Actualmente, o Palácio de Seteais tem sido usado como um hotel de luxo da cadeia Tivoli, desde 1954, tendo felizmente as suas características originais sido preservadas.


© O Caminheiro de Sintra

Desconstrução da Lenda de Seteais - Palácio de Seteais - Parte III



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: autor Flickr simbiotica ponto org


O Palácio da Pena por entre
o Arco Triunfal de Seteais

  Analisando ou desconstruindo a Lenda de Seteais de forma mais profunda, acaba por não se chegar a nenhuma conclusão quanto ao local, e aqui a confusão bifurca-se em dois caminhos relativos à palavra “Seteais”.

  Há quem diga que a mesma se deve a uma lenda, a qual daqui não consta por não ter sido encontrada – muito provavelmente encontra-se somente em tradição oral -, que diz que naquele local ao dizer-se “ai”, a interjeição ecoava por sete vezes.

  O outro caminho da bifurcação da confusão quanto à origem do nome “Seteais”, é alusivo ao facto de que o referido local onde Seteais é sito, anteriormente ter sido denominado de Centeais. Este aspecto baseia-se na documentação que se encontra no Arquivo Histórico de Sintra, onde se descobre que realmente Centeais (terra de centeio) era mesmo o nome daquele lugar. Porém, aqui surge mais um conflito na lógica: para além do terreno para o cultivo de centeio ter de ser extremamente extenso em planura, o centeio (secale cereale) é uma gramínea que não se dá com o frio nem com a humidade. Mesmo tendo em conta que Sintra nem sempre foi arborizada como o é agora, recorde-se que fica junto ao litoral, e que tem um microclima muito próprio, o que leva à quase invalidação desta segundo possível origem para o nome “Seteais”.