colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O Mosteiro da Pena no Dia de São Jerónimo de 1743



© Texto e pesquisa: O Caminheiro de Sintra
© Grafismo: O Caminheiro de Sintra


o antigo Mosteiro da Pena, actual Palácio da Pena
grafismo de O Caminheiro de Sintra / Miguel Boim

Hoje, 30 de Setembro, dia de São Jerónimo, distam 272 anos até ao momento em que um raio, do céu caído, entrou pelo antigo Mosteiro da Pena (actual palácio da Pena).

A curiosidade desse ano de 1743 é espicaçada por o Mosteiro da Pena ter pertencido à Ordem dos Jerónimos; e o raio lá ter entrado, precisamente no dia em que se celebrava o dia de São Jerónimo, santo no qual a Ordem se inspirava.

E nem a oração que havia sido entregue por um anjo aos monges da Pena, lhes pôde valer naquele 30 de Setembro.

"Christus Rex venit in pace,
Et Deus homo factus est..."

O grafismo fi-lo para celebrar o dia. E o Mosteiro da Pena. E as histórias da História de Sintra, sempre tão cheia de fantasia.


P.S.: Se quiser saber mais sobre o antigo Mosteiro da Pena e suas histórias, tem no Sintra Lendária - Histórias e Lendas do Monte da Lua, um capítulo inteiro dedicado ao antigo Ninho de Águia de Sintra, no que toca à sua vivência humana.  Para conteúdo mais generalizado tem  ainda o Mosteiro, Palácio e Parque da Pena na Serra de Sintra de Tude de Sousa, e ainda O Palácio e o Parque da Pena, Fontes e Bibliografia Para Apoio à Investigação Histórica, vv. 1 e 2, de Jorge Muchagato.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sintra no Cinema II




© Pesquisa, compilação, e texto: O Caminheiro de Sintra


  Na continuação dos filmes que não chegaram à grande maioria do público, mais oito filmes são apresentados, embora nesta segunda parte também apareçam curtas-metragens. Com esta segunda parte de Sintra no Cinema, pretende-se dar a conhecer mais algumas obras que estão inseridas no catálogo da Filmografia de Sintra de 2012.

A Corte do Norte
  A Corte do Norte, 2008, de João Botelho, baseado no livro com o mesmo nome, de Agustina Bessa-Luís, 1987, com uma parte rodada na Quinta Miramar (Valle-Flor), em Sintra.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Sintra nos Anos 50 do Século XX - Memória de Imagem em Movimento




© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra



    Felizmente que há pessoas com posses, que abdicando no fim do que é seu - que realmente não conseguiriam levar para mais nenhum sítio - o legam como contributo para a Humanidade. O casal Tode assim o fez, e como herança acabou por legar parte do seu património, onde se incluíam vídeos de inúmeras viagens suas, à volta do Mundo.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sintra em "A Canção de Lisboa", em 1933 - "...sonhar castelos no ar..."


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: arquivo de O Caminheiro de Sintra
Filme: excerto de "A Canção de Lisboa"



  Em 1933 a produtora Tobis realizava o seu primeiro filme. Dos locais escolhidos para as filmagens, Sintra acabou por ser eleita, incorporando de forma perfeita o desígnio do guião que lhe estava destinado. A 7 de Novembro de 1933, era então lançada "A Canção de Lisboa" ao público.

  Entre as delícia das pessoas surgiram vozes mais mesquinhas a tentar minorizar o filme, pegando por coisas simplicíssimas. 

O filme é popular!
O Vasco usa um chapéu impróprio de um quintanista de medicina!
As tias não deviam ter desmaiado!
O Vasco é Gordo!


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Damião de Góis e os Tritões de Sintra - A Fantástica Descrição do Século XVI


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra (duas primeiras imagens); (restantes imagens e respectivamente) autores Flickr Grosvnor, Donnr MB, prebelo


Damião de Góis, Urbis Olisiponis Descriptio

 O fantástico sempre se encontrou presente no passado da história, algumas vezes escondendo-se nos mais inesperados sítios. No seu Urbis Olisiponis Descriptio, ou em português Descrição da Cidade de Lisboa, de 1554, Damião de Góis menciona algumas vezes a zona da Serra de Sintra e do Cabo da Roca.

 O mais admirável torna-se contudo, as suas palavras acerca de relatos de Tritões quer na costa Sintrense, quer na entrada Tejo acima, relatos dos tempos da Roma Antiga, bem como outros de Damião de Góis contemporâneos.

 Curioso é também aquilo que facto aparenta ser, de nunca ninguém ter relacionado de forma que seja, este relato com a Janela do Tritão no Palácio da Pena.

Descrição da Cidade de Lisboa, 1554
"Não me atrevo a estabelecer sem bases a origem do nome de Lisboa; talvez isso parecesse a muita gente um caso fabuloso - tão fabuloso como aquele facto que Varrão foi buscar a Justino, o qual escreve que "na Lusitânia, onde está a cidade de Lisboa, no monte Tagro, as éguas ficam prenhes só pelo vento".

Note-se que Plínio e Solino admitem igualmente este facto. Contudo, o mesmo Justino referindo-se a isto, assevera, com afinco, que tal opinião é errónea. "Na Lusitânia", diz ele, "conforme muitos autores narraram, junto ao rio Tejo, as éguas concebem por meio do vento. Mas estas lendas são originadas por causa da fecundidade das éguas e da grande quantidade das manadas; pois estas são em tão grande número na Galiza e na Lusitânia e correm tão velozes que não sem razão parecem concebidas pelo próprio vento."

Esta explicação de Justino realmente não me desagradaria, se os físicos não tivessem razões para provar que a Natureza costuma produzir e procriar muitas coisas sem as fêmeas terem contacto com machos. E assim, Dom Rodrigo, arcebispo de Toledo, admite, na sua História, com grande soma de argumentos, aquele passo de Varrão.

"...inesperadamente saltou para um rochedo um tritão macho, com a barba comprida, longos cabelos, peito crespo, rosto não muito disforme, e aspecto perfeitamente humano."

Companheiro Maçon, Loja Luz do Sol ou a Maçonaria em Sintra - Parte VI



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra


  Segundo artigo de quatro, da autoria de José Alfredo da Costa Azevedo, publicado no Jornal de Sintra no século XX, e posteriormente publicados nos volumes do autor, "Velharias de Sintra":

"Aqui têm, meus caros leitores, mais alguns de que me lembro, da irmandade da Loja Luz do Sol. Conheci-os a todos quando era rapaz, e a alguns quando já era um homem consciente:

Dr. Vergílio Horta - Tinha dois cursos superiores: Farmácia e Direito. Só me lembro de ele ter exercido a advogacia; o seu escritório era no largo que hoje tem o seu nome, no rés-do-chão do prédio que fazia gaveto com a Volta do Duche e que foi demolido, em 1960, para alargamento desta artéria.

Foi presidente, julgo que mais de uma vez, da Câmara de Sintra e, também administrador do concelho. Foi um grande advogado, dotado de uma honestidade inexcedível, e, por isso, muito considerado por toda a população da nossa vila.


domingo, 26 de dezembro de 2010

Palácio Nacional da Pena - Parte III


© Pesquisa e transcrição: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: Adriana Sousa Duarte
Imagens: ver créditos fotográficos no final deste artigo



  Continuação da transcrição do documentário de Adriana Sousa Duarte sobre o Palácio Nacional da Pena, com a participação do ex-director do Palácio da Pena, José Martins Carneiro.

Parte III

Continuando pelo nosso percurso, vamos conhecer o interior deste palácio. Ao subirmos as escadas de dois lances em forma de “u” deparamo-nos com o claustro do convento dos frades jerónimos, de estilo Manuelino. Trata-se de um espaço lindíssimo, onde a arcaria e os feixes do abóbadado reflectem a solenidade de uma atmosfera tranquila. Tem dois pisos, com arcada de arcos plenos no primeiro, e abatidos no segundo. À volta destes, dispõem-se algumas das principais salas. Este ambiente é praticamente todo original, tendo sido guardados mesmo os azulejos policromáticos. Esta estética azulejar variada foi colocada e ajustada aos diversos espaços rectangulares disponíveis.

Palácio da Pena, Serra de Sintra

Essencialmente estão presentes azulejos hispano-árabes Maneiristas tipo xadrez, e tipo tapete, onde a policromia varia com a luminosidade, e até com o nevoeiro de cada dia. A ideia de colocar esta manta de retalhos de azulejaria foi do próprio rei, que foi buscar estes pequenos quadrados aos armazéns do estado, criados pelo Marquês de Pombal aquando do célebre terramoto de Lisboa.

Azulejos de Wenceslau Cifka

Somos convidados agora a entrar na copa principal, que dá acesso à casa de jantar privada da família real. O tecto desta sala é ainda do tempo dos frades jerónimos do século XVI. Passamos a seguir aos aposentos do rei D. Carlos I, assim como o seu atelier de pintura. De seguida, detemo-nos numa antiga cela dos monges, com a sacristia e o coro numa planta em “L”. Destaque para o vitral da janela central da nave, uma obra produzida em Nuremberga na Alemanha, em 1848, tratando-se de uma homenagem a Portugal e à sua expansão no Mundo. Aqui vemos o rei D. Manuel I que segura num Conventinho da Pena, mais além vê-se Vasco da Gama que regressa da Índia com os navios ao fundo, enquanto que em cima estão Santa Maria e São Jorge, e mais em cima podemos divisar a heráldica da casa de Saxe Coburgo Gotha e da casa de Portugal.

Retábulo de Nicolau de Chanterene

Na igreja destaca-se o retábulo de alabastro do mestre Nicolau de Chanterene, que trabalhou toda a vida em Portugal. Entre 1530 e 1532, esteve em Sintra a criar este retábulo. Esta obra transmite delicadeza, expressão, leveza, e transparência. Este painel na verdade, é uma novidade para a altura, na medida em que já não tem nada de manuelino e sim, é pura renascença.

Ponte Levadiça do Palácio da Pena

Situados no piso superior da galeria das antigas celas do Convento que foram remodeladas, estão os quartos da família real. O primeiro quarto, o Quarto das Damas de Companhia tem um notável trabalho de estuques. No tecto encontramos uma representação de troncos de árvores com pinhas à mistura. As paredes imitam madeira, dando à dependência uma área de distinção e sobriedade. Este admirável trabalho de estuques está bem patente também no segundo quarto, o Quarto do Veador com temas florais. Passemos agora ao quarto da rainha Dona Amélia, que inclui um exímio trabalho de decoração atribuido ao pintor-desenhador António Januário Correia, criando-nos a sensação de estarmos no interior de uma sala árabe.

Gárgula do Palácio da Pena

No seguimento do nosso périplo pelo interior do Palácio, passamos pelo Quarto de Vestir da Rainha, pela Sala de Estar da Família Real, e pelo Escritório da Rainha. D. Amélia foi a última Rainha de Portugal, esposa de D. Carlos I. Embora o Palácio não tenha sido construido em sua geração, ela foi a maior utilizadora e apreciadora deste castelo.

Janela Para o Pátio dos Arcos do Palácio da Pena

José Martins Carneiro: "A última figura real que habitou, vivou, o Palácio da Pena. E se nos exteriores nós temos de prestar toda a nossa vassalagem e toda a nossa homenagem a D. Fernando II, os interiores, as ambiências decorativas do interior devemo-lo sim ao gosto da última rainha de Portugal, Dona Amélia de Orlean e Bragança. Nitidamente."

Pátio dos Arco, Palácio da Pena

Narrador: Esta foi a razão porque tantos espaços foram atribuidos a ela.

Finalmente chegamos à Sala Árabe, uma das mais belas salas de todo o Palácio. Integralmente pintada Trompe-l'Oeil por Paolo Pizzi. Sendo uma sala de pequenas dimensões, as pinturas conferem-lhe profundidade e relevo, dando-lhe uma dimensão quase irreal. Faz parte das dependências privadas da Rainha, um terraço o qual pode ser acedido pela sala de estar privada, ou através de um átrio de passagem.

Parte da Ronda da Guarda, Palácio da Pena

Daqui se avista a parte fernandina do Palácio, e todo o movimento de volumes que dão à arquitectura exterior do monumento, uma dignidade e uma racionalidade inimaginável. Atenda-se que toda a construção do Palácio está assente sobre grandes rochedos, e consequentes grandes desnivelamentos do terreno, o que transforma numa maior magnitude a grandeza do bastião arquitectónico do romantismo.

Lendas do Palácio da Pena

É do terraço da rainha que nos apercebemos imediatamente da relação directa do interior com o exterior do Palácio, e deste, com o imenso manto verde que o envolve. Na Sala Indiana destacamos o gosto pelo rendilhado e pelo escultórico, de tal forma que não conseguimos encontrar o limite entre a escultura e as artes decorativas."


© O Caminheiro de Sintra

Créditos fotográficos:
1ª fotografia: autor Flickr J. A. Alcaide
2ª fotografia: autor Flickr Samuel Santos
3ª fotografia: autor Flickr Samuel Santos
4ª fotografia: autor Flickr Eric-P
5ª fotografia: autor Flickr Tony Moorey
6ª fotografia: autor Flickr Jürgen Stemper //
7ª fotografia: autor Flickr bartb_pt
8ª fotografia: autor Flickr Harshil.Shah
9ª fotografia: autor Flickr Pedro Moura Pinheiro
P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (balão "A" - para ver melhor poderá ampliar), o Palácio da Pena em Sintra, Portugal:

Palácio da Pena, a Arquitectura; José Martins Carneiro, os Depoimentos - Parte I


© Pesquisa e transcrição: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: Adriana Sousa Duarte
Imagens: ver créditos fotográficos no final deste artigo



 Do excelente documentário de Adriana Sousa Duarte sobre a arquitectura do Palácio da Pena, é apresentada aqui a transcrição do mesmo, devido ao seu valor que não engloba só a arquitectura, mas o Palácio da Pena como um todo, ao que muito ajuda os depoimentos de José Martins Carneiro, ex-director do Palácio da Pena.

Parte I

"Envolto em belezas naturais, misticismo e magia, encontra-se no alto da Serra de Sintra, um dos mais emblemáticos monumentos portugueses.
Palácio da Pena, Património Mundial da UNESCO

Palco de memória de grandes romances e querelas familiares reais, manancial literário e simbólico, é uma das expressões máximas da arquitectura romântica em Portugal do século XIX.

Declarado Património Mundial da UNESCO em 1995, e uma das sete maravilhas de Portugal em 2007, avista-se altaneiro, o Palácio Nacional da Pena, ou o Castelo da Pena, como é vulgarmente conhecido. Quando observamos o Palácio da Pena, não podemos descontextualizá-lo do seu ambiente, aliás, isto não é possível porque o Palácio e o Parque que o envolvem traduzem uma unidade visual.
A Arquitectura do Palácio da Pena

Mas nem sempre foi assim. Este esplendor natural que parece sempre ter existido, não existia. A Serra de Sintra era calva de vegetação, e o único verde que existia era o musgo das pedras no Inverno, num amontoado de penedos.

Mas quem terá sido o visionário, que transformou este lugar inóspito numa obra prima da arquitectura? Qual o limite entre a obra arquitectónica e a sua envolvência?
O Romantismo e o Palácio da Pena

José Martins Carneiro: “Temos a sorte de vir para Portugal um princípe alemão/austríaco, que tem uma cultura extraordinária, invulgar para a época, e que na verdade vê crescer e desenvolver-se na Alemanha, um novo movimento artístico: o Romantismo. E, ao chegar a Portugal, e ao passar a lua de mel no Palácio da Vila, ao subir ao cimo da Serra, vê as ruínas de um antigo convento. Para um homem romântico, todo este condimento, de uma serra sem qualquer vegetação a não ser a vegatação rasteira, com pedras, rochedos enormes…por outro lado, com uma lenda a contar que Nossa Senhora da Pena tinha aparecido aqui numa lapa, numa penha, num penedo, tudo isto fascina este princípe. E na verdade, volvidos dois anos ele vai conseguir adquirir as ruínas do antigo convento, a cerca dos monges, e pensar, ele vai pensar num palácio, residência privada de Verão, mas com um jardim completamente inédito no nosso país. E portanto esta ideia de obra de arte total que agrega património verde e património edificado, é fascinante para este homem. Obviamente que ele depois tem em Portugal, um engenheiro de minas que é alemão também, que fala alemão - em Portugal deve haver pouca gente a falar alemão - e ele vai utilizar esse engenheiro de minas, para a construção aqui na Pena, de túneis…e tudo isso, toda essa experiência, digamos, de engenharia de minas deste Barão Von Eschwege, é útil ao princípe.
Barão Von Eschwege, o Arquitecto do Palácio da Pena

Narrador: As obras de construção iriam durar cerca de catorze anos, entre 1840 e 1854. Mas as remodelações e decorações só parariam com a morte do rei D. Fernando II em 1885.

Numa primeira fase como já dissemos, foi recuperado o Mosteiro. Em vista da construção do palácio novo, o projecto é ampliado até ao largo onde existia o adro da igreja, em 1841. Mas não achando ser isto o suficiente para a elevada exigência da família real, em 1842 é projectada uma nova ampliação que seria construida totalmente de raíz, com o início das obras em 1844. Podemos distingui-los claramente ao longe: o Convento está pintado de cor-de-rosa, enquanto que o Palácio está pintado de amarelo.

Vemos que a planta do Palácio Nacional da Pena é bastante irregular, composta e condicionada pela construção do Convento pré-existente ao Palácio. Também ficou obviamente restringida pela topografia, resultando num núcleo sensívelmente quadrangular organizado à volta de um claustro, e outro, alongado. Quanto às formas geométricas, o Palácio de Pena é representado por torres quadradas, circulares, semi-circulares ou facetadas de diferentes alturas, que avançam ou recuam animando as fachadas.

Quase todo o Palácio assenta em enormes rochedos. Estruturalmente podemos dividir o edifício em quatro grandes áreas: a couraça e muralhas envolventes, que serviam para consolidar a implantação da construção, com duas portas, uma das quais provida de ponte levadiça; o corpo, restaurado na íntegra do convento antigo. ligeiramente em ângulo, no topo da colina, completamente ameado com a torre do relógio; o pátio dos arcos frente à Capela, com a sua parede de arcos mouriscos; a zona palaciana fernandina com o seu baluarte cilíndrico de grande porte com o interior decorado em estilo Cathedral, segundo preceitos em voga, e motivando intervenções decorativas importantes ao nível do mobiliário e ornamentação em geral.

Durante a construção, apesar de se manter a estrutura básica, foram feitas alterações em quase todos os vãos ao mesmo que a pequena torre cilíndrica que se encostava à maior, passou para a retaguarda do edifício. O arco de entrada do corpo principal ladeado por duas torres, recebeu uma profusa decoração em relevo a imitar corais. Sobre ele, uma janela Abbott Window recebeu na sua base também em relevo, uma figura de um ser híbrido, meio peixe, meio homem, saindo de uma concha com a cabeça coberta por cabelos que se transformavam num tronco de videira cujos ramos são sustentados pela enigmática personagem. Relembra propositadamente, o homem barbado da janela da sala do coro do Convento de Cristo em Tomar, transformado aqui num ser monstruoso de carácter quase demoníaco.
Janela do Tritão no Palácio da Pena

Este conjunto, conhecido como Pórtico do Tritão foi programado por D. Fernando II que o desenhou como pórtico alegórico da criação do Mundo, e parece condensar em termos simbólicos a teoria dos quatro elementos.

O conjunto das diversas guaritas, o desnivelamento dos sucessivos terraços, o revestimento parietal dos azulejos, neo hispano-árabes oitocentistas, são elementos fundamentais na interpretação deste palácio. As fachadas são divididas por bocéis ou torçais, de fenestrados mais ou menos regulares, e por vãos quadrangulares, rectangulares, e de arco pleno.

As torres e os baluartes possuem anéis superiores e inferiores sobre a arcatura, formando caminhos de ronda, mirantes ou terraços.

Já as torres quadradas têm nos cunhais guaritas circulares, com coberturas cónicas. O revestimento azulejar do exterior do Palácio na fachada principal, assim como na maior parte do Palácio, terão sido criados por Wenceslau Cifka, e produzidos na Fábrica Roseira. São azulejos de padrão policromo. Vemos ainda, uma varanda ao nível do terceiro piso.
Misticismo do Palácio da Pena

No núcleo quadrangular destacam-se várias arcadas interrompidas sobre o murete. Quase todas as torres receberam cúpulas. Os motivos de inspiração foram essencialmente colhidos em fontes mouriscas e mudéjares espanholas, e em quase todas as obras manuelinas da Estremadura, entre as quais se encontram a Torre de Belém, os Jerónimos, e o Convento de Cristo, entre outras.
D. Manuel I, o Mosteiro da Pena, e o Palácio da Pena

Todo o monumento é uma homenagem a Portugal e à sua expansão no Mundo. O torreão, a porta férrea da entrada, o passeio da ronda, e os diversos tipos de guaritas, fazem deste palácio uma assumida evocação das memórias fortes e fundamentais, quer da cristandade, quer da história de Portugal."


© O Caminheiro de Sintra

Créditos fotográficos:
1ª fotografia: autor Flickr szeke
2ª fotografia: autor Flickr szeke
3ª fotografia: autor Flickr Willtron
4ª fotografia: autor Flickr Stan160
5ª fotografia: autor Flickr Phil Photostream
6ª fotografia: autor Flickr brumó
7ª fotografia: autor Flickr wordman1



Outros Artigos Sobre o Documentário da Arquitectura do Palácio da Pena;
José Martins Carneiro e o Palácio da Pena - Parte II
Palácio Nacional da Pena - Parte III
O Palácio da Pena e Lisboa: "Presença de Lisboa na Arquitectura do Castelo da Pena"


P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (balão "A"- para ver melhor poderá ampliar), o Palácio da Pena em Sintra, Portugal:


Ver mapa maior

José Martins Carneiro e o Palácio da Pena - Parte II


© Pesquisa e transcrição: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: Adriana Sousa Duarte
Imagens: ver créditos fotográficos no final deste artigo



Continuação da transcrição do documentário de Adriana Sousa Duarte sobre o Palácio da Pena, com depoimentos de José Martins Carneiro.

Parte II

"José Martins Carneiro: "Em relação aos estilos nós temos que perceber que estamos num período muito definido, muito concreto: o período romântico. E portanto, os neos todos imperam aqui, mas de uma forma muito subtil. Nós não podemos dizer que vemos claramente visto um neo-gótico…porque não é sequer o Gótico Flamejante, nem tampouco…vemos Manuelino, claro que vemos, mas, esta profusão de estilos em que sobretudo, o que me parece mais importante de realçar, é a volumetria e esta sinfonia de volumes que se interpenetram entre si, criando esta primeira construção assimétrica no nosso país."

José Martins Carneiro, Preponderante Figura do Palácio da Pena

Narrador: O Palácio é todo ele um conjunto de significações desde a civilização egípcia, com os elementos animalistas, vegetalistas, remates nas cimalhas e colunas torsas onde assenta o arco do balcão da grande varanda, passando pela greco-romana, medieval, com a estátua fronteiriça ao Palácio, onde um cavaleiro medieval tem esculpido no escudo um mar ondulado e uma caravela. E até a renascença, com os bicos das guaritas da porta férrea, cunhais das bolas, e um magnífico retábulo em alabastro de mármore.

Todo o Palácio é uma mistura de estilos desde o Neo-Gótico, Neo-Manuelino, Neo-Islâmico, Neo-Renascentista, com outras sugestões artísticas como a Indiana. Esta mistura de estilos é intencional, na medida em que a mentalidade romântica do século XIX dedicava um fascínio invulgar ao exotismo.

Arquitectura do Palácio da Pena

José Martins Carneiro: "Obviamente são materiais da tradição genuinamente portuguesa: usa-se o mármore, usa-se a alvenaria, usa-se depois nos rebocos…usa-se uma tecnologia nova, e essa sim é da autoria do Barão Von Eschwege, e que é a técnica das manilhas. Que técnica é esta: é a utilização de vasos em barro - que eles na altura chamavam manilhas - invertendo-os, e esses vasos invertidos fazem com que se segure a argamassa, como em forma de ventosa, e isso cria estruturas muito souple, muito light digamos, leves de facto, o que de outra forma não seria possível para a construção deste monumento."

Narrador: Procurando atingir o ideal do estilo romântico da altura, D. Fernando II cria a própria natureza. Em 1846, e depois de um exaustivo estudo dos solos, o rei manda colocar nos duzentos hectares circundantes ao Palácio, milhares de árvores e espécies raríssimas, além disso, ele reencaminha a água inventando lagos. O Paraíso Europeu estava construído.

O Triunfal no Palácio da Pena

Vamos então conhecer de perto este pequeno paraíso. A caminhada é longa, mas vale bem a pena, pela descoberta da mata, das mansões, dos jardins, e fontes. Disseminados pelo parque estão também pavilhões construidos nos mais diversos estilos arquitectónicos. Bicas, pequenos recantos e miradouros, pontes e grutas, bancos de jardim, pérgolas e fontes, pequenas casas onde se alojavam guardas e demais criadagem, estufas e viveiros com uma vastíssima quantidade de espécies botânicas.

O Parque possui uma ambiência fria e nórdica o que se deve à influência dos jardins românticos da Alemanha, a que D. Fernando II não foi alheio.

Vestígios do Crescente da Serra da Lua

Passando o portão principal e continuando a nossa viagem de reconhecimento dos espaços envolventes, passamos pelo Jardim da Rainha, primitiva horta do Mosteiro, transformada em jardim pela Rainha D. Amélia; o picadeiro, plataforma que terá servido de arena para equitação dos princípes, e primeiro campo de ténis; o Templo das Colunas, mirante sobre o Palácio erigido em 1840 por D. Fernando II no local de uma antiga capela dedicada a Santo António integra símbolos da Ordem de Cristo, e o crescente da Serra da Lua.

A encimar os penedos de granito que se erguem, observa-se a estátua do guerreiro, como que a guardar todo o território. Esta estátua, em bronze, atribuida a Ernesto Rusconi data de 1844 e constitui uma possível representação do rei como guardião da sua obra. Podemos perceber que uma das características principais deste complexo arquitectónico pousado no alto desta serra se traduz na visão ou na vista, para o Palácio, para a mata, e mesmo para o mar, tendo para isso sido construidos vários miradouros e guaritas. Vemos ao longe a Cruz Alta: é uma cruz, esculpida em pedra, com troncos entrelaçados mandada erguer três séculos antes da construção do Palácio da Pena, por D. João III, para assinalar o ponto mais alto da Serra de Sintra: 529 metros, acima do nível do mar.

O Território do Gigante de Ernesto Rusconi

A seguir visitamos este pavilhão de estilo islâmico com uma cúpula esférica com uma inscrição em árabe: é a chamada Fonte dos Passarinhos. Os azulejos são semelhantes aos da fachada principal do Palácio. Foi construida em 1503 pelo sultão de D. Manuel I, em comemoração do regresso de Vasco da Gama. Chegamos a uma das imagens de marca do Parque da Pena: o Vale dos Lagos. São cinco lagos artificiais integrados consecutivamente, e ligados por pequenas cascatas. Esta é a zona mais baixa do Parque, para onde confluem todas as linhas de água, salientando que tudo isto foi inventado, criado de raíz. Nota-se uma grande preocupação com todos os pormenores.

A Fonte dos Passarinhos no Palácio da Pena

D. Fernando II planeou o Parque de modo a este simular uma naturalidade quase perfeita, para tal, imaginou para o Parque ambientes diversos, contrastantes, em que a presença do insólito e do exótico fosse marcante. No Parque encontram-se espécies de plantas representativas de vários pontos do Mundo: do Japão, Nova Zelândia, Líbano, Brasil, África, Austrália, América do Norte, a par de exemplares portugueses, num total de mais de duas mil espécies. É pela sua diversidade vegetalista que o Parque Natural da Pena é considerado hoje como Parque da Europa, com o mais rico e invulgar conjunto…"


© O Caminheiro de Sintra

Créditos fotográficos:
1ª fotografia: autor Flickr szeke
2ª fotografia: autor Flickr brumó
3ª fotografia: autor Flickr draculina_ak
4ª fotografia: autor Flickr frmorais
5ª fotografia: autor Flickr Phil Photostream
6ª fotografia: autor Flickr Samuel Santos

P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (balão "A" - para ver melhor poderá ampliar), o Palácio Nacional da Pena em Sintra, Portugal:

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Palácio da Pena no relato do Príncipe Lichnowsky - Sintra, Vígia da Índia



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


o Príncipe Lichnowsky
 Nas memórias do Príncipe Lichnowsky, encontramos um excerto sobre Sintra, que fala sobre o Palácio da Pena e elogia a sua belíssima localização, bem como o local de espera de D. Manuel I das naus vindas da Índia, que o levou a criar o Mosteiro de Nossa Senhora da Pena, edificação original e pré-Palácio da Pena, da mesma ordem religiosa e do mesmo tempo do Mosteiro dos Jerónimos.

"A doze milhas náuticas do Cabo de Peniche dobrámos o alto promontório do Cabo da Roca, chamado comummente pelos marítimos ingleses “the rock of Lisbon”, e que forma a última rasificação da serra, que de Sintra se dirige para o oceano.
entrada do Palácio da Pena, início do século XX
Em um dos mais elevados cabeços vê-se meio envolvido em nuvens o Castelo da Penha. Parece daquela posição sobranceira imperar livre e ousadamente sobre o mar, e a terra. Esta formosa Penha que eu mais tarde tantas vezes, e com tanto prazer visitei, afigurou-se-me sempre como habitação de uma águia real; e seguramente foi um feliz pensamento do príncipe cavalheiresco, que a Alemanha deu como rei a este país, edificar seu castelo feudal sobre aquele cume, onde El-rei D. Manuel ia todos os dias aguardar o regresso da frota de Vasco da Gama."

© O Caminheiro de Sintra

domingo, 30 de maio de 2010

Lenda da Gruta da Fada de Sintra - O Mito da Gruta do Monge



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


  A Lenda da Gruta da fada é uma Lenda de Sintra, que já o sendo acaba por ser um mito em si.

  O que é capaz de tornar essa lenda em mito, é o facto de as poucas linhas existentes que a tornam numa Lenda de Sintra, subsistem no tempo e no espaço, sem que a mesma se alargue. Talvez o factor primordial para tal se deva ao facto de que a gruta aludida ser inexistente, ou pelo menos, a mesma não existir hoje em dia, como possivelmente outrora existiu, "na entrada da Pena, à esquerda de quem sobe"...

  Publicada pela primeira vez no jornal / revista Cyntra, número 6 de 1912, de acordo com Manuel Gandra, a Lenda da Gruta da Fada deu azo a que fosse quase sempre confundida com a Gruta do Monge (2ª fotografia deste post / foto à esquerda) no Parque da Pena, ou com uma outra que essa antecede (1ª fotografia deste post / foto à direita).