colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

"O Amante Mais Rico" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 27 de Setembro de 2019




O Amante Mais Rico
na edição de 27 de Setembro de 2019
do Jornal de Sintra


    Qual o amante mais rico? Muitos pensarão apenas na riqueza em formato monetário. Mas tratar-se-á disso mesmo? E que outras riquezas - dentro do espectro do amor - poderão aqui por Sintra ter passado? Seria um interminável tema, mas neste artigo é possível tocar em algumas dessas formas de forma a mostrar o bizarro da vida:

    «Agora poderá estar a achar que não deverá ter percebido bem alguma parte. Teresa Guiccioli era casada? Mas como mantinha então uma relação com o poeta que nos legou das mais fogosas palavras sobre Sintra, em inglês escritas? Como atrás o mencionei, o segundo marido de Teresa gabava-se de Byron ter sido cicisbeo de Teresa. E o cicisbeo era um homem ou um rapaz que, com o consentimento do marido de uma senhora, era o amante dessa. É claro que as coisas eram mais complexas e elaboradas do que aquilo que se pode escrever apenas em duas linhas, mas basicamente tinha que ver com uma mudança de mentalidades e com a preocupação com as aparências (claro, sempre e sempre, as aparências...), principalmente no que dizia respeito ao acompanhar as modas.

     E as modas foram mudando assim como as mentalidades. E a meio do século XIX era já (...)
»

    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 27 de Setembro de 2019.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que completou em Janeiro deste ano os seus 85 anos!

    E não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.





ir para a página de Facebook O Caminheiro de Sintra

terça-feira, 11 de abril de 2017

O Bastardo de 11 de Abril de há 660 anos


Túmulo de D. João I no Mosteiro da Batalha
(fotografia de Miguel Boim)
        Às três da tarde de 11 de Abril, há 660 anos, nascia em Lisboa aquele que foi um dos maiores bastardos do Reino, e talvez o maior de Sintra. Filho ilegítimo de um Rei, foi dado ao cuidado de um cidadão de Lisboa, passando assim os seus primeiros dias na Praça dos Canos.

        O tempo faz-nos por vezes saltar as margens do rio da vida que por baixo corre violento, e aos sete anos de idade o bastardo foi armado cavaleiro e Mestre da Ordem de Aviz.

Real Branco do reinado de D. João I,
cunhado na cidade do Porto
(colecção pessoal do autor)

        E a vida tem também sofrimento, lutas, vitórias e aprendizagens com os enganos. A deste bastardo teve traições com hasteares dos estandartes do Reino de Castela no Castelo dos Mouros; teve campos de batalha com milhares de homens sob um tórrido calor, que dando os homens que nele acreditavam seus corpos às lanças e flechas, deram também a independência a um medievo Reino de Portugal; teve um homem de confiança, amizade, íntimo maior, que a Sintra enviou quando o Castelo tinha sido traído, e que ambos até numa noite em que o bastardo decidira conquistar em definitivo o Castelo na Serra altaneiro, começou uma tempestade tão intensa cujas águas das cheias davam pelos peitos dos cavalos e cujos relampejares dos raios no céu iluminavam, faziam coriscar, as pontas das lanças dos homens que o bastardo seguiam. O dilúvio foi tal que até se perderam imensos livros do Mosteiro de São Domingos, ao Rossio, mas a um Rossio em que os caminhos eram lama e aqui e ali brotavam verdes e viçosos arbustos.

Reprodução da efígie presente no túmulo
de D. João I no Mosteiro da Batalha
(fotografia de Miguel Boim)
        Mas este bastardo, não sendo de Sintra, viveu ainda mais do que todas essas desventuras medievais. Iniciou, já enquanto Rei, o costume real dos reis se anicharem nesta Serra de Sintra, e provavelmente ajudando o Palácio da Vila a assemelhar-se ao que hoje parte da sua estrutura é.

         As vozes de um passado perdido da história dizem que contribuiu também para que surgisse o Mosteiro de Penha Longa na parte Sul da Serra, e fez com que do Convento da Santíssima Trindade no colo do vale que do Monte da Pena vem, saíssem vários confessores para a família real, de entre eles, um sobrinho de Inês de Castro.

        E mais que tudo. Soube escolher - se assim se pode dizer - a mulher que o acompanharia até ao fim, e além desse indo ao ficarem em seus túmulos juntos. Dessa união entre Portugal e Inglaterra, entre D. João I e Filipa de Lancaster, nasceu a geração de nobres portugueses que, num difícil e conturbado período da história da Europa, contribuíram e serviram de exemplo para a formação e o bom senso, para a coragem e a polidez, para a educação e o amor. Apesar de brutal, é esse décimo quarto, dos séculos mais ricos que a nossa história tem devido também a essa geração, chamada por Camões como ínclita, e advinda de um bastardo.

Túmulos de D. João I e de D. Filipa de Lancaster
no Mosteiro da Batalha
(fotografia de Miguel Boim)

        Se Lisboa tem a sua estátua do bastardo, a sua estátua de D. João I, Sintra tem o seu espírito. E que esse espírito insufle o peito de muitos através da inspiração da vida do Rei de boa memória, quer nos seus 660 anos que hoje se celebram, quer na sua eternidade.









quarta-feira, 25 de abril de 2012

Chronica Gothorum / Chronicon Lusitanum - excertos sobre Sintra em português

© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo d'O Caminheiro de Sintra
Recolecção do texto em latim: Marc Szwajcer
Tradução latim-português de excertos relacionados com Sintra: O Caminheiro de Sintra


túmulo de D. Afonso Henriques no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra,
neto de D. Afonso VI de Leão e Castela, Reconquistador de Sintra em 1093

    Por não se encontrar por estes dias com grande facilidade na internet a Chronica Gothorum ou Chronicon Lusitanum, é aqui apresentado o dito documento. Razão outra é a menção a Sintra em alguns de seus itens, que do documento aqui apresentado em latim foram esses aqui traduzidos para português.

    A Chronica Gothorum aparece com tal denominação pela primeira vez na terceira parta da obra Monarchia Lusitana, de Frei António Brandão, impressa em 1632. Na sua apresentação, Frei António Brandão refere que existem duas versões desta suposta crónica dos Godos, e que a apresentada por ele é a versão mais extensa, tendo essa sido antes possessão de André de Resende.
Chronica Gottorvm, Chronica Gothorum,
Chronicon Lusitanum, Chronica Lusitana
    O seu autor é desconhecido, assim como a data em que foi feita. Poder-se-ia inferir como sendo dos tempos de D. Afonso Henriques, visto que o relato dessa vem desde 328 d.C. com a entrada dos Godos na Península Ibérica, até ao ano de 1186 da nossa Era. Ou poder-se-ia inferir que por se apresentar com a datação da Era Hispânica ou Era de César, seria anterior a 1422, data da alteração do calendário no reino de Portugal, da Era de César para a Era de Cristo. Contudo, estas inferências encontram-se longe da objectivação da razão na realidade.

    Pouco tempo antes de 1764, a Chronica Gothorum conhece nova impressão, desta feita através de Frei e Padre Henrique Flórez de Setién y Huidobro, no décimo quarto volume da sua obra España Sagrada. É nesta edição que a denominação é mudada de "Chronica Gothorum" para "Chronicon Lusitanum" (mais tarde passando a Chronica Lusitana), decisão justificada pelo próprio, escrevendo que essa pouco tinha que ver com o reino dos Godos, senão que com o reino dos Portugueses.
Enrique Flórez de Setién y Huidobro, autor de España Sagrada
contendo a Chronicon Lusitanum ou a Chronica Gothorum
    O que abaixo se apresenta é o documento em latim, com a datação da Era Hispânica ou da Era de César, e nos três anos em que Sintra é mencionada a tradução em português encontra-se no item cronológico seguinte, começando por pontilhado, com a datação da Era de Cristo, e texto em itálico.


Æra 349. Egressi sunt Gothi de terra sua.

Æra 366. Ingresi sunt Hispaniam, & regnaverunt ibi annis 387. De terra autem sua perveniunt ad Hispaniam per 17. annos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sintra em "A Canção de Lisboa", em 1933 - "...sonhar castelos no ar..."


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: arquivo de O Caminheiro de Sintra
Filme: excerto de "A Canção de Lisboa"



  Em 1933 a produtora Tobis realizava o seu primeiro filme. Dos locais escolhidos para as filmagens, Sintra acabou por ser eleita, incorporando de forma perfeita o desígnio do guião que lhe estava destinado. A 7 de Novembro de 1933, era então lançada "A Canção de Lisboa" ao público.

  Entre as delícia das pessoas surgiram vozes mais mesquinhas a tentar minorizar o filme, pegando por coisas simplicíssimas. 

O filme é popular!
O Vasco usa um chapéu impróprio de um quintanista de medicina!
As tias não deviam ter desmaiado!
O Vasco é Gordo!


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Casa da Gandarinha - Palácio Gandarinha (em frente à entrada sul do Parque da Liberdade em Sintra)


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra




    Percorrendo a estrada de São Pedro em direcção a Sintra, onde antes da curva onde se encontra a fonte projectada por Raúl Lino é observável o edifício acastelado do Monte Sereno elevando-se entre as árvores no cume de um monte da Serra, chega-se mais à frente, após curva e contra-curva, até à discreta entrada do Parque da Liberdade.

o Palácio Gandarinha elevando-se em frente a uma das entradas
do Parque da Liberdade, em Sintra

    Em frente dessa, um edifício em ruínas leva os aromas da fantasia até aos confins da nossa mente.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Lenda Tradição e História do Convento de Penha Longa - Da Revista Cyntra, número 1, de 1908


© Pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra


À direita, na distância, o Convento da Penha Longa

"Este convento que era de frades jerónimos foi fundado em 1355 por frei Vasco Martins, mandado concluir por D. João I e reedificado por D. João III. Teve origem em uma ermida de Nossa Senhora, cuja imagem, segundo a tradição, foi achada naquele sítio. Penha Longa parece derivar de Pera Longa ou Pedra Longa, devido à estranha configuração de uma pedra, semelhante a uma pera, que encima o grupo de penedos, junto ao qual foi fundado este convento.

domingo, 29 de maio de 2011

Lendas e Tradições do Solar (Quinta) de Ribafria - Revista "Cyntra", número 4, de 1908


© Pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


A torre dos Ribafria

"O Solar de Ribafria foi mandado edificar em 1541 por Gaspar Gonçalves, a quem D. Manuel I, por alvará de 16 de Setembro desse ano conferiu o senhorio de Riba-Fria, dando-lhe um brasão de armas, e permitindo-lhe usar esse apelido.

Além do seu valor histórico, o palácio de Riba-Fria é digno de nota pela sobriedade e correcção de linhas da sua arquitectura genuinamente manuelina, constituindo um dos mais belos exemplares da antiga arquitectura civil portuguesa.

Sobressai do seu todo uma torre quadrangular de pouco mais de trinta metros de altura, erguendo-se altiva no verdadeiro vale, junto ao rio de Lourel, na base da encosta que domina. Foi essa torre construída, segundo reza a lenda, para que o proprietário de Riba-Fria dali pudesse avistar Penha Verde, que a esse tempo lhe pertencia, como descendente do fundador D. João de Castro; querem porém outros que ele se destinasse apenas para se poder avistar o mar, o oceano imenso, a que se prendiam as nossas tradições guerreiras, os arredores sublimes de toda a glória cavalheiresca de uma época, cuja história é um poema. No ângulo do poente dessa torre, está o escudo de Riba-Fria esculpido em pedra. Merecem especial menção, o grande tanque em cujas águas tranquilas se espelha em toda a extensão o vetusto edifício, e uma magnífica cisterna, com uma vasta sala com a sua abóboda de cantaria apoiada em arcos e colunas de eterna solidez.

Os muros ameados da Quinta de Ribafria

É também tradição que foi nesse palácio, outrora sumptuoso, que o rei afortunado D. Manuel I, patrocinado por Gaspar Gonçalves, bastas vezes se deleitou em aventuras amorosas, com certa dama da sua predilecção. Ali se deram festas principescas, e bailes de grande esplendor, onde se reunia tudo que de mais nobre e distinto nessa época existia.
Chegou até nós esta lenda dos tesouros de Riba-Fria:
Um dos descendentes de D. João de Castro, escondeu na torre do palácio importantes tesouros que trouxera da Índia, e receando qualquer assalto nunca daí os tirara, devendo ter permanecido ocultos, em parte ignorada, ainda muito depois da sua morte.

Outra versão diz-nos:

A entrada para a Quinta de Ribafria
Que tendo falecido repentinamente um velho serviçal, conhecedor do local onde se ocultava o tesouro, dali o retirara, e para que não fosse descoberto esse furto, enterrara a maior parte dessas jóias, por diversas partes do arredor do palácio. Esta segunda versão veio avigorar-se ainda mais no espírito crédulo do povo, quando, pelos anos de 1875 a 1877, numa pedreira em exploração ali próximo, foi encontrado um bracelete de ouro maciço com 1600 gramas de peso, e que foi objecto de larga disputa entre o proprietário da pedreira e o dos terrenos contíguos, decidindo-se o pleito ao cabo de vinte anos.
Interiores
Faria esta jóia parte do tesouro de Riba Fria? É possível. O que é fora de dúvida é que no palácio ou na torre nada existia, tendo sido infrutíferas todas as buscas ali realizadas há mais de vinte anos, quando o palácio saiu da posse da casa do Conde de Penamacor, para um novo proprietário. No entanto, há ainda quem afirme que nessas buscas alguma pequena parte do tesouro foi encontrada pelos operários, na ausência do proprietário, que nunca dela teve conhecimento."


© O Caminheiro de Sintra

P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), a Quinta dos Ribafria em Sintra, Portugal:


Ver mapa maior

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Palácio da Pena e Lisboa: "Presença de Lisboa na Arquitectura do Castelo da Pena"



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


Retrato de D. Fernando II
  Da revista municipal Lisboa de há quase vinte cinco anos atrás - mais precisamente do ano de 1986 - consta um excelente artigo intitulado Presença de Lisboa na Arquitectura do Castelo da Pena.

  Para além de inúmeras referências ao Palácio da Pena dignas de registo para quem por ele se interessar, o referido artigo tem um efeito curioso que é o de organizar dentro da mente de quem o leia, aquilo que muitos já se terão apercebido, mas que possivelmente nunca o estruturaram mentalmente ou analisaram com a clareza que nele é notória:

"O Castelo da Pena, essa estranha e tão sedutora criação de D. Fernando II e do arquitecto Barão de Eschwege, é, no seu aspecto arquitectónico, uma obra híbrida, na qual avulta a sua feição de revivalismo. Tem pormenores inspirados em variados estilos (1). Aí encontramos também a presença do manuelino, aspecto que Raul Lino valorizou pelo seu carácter prioritário, mas sem pormenorizar infelizmente: «é digno de nota o terem-se aproveitado aqui (na Pena) pela primeira vez elementos de arquitectura nacional, nomeadamente manuelinos». (2)


Decorridas cerca de três décadas, Diogo de Macedo, simultaneamente um escultor e um estudioso, um historiador e um crítico de arte que nos legou páginas com reais méritos, assim apreciou a mesma faceta desse monumento: «no culto de um nacionalismo delirantemente concebido, só a preocupação imitativa de velhos estilos, em total fantasia cenográfica se tornaria notória pelo barroquismo pitoresco e compósito que o rei D. Fernando fora o primeiro a adoptar nas obras do palácio da Pena, em Sintra. Romantismo evocativo que, sobretudo viria a perturbar pelos pastiches imprevistos».(3)


Tal como Raul Lino, Diogo de Macedo mantém os seus comentários num plano de generalidade.


Quanto ao Prof. José-Augusto França, nas suas magistrais e penetrantes páginas dedicadas ao Castelo da Pena, aponta no mesmo sentido dois aspectos particulares: o «Pórtico de Tritão, imitação da Porta da Justiça de Alhambra, de Granada, cujas plantas e levantamentos foram riscados por encomenda de D. Fernando», assim como «a imitação da famosa janela da Sala do Capítulo do Convento de Cristo em Tomar», apreciando-a, com o seguinte comentário: «A cópia infiel da Janela do Capítulo denuncia a involuntária caricatura romântica - que, neste caso, agindo sobre um elemento decorativo de um estilo ornamental lhe faz a crítica... Decoração em segundo grau, decoração de decoração, o desenho romântico desfaz-se, desfazendo também o original manuelino, a sua insuficiência arquitectural de aplique.
Janela do Capítulo, no Convento de Cristo em Tomar (imagem não presente no artigo original)
Formalmente, D. Fernando tornou pesada a esbelteza do desenho de Castilho e invertendo de propósito a posição da janela e da rosácea (que perdeu densidade realista), tudo reduziu a uma ilustração. O gigante ou Tritão que ele desenhou para a fachada oposta é uma ampliação brutal da estatueta que termina inferiormente a janela de Tomar — e aí algo de fantástico passou à pedra, com raríssima manifestação de sobrenatural do romantismo entre nós». (4)
Ser semelhante ao Tritão do Palácio da Pena, na base da Janela do Capítulo no Convento de Cristo em Tomar (imagem não presente no artigo original)
Parece-nos haver interesse assinalar, em especial numa revista olisiponense como esta, encontrarem-se, entre as imitações existentes no Castelo da Pena, diversas originais da cidade de Lisboa.
Porta antecedendo a Ponte Levadiça tem nas ombreiras e na parte superior uma decoração cuja semelhança com a do Cunhal das Bolas no Bairro Alto, em Lisboa, é evidente
Aspecto do Cunhal das Bolas

Aprendiz Maçon, Loja Luz do Sol ou a Maçonaria em Sintra - Parte VII



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra


 Terceiro de quatro artigos de José Alfredo da Costa Azevedo, sobre a loja maçónica Luz do Sol, publicados no Jornal de Sintra, no século XX, e posteriormente publicados nos volumes do autor "Velharias de Sintra":

"Jacinto (não me recordo do apelido). - Era comerciante com estabelecimento de fanqueiro, na Avenida Heliodoro Salgado, onde está hoje a loja de António Capote.

Era eu garoto, lembro-me muito bem, todo o prédio foi destruído por um incêndio que deflagrou no estabelecimento.

O Jacinto suicidou-se algum tempo depois.


domingo, 26 de dezembro de 2010

Palácio Nacional da Pena - Parte III


© Pesquisa e transcrição: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: Adriana Sousa Duarte
Imagens: ver créditos fotográficos no final deste artigo



  Continuação da transcrição do documentário de Adriana Sousa Duarte sobre o Palácio Nacional da Pena, com a participação do ex-director do Palácio da Pena, José Martins Carneiro.

Parte III

Continuando pelo nosso percurso, vamos conhecer o interior deste palácio. Ao subirmos as escadas de dois lances em forma de “u” deparamo-nos com o claustro do convento dos frades jerónimos, de estilo Manuelino. Trata-se de um espaço lindíssimo, onde a arcaria e os feixes do abóbadado reflectem a solenidade de uma atmosfera tranquila. Tem dois pisos, com arcada de arcos plenos no primeiro, e abatidos no segundo. À volta destes, dispõem-se algumas das principais salas. Este ambiente é praticamente todo original, tendo sido guardados mesmo os azulejos policromáticos. Esta estética azulejar variada foi colocada e ajustada aos diversos espaços rectangulares disponíveis.

Palácio da Pena, Serra de Sintra

Essencialmente estão presentes azulejos hispano-árabes Maneiristas tipo xadrez, e tipo tapete, onde a policromia varia com a luminosidade, e até com o nevoeiro de cada dia. A ideia de colocar esta manta de retalhos de azulejaria foi do próprio rei, que foi buscar estes pequenos quadrados aos armazéns do estado, criados pelo Marquês de Pombal aquando do célebre terramoto de Lisboa.

Azulejos de Wenceslau Cifka

Somos convidados agora a entrar na copa principal, que dá acesso à casa de jantar privada da família real. O tecto desta sala é ainda do tempo dos frades jerónimos do século XVI. Passamos a seguir aos aposentos do rei D. Carlos I, assim como o seu atelier de pintura. De seguida, detemo-nos numa antiga cela dos monges, com a sacristia e o coro numa planta em “L”. Destaque para o vitral da janela central da nave, uma obra produzida em Nuremberga na Alemanha, em 1848, tratando-se de uma homenagem a Portugal e à sua expansão no Mundo. Aqui vemos o rei D. Manuel I que segura num Conventinho da Pena, mais além vê-se Vasco da Gama que regressa da Índia com os navios ao fundo, enquanto que em cima estão Santa Maria e São Jorge, e mais em cima podemos divisar a heráldica da casa de Saxe Coburgo Gotha e da casa de Portugal.

Retábulo de Nicolau de Chanterene

Na igreja destaca-se o retábulo de alabastro do mestre Nicolau de Chanterene, que trabalhou toda a vida em Portugal. Entre 1530 e 1532, esteve em Sintra a criar este retábulo. Esta obra transmite delicadeza, expressão, leveza, e transparência. Este painel na verdade, é uma novidade para a altura, na medida em que já não tem nada de manuelino e sim, é pura renascença.

Ponte Levadiça do Palácio da Pena

Situados no piso superior da galeria das antigas celas do Convento que foram remodeladas, estão os quartos da família real. O primeiro quarto, o Quarto das Damas de Companhia tem um notável trabalho de estuques. No tecto encontramos uma representação de troncos de árvores com pinhas à mistura. As paredes imitam madeira, dando à dependência uma área de distinção e sobriedade. Este admirável trabalho de estuques está bem patente também no segundo quarto, o Quarto do Veador com temas florais. Passemos agora ao quarto da rainha Dona Amélia, que inclui um exímio trabalho de decoração atribuido ao pintor-desenhador António Januário Correia, criando-nos a sensação de estarmos no interior de uma sala árabe.

Gárgula do Palácio da Pena

No seguimento do nosso périplo pelo interior do Palácio, passamos pelo Quarto de Vestir da Rainha, pela Sala de Estar da Família Real, e pelo Escritório da Rainha. D. Amélia foi a última Rainha de Portugal, esposa de D. Carlos I. Embora o Palácio não tenha sido construido em sua geração, ela foi a maior utilizadora e apreciadora deste castelo.

Janela Para o Pátio dos Arcos do Palácio da Pena

José Martins Carneiro: "A última figura real que habitou, vivou, o Palácio da Pena. E se nos exteriores nós temos de prestar toda a nossa vassalagem e toda a nossa homenagem a D. Fernando II, os interiores, as ambiências decorativas do interior devemo-lo sim ao gosto da última rainha de Portugal, Dona Amélia de Orlean e Bragança. Nitidamente."

Pátio dos Arco, Palácio da Pena

Narrador: Esta foi a razão porque tantos espaços foram atribuidos a ela.

Finalmente chegamos à Sala Árabe, uma das mais belas salas de todo o Palácio. Integralmente pintada Trompe-l'Oeil por Paolo Pizzi. Sendo uma sala de pequenas dimensões, as pinturas conferem-lhe profundidade e relevo, dando-lhe uma dimensão quase irreal. Faz parte das dependências privadas da Rainha, um terraço o qual pode ser acedido pela sala de estar privada, ou através de um átrio de passagem.

Parte da Ronda da Guarda, Palácio da Pena

Daqui se avista a parte fernandina do Palácio, e todo o movimento de volumes que dão à arquitectura exterior do monumento, uma dignidade e uma racionalidade inimaginável. Atenda-se que toda a construção do Palácio está assente sobre grandes rochedos, e consequentes grandes desnivelamentos do terreno, o que transforma numa maior magnitude a grandeza do bastião arquitectónico do romantismo.

Lendas do Palácio da Pena

É do terraço da rainha que nos apercebemos imediatamente da relação directa do interior com o exterior do Palácio, e deste, com o imenso manto verde que o envolve. Na Sala Indiana destacamos o gosto pelo rendilhado e pelo escultórico, de tal forma que não conseguimos encontrar o limite entre a escultura e as artes decorativas."


© O Caminheiro de Sintra

Créditos fotográficos:
1ª fotografia: autor Flickr J. A. Alcaide
2ª fotografia: autor Flickr Samuel Santos
3ª fotografia: autor Flickr Samuel Santos
4ª fotografia: autor Flickr Eric-P
5ª fotografia: autor Flickr Tony Moorey
6ª fotografia: autor Flickr Jürgen Stemper //
7ª fotografia: autor Flickr bartb_pt
8ª fotografia: autor Flickr Harshil.Shah
9ª fotografia: autor Flickr Pedro Moura Pinheiro
P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (balão "A" - para ver melhor poderá ampliar), o Palácio da Pena em Sintra, Portugal:

domingo, 31 de outubro de 2010

Templários e Latim - "apud" e Sintra - Segunda Adenda da Errata à Tradução da Doação de D. Afonso Henriques a Gualdim Pais



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra




  Como segunda adenda desta errata da tradução da carta de doação de D. Afonso Henriques a Gualdim Pais alusiva a Sintra, e já depois de na primeira se ter abordado o termo “Grão-Mestre” no que toca à denominação do responsável máximo pelos Templários em Portugal do século XII ao século XIV - e também o facto de a tradução por mim realizada dentro do Secreto Palácio de Sintra não ter afinal sido a primeira - esta segunda parte foca-se na tradução do termo apud, do latim para o português, na supracitada tradução.

  Depois dessa ter sido realizada e revista, existia algo no documento que não se estava a coadunar com outros escritos que à luz da vela que se encontram em desenvolvimento no Secreto Palácio de Sintra, e que têm que ver com a presença Templária em Sintra.

  Ora esses opus em tudo apontavam para que os Templários tivessem tido uma forte presença em Sintra, ou pelo menos nos limites daquilo que à altura era definido como Sintra.

  O próprio Foral de Sintra diz que: “In primis damus vobis XXX casales cum suis hereditatibus in ulixbona XXX populat oribus qui in presenti illud castellum populatis…” [Francisco Costa: “Em primeiro lugar, damo-vos trinta casais com suas fazendas em Lisboa, a vós trinta povoadores que ao presente povoais aquele castelo…”]. A pergunta que com naturalidade surge, é porque sendo os beneficiados de Sintra recebiam casais em Lisboa.

  A utilização do termo “in” é ablativa, e com clareza quer dizer “em”, o que vem dar um reforço à ideia de que os benefícios de que poderiam usufruir, teriam que ser mesmo em Lisboa, ou tanto quanto a lógica nos poderá levar de seguida, não poderiam ser em Sintra. Porquê esta divisão tão acentuada?

  Na época da presença romana, e de acordo com a cultura e organização romana, as terras tinham os seus limites muito bem definidos, formando assim fora das grandes cidades, municípios, com todas as regulamentações, direitos e deveres, que lhes eram adstritos. Depois da queda do Império Romano, e com o desfalecimento de toda a sociedade romana, os povos que vieram ocupar esta zona da Península, apesar de se terem introduzido e estabelecido com as suas culturas próprias, não foram capazes de desenvolver moldes de sociedade diferentes daqueles que ainda subsistiam como traços do Império Romano.

Templários em Portugal - Mestre e Grão-Mestre - Primeira Adenda da Errata à Tradução da Doação de D. Afonso Henriques a Gualdim Pais



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: O Caminheiro de Sintra




 Depois da tradução da carta de doação de D. Afonso Henriques a Gualdim Pais alusiva a Sintra, e colocada no Secreto Palácio de Sintra, e pela fortuna de alguns leitores terem apontado alguns possíveis erros, vi-me na necessidade de realizar duas adendas para compor um errata, sendo esta uma delas.

 Para que tal fosse possível, é necessário deixar um especial agradecimento ao companheiro de caminho Degraconis, pela forma privada como abordou também ele os meus erros, fazendo uso de delicadeza e tacto, bem como pelo facto de ter informado que a tradução não foi realmente a primeira a ser realizada - a primeira tendo sido de Frei Bernardo da Costa (“Historia da Militar Ordem de Nosso Senhor Jesus Christo”) e contendo um importante erro de tradução abordado na segunda adenda desta errata - e ter sugerido algumas obras, entre as quais aquelas em que estas duas adendas se baseiam, no que à história dos Templários toca.

 Inicialmente, gostaria de dizer que a data indicada na tradução (Era Hispânica ano de 1199, correspondendo a 1161 d.C.) não corresponde à realidade histórica. Isso porque em 1161 d.C. a Rainha Mafalda - que também assina o documento em questão - já não era viva, tendo falecido em Dezembro de 1158 d.C. Esta data referem-na a título de exemplo, Frei Bernardo da Costa (obra já citada), e o Visconde da Juromenha no “Cintra Pinturesca”. Viterbo refere que não seria de 1199, mas sim de 1180 (em sua consulta ao documento, no cartório de Tomar, tomando-o como original). Acontece que Gonçalo de Sousa, o dapifer responsável pela elaboração do documento, só ocupou o cargo a partir de Abril de 1157 d.C., o que tendo sido na era de 1180, seria equivalente a 1152 d.C. - logo, impossível. Infere-se assim, que a data real do documento deverá situar-se entre 1157 d.C. e 1158 d.C. - o que se supõe que está na origem destes erros que acabam por acontecer frequentemente em documentos com muitos séculos, é que devido à degradação dos mesmos, quando eram transcritos não eram feitos os cálculos correctos tendo em conta a data em que estavam, a data dos documentos, e a Era Hispânica.

“…tem a ver com a questão de que sendo Gualdim Pais à altura Grão-Mestre da Ordem dos Templários em Portugal, as ditas casas…”

  Esta foi a passagem que por ser uso corrente de muitos - em especial daqueles que não convivem diariamente com o tema dos Templários - é frequentemente utilizado “Grão-Mestre” para referir o grau máximo da Ordem do Templo à altura da sua presença activa no reino de Portugal (séc. XII a XIV).

  Para além da própria denominação em si, baseando-me no “Elucidario das Palavras, Termos e Frases que em Portugal antigamente se usaram” de Joaquim de Santa Rosa de Viterbo - obra do século XVIII - realizei uma pesquisa que julguei ir ao encontro de tornar o documento que esta adenda originou, ainda um pouco mais claro, como se verá mais à frente.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

D. Carlota Joaquina e a Quinta do Ramalhão - A Lenda do Agente Secreto de D. Carlota Joaquina



© Pesquisa, e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra



Na Quinta do Ramalhão

 Luís Garcia de Bívar, criou a Quinta do Ramalhão partindo apenas de um velho casal agrícola que no local já existia em 1470, criando também o Aqueduto do Ramalhão - isto em 1744.

 Em 1768 foi criado o Palácio do Ramalhão, através de D. Maria da Encarnação Correia, ao que logo a seguir se deu a breve estadia de William Thomas Beckford em 1787.

O Arco do Ramalhão
 D. Carlota Joaquina de Bourbon esteve por diversas vezes após 1802 no Palácio do Ramalhão, tendo mesmo aí chegado a viver após recusar jurar a Constituição Portuguesa de 1822.

 De um autor de nome César da Silva, chega-nos a Lenda do Ramalhão, ou a Lenda do Agente Secreto de D. Carlota Joaquina:

"Do outro lado da fronteira tinha ela seu irmão em condições quase idênticas às suas. Cativo se encontrava ele também, por assim dizer, em Cádiz, onde os constitucionais vitoriosos, para segurança própria, o vigiava cautelosamente. E aí, nesse cativeiro, amargava Fernando VII as violências que fizera praticar quando tomara conta do ceptro castelhano.


D. Sebastião e Sintra no livro "Cartas de Sintra" de Alfredo Pinto - "Um Sorriso de Aurora"



© Pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


"Fui motivado por esta visão que eu me recordei duns certos amores que o rei português sentiu aqui em Sintra, por uma fidalga portuguesa. Ora Dom Sebastião, que foi um grande dançarino, não poderia amar à vontade? – À primeira vista parece que sim, mas lendo a crónica, o infeliz rei foi contrariado nos seus propósitos.

A história deste amor tem a duração do sorriso das auroras, nasceu, viveu, e logo morreu…Morreu?!... não digo bem, pois os amores foram gravados na alma, e esta é imortal.

Vou-te contar que esta pequenina tragédia, entre dois jovens corações; aqui em Sintra, na Serra, puderam vibrar à vontade por uns momentos, longe da corte, que já nesses tempos como hoje, foi sempre um antro de intriga.

O Duque de Aveiro, Dom Jorge de Lencastre teve uma filha única, dizendo a crónica que era, “dama formosa”, bem feita e muito esperta. Chamava-se Juliana e tinha 16 primaveras.



Era tão querida na Corte, que foi criada no Paço e protegida pela rainha Dona Catarina.

Dom Sebastião enamorou-se de D. Juliana com tanto ardor, que em pouco tempo na Corte não se falava de outra coisa. Dona Catarina, o Cardeal D. Henrique e toda a fidalguia fizeram uma tenaz guerra àquela paixão, tendo havido o descaramento de dizerem ao duque, para casar a filha com um fidalgo qualquer, dando-lhe a Corte honras e mercês.

O Duque de Aveiro, que percebeu bem o fim de tais promessas, ia deixando passar o tempo, fazendo, o que ainda hoje muitos pais fazem, vista grossa.

Ora D. Sebastião ia continuando fazendo namoro à fidalguinha, mas, pelo que vejo na crónica, não tinha muitos momentos para estar à vontade com a sua apaixonada, e tendo em mira poder-lhe dizer certos segredos, e mesmo trocar talvez algum beijo, combinou uma grande caçada aqui em Sintra, para os lados dos Capuchos.



O Palácio da Pena no relato do Príncipe Lichnowsky - Sintra, Vígia da Índia



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


o Príncipe Lichnowsky
 Nas memórias do Príncipe Lichnowsky, encontramos um excerto sobre Sintra, que fala sobre o Palácio da Pena e elogia a sua belíssima localização, bem como o local de espera de D. Manuel I das naus vindas da Índia, que o levou a criar o Mosteiro de Nossa Senhora da Pena, edificação original e pré-Palácio da Pena, da mesma ordem religiosa e do mesmo tempo do Mosteiro dos Jerónimos.

"A doze milhas náuticas do Cabo de Peniche dobrámos o alto promontório do Cabo da Roca, chamado comummente pelos marítimos ingleses “the rock of Lisbon”, e que forma a última rasificação da serra, que de Sintra se dirige para o oceano.
entrada do Palácio da Pena, início do século XX
Em um dos mais elevados cabeços vê-se meio envolvido em nuvens o Castelo da Penha. Parece daquela posição sobranceira imperar livre e ousadamente sobre o mar, e a terra. Esta formosa Penha que eu mais tarde tantas vezes, e com tanto prazer visitei, afigurou-se-me sempre como habitação de uma águia real; e seguramente foi um feliz pensamento do príncipe cavalheiresco, que a Alemanha deu como rei a este país, edificar seu castelo feudal sobre aquele cume, onde El-rei D. Manuel ia todos os dias aguardar o regresso da frota de Vasco da Gama."

© O Caminheiro de Sintra