colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


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terça-feira, 1 de maio de 2012

Fonte dos Amores em Sintra - com contributos para Colares



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo d'O Caminheiro de Sintra


Fontaine des Amours, Fonte dos Amores em Sintra por Célestine Brélaz
em 1840 
    Quem nunca ouviu falar na Fonte dos Amores, em Sintra? Na Fonte dos Amores, no Caminho da Fonte dos Amores… Ou até talvez tenha ouvido na sua forma mais arcaica, Passeio dos Amôres... Celebrizada por Eça de Queirós numa enumerativa passagem das maravilhas de Sintra em Os Maias, ou da mesma obra numa carta de João da Ega, dizendo… e vêr o que estão fazendo os myosotis junto á meiga fonte dos Amores...

    Mas sem dúvida que a primeira, a enumerativa, é a mais usada. Dir-se-á antes: a mais gasta - no agastante ofuscar do turismo.

Cascata dos Pisões, muitas vezes confundida com
a Fonte dos Amores em Sintra
    Todavia, sendo tão mencionada no cansativo badalar da dita expressão, não se ouve, não se sabe quem diga onde a Fonte dos Amores fica. Contribui para isso o facto de essa ficar em propriedade privada, circunstância essa que quer em relação à Fonte dos Amores, quer em relação a qualquer outro item do património, deverá sempre ser respeitada, pela lei, e acima de tudo, pela liberdade individual de cada um, ou no conhecer dos limites dessa. Pergunta-se porque ainda o refiro? Porque infelizmente é prática comum ceder-se à vontade, ao invés de manter bem definida e bem visível, a fronteira do respeito.

    Outra das razões talvez seja também o facto de ser uma denominação comum em Portugal. Vem de imediato à memória, a Fonte dos Amores em Coimbra, palco de uma das mais belíssimas histórias de amor da nossa cultura. E é curioso que esse pequeno palco da história de Pedro e Inês - em consumação de eterno amor tumularmente voltados um para o outro - é situado na Quinta das Lágrimas, também conhecida como Quinta do Pombal. Engraçado porquê? Adiante o verá.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Damião de Góis e os Tritões de Sintra - A Fantástica Descrição do Século XVI


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra (duas primeiras imagens); (restantes imagens e respectivamente) autores Flickr Grosvnor, Donnr MB, prebelo


Damião de Góis, Urbis Olisiponis Descriptio

 O fantástico sempre se encontrou presente no passado da história, algumas vezes escondendo-se nos mais inesperados sítios. No seu Urbis Olisiponis Descriptio, ou em português Descrição da Cidade de Lisboa, de 1554, Damião de Góis menciona algumas vezes a zona da Serra de Sintra e do Cabo da Roca.

 O mais admirável torna-se contudo, as suas palavras acerca de relatos de Tritões quer na costa Sintrense, quer na entrada Tejo acima, relatos dos tempos da Roma Antiga, bem como outros de Damião de Góis contemporâneos.

 Curioso é também aquilo que facto aparenta ser, de nunca ninguém ter relacionado de forma que seja, este relato com a Janela do Tritão no Palácio da Pena.

Descrição da Cidade de Lisboa, 1554
"Não me atrevo a estabelecer sem bases a origem do nome de Lisboa; talvez isso parecesse a muita gente um caso fabuloso - tão fabuloso como aquele facto que Varrão foi buscar a Justino, o qual escreve que "na Lusitânia, onde está a cidade de Lisboa, no monte Tagro, as éguas ficam prenhes só pelo vento".

Note-se que Plínio e Solino admitem igualmente este facto. Contudo, o mesmo Justino referindo-se a isto, assevera, com afinco, que tal opinião é errónea. "Na Lusitânia", diz ele, "conforme muitos autores narraram, junto ao rio Tejo, as éguas concebem por meio do vento. Mas estas lendas são originadas por causa da fecundidade das éguas e da grande quantidade das manadas; pois estas são em tão grande número na Galiza e na Lusitânia e correm tão velozes que não sem razão parecem concebidas pelo próprio vento."

Esta explicação de Justino realmente não me desagradaria, se os físicos não tivessem razões para provar que a Natureza costuma produzir e procriar muitas coisas sem as fêmeas terem contacto com machos. E assim, Dom Rodrigo, arcebispo de Toledo, admite, na sua História, com grande soma de argumentos, aquele passo de Varrão.

"...inesperadamente saltou para um rochedo um tritão macho, com a barba comprida, longos cabelos, peito crespo, rosto não muito disforme, e aspecto perfeitamente humano."

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lenda da Fonte dos Noivados em Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra


A Fonte dos Noivados na Serra de Sintra
Da Eugaria, próxima de Colares em Sintra, encontrou-se na Biblioteca Municipal de Sintra a seguinte narrativa "recolhida a idónea senhora".

"Próximo da graciosa localidade da Eugaria, existia modesta fonte de finíssima água, que tem a sua história. Na noite de São João, não faltava nenhuma das raparigas daquelas paragens, a vir à meia-noite beber água e lavar-se nessa fonte, romagem que diziam elas lhes deparava noivos.

Parece, assevera a tradição, que aquele sistema hidro-matrimonial dava seguros resultados. Nenhuma deixava de se casar."



© O Caminheiro de Sintra


P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), a Fonte dos Noivados em Sintra, Portugal:



Ver mapa maior