colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Subterrâneos de Sintra - Nova Colecção! (número 10)



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


nichos que se encontram na Serra de Sintra

Sintra, naqueles que a visitam ou simplesmente naqueles que com emotivas palavras dela ouvem falar, expande-se por si, no imaginário desses, preenchendo esse espaço da forma mais romântica e fantasiosa.
O Monte da Lua, como também é conhecida a Serra de Sintra, guarda em seu manto verde, na misteriosa neblina, e nos túneis e nichos, sentimentos que são avivados por aqueles que os vêem ou que por eles passam.

as grutas feitas por mão Humana,
que dão ênfase ao misticismo de Sintra

Essa fantasia, esse enlevado romantismo, cria consoante as crenças do que a vida é, pendores para que essas ganhem mais força dentro da vida de cada um, através das emoções que ao serem avivadas, desejam confirmar-se para que cada um viva mais seguro de si.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Damião de Góis e os Tritões de Sintra - A Fantástica Descrição do Século XVI


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra (duas primeiras imagens); (restantes imagens e respectivamente) autores Flickr Grosvnor, Donnr MB, prebelo


Damião de Góis, Urbis Olisiponis Descriptio

 O fantástico sempre se encontrou presente no passado da história, algumas vezes escondendo-se nos mais inesperados sítios. No seu Urbis Olisiponis Descriptio, ou em português Descrição da Cidade de Lisboa, de 1554, Damião de Góis menciona algumas vezes a zona da Serra de Sintra e do Cabo da Roca.

 O mais admirável torna-se contudo, as suas palavras acerca de relatos de Tritões quer na costa Sintrense, quer na entrada Tejo acima, relatos dos tempos da Roma Antiga, bem como outros de Damião de Góis contemporâneos.

 Curioso é também aquilo que facto aparenta ser, de nunca ninguém ter relacionado de forma que seja, este relato com a Janela do Tritão no Palácio da Pena.

Descrição da Cidade de Lisboa, 1554
"Não me atrevo a estabelecer sem bases a origem do nome de Lisboa; talvez isso parecesse a muita gente um caso fabuloso - tão fabuloso como aquele facto que Varrão foi buscar a Justino, o qual escreve que "na Lusitânia, onde está a cidade de Lisboa, no monte Tagro, as éguas ficam prenhes só pelo vento".

Note-se que Plínio e Solino admitem igualmente este facto. Contudo, o mesmo Justino referindo-se a isto, assevera, com afinco, que tal opinião é errónea. "Na Lusitânia", diz ele, "conforme muitos autores narraram, junto ao rio Tejo, as éguas concebem por meio do vento. Mas estas lendas são originadas por causa da fecundidade das éguas e da grande quantidade das manadas; pois estas são em tão grande número na Galiza e na Lusitânia e correm tão velozes que não sem razão parecem concebidas pelo próprio vento."

Esta explicação de Justino realmente não me desagradaria, se os físicos não tivessem razões para provar que a Natureza costuma produzir e procriar muitas coisas sem as fêmeas terem contacto com machos. E assim, Dom Rodrigo, arcebispo de Toledo, admite, na sua História, com grande soma de argumentos, aquele passo de Varrão.

"...inesperadamente saltou para um rochedo um tritão macho, com a barba comprida, longos cabelos, peito crespo, rosto não muito disforme, e aspecto perfeitamente humano."

domingo, 26 de dezembro de 2010

Lendas de Sintra


  Abril de 2010, foi quando o Secreto Palácio de Sintra do nada se ergueu.

  Desde esse momento e nos seis meses que se lhe seguiram, foram publicados mais de 40 artigos sobre Lendas de Sintra, Mistérios e História, mais de 40 vídeos com a assinatura das Lendas do Secreto Palácio de Sintra foram colocados online, e ao longo desses primeiros seis meses este espaço recebeu mais de 40 mil visitas - as quais agradeço, tal como de igual modo também a si que agora lê estas palavras lhe fico grato.

 Do que aqui foi feito, os leitores puderam observar só o resultado final das investigações, o culminar objectivo de um percurso muitas vezes abstracto e errante, muitas memórias ficando no entanto por contar.

  Por este espaço ter uma linha editorial muito precisa, eu, o Caminheiro de Sintra, tentei sempre - com o fim de os leitores terem o melhor produto final possível - ser o mais objectivo, o mais impessoal, e o mais imparcial possível, sempre sentindo, que os leitores muito mais gostariam de saber.

  Até mesmo o espaço Contos de Sintra com conteúdo exclusivo da minha autoria, foi criado à parte das Lendas do Secreto Palácio de Sintra, de modo a terem ambos os seus objectivos e a sua individualidade própria.

  Por isso mesmo decidi criar um outro espaço que ao Secreto Palácio de Sintra será paralelo - continuando este com a sua linha editorial concisa, para que os leitores o possam aproveitar da melhor maneira - e que será onde muito do que fica por dizer, será por fim escrito, para que quem de fora está se possa inteirar de forma mais profunda, dos meandros que giram à volta de, e dentro de Sintra.

  O nome escolhido foi Lendas de Sintra, pois que como por quase todos é assumido, as lendas contêm sempre um fundo de verdade. Creio porém que para além das alusões e informações que vejo como necessário de serem divulgadas para que os leitores possam ter cada vez mais cor no quadro de Sintra que dentro de sua mente cada um para si pinta, decerto que as anotações e memórias que contarei, na sua realidade tornarão banal a mais prodigiosa fantasia.

  Ou talvez não. É tudo uma questão de se ser ou não surpreendido, e para isso o peso que a vida vivida tem, é juíz que sentença dita. Espero no entanto, nas lendas ou na realidade, ou na realidade que lenda aparente ser, contribuir para um maior espicaçar de curiosidade acerca de Sintra, tal como contribuir para o tempo dispendido pelos leitores que as minhas palavras continuarem a ler.


© O Caminheiro de Sintra


Lendas de Sintra em: http://lendas-de-sintra.blogspot.com

Memória de Uma Noite nos Capuchos - Contos de Sintra da Autoria do Caminheiro de Sintra

Contos de Sintra Pelo Caminheiro de Sintra - Memória de Uma Noite nos Capuchos



 

EXCERTO DO LIVRO "CONTOS DE SINTRA":
MEMÓRIA DE UMA NOITE NOS CAPUCHOS - CONTO PRIMEIRO

(consta do livro a ser publicado até ao fim do Verão de 2011)




    "De mim, da minha pessoa, que poderei eu contar-lhe a si, meu caro leitor? Que a Sintra, à comunidade capuchinha ali tinha ido parar, num dos laivos que meu inesperado desígnio até ali sempre tinha sido, e que para além dali sempre foi.
    Que desígnio? Se lho dissesse, decerto não o compreenderia, mas contar-lhe posso que apaixonado pelo mistério da vida, havia já eu percorrido múltiplos caminhos longe de entre si paralelos esses serem. Se lho escrevesse, se lho contasse, as distâncias a que já por essa altura havia estado, as culturas em que já me havia movido, decerto que o negaria em sua crença, tendo em conta o meu parco terço de longa vida à altura aventuradamente vivida.
    Noviço me havia tornado comendo aquele fruto, que em indeterminado tempo da árvore cai, e que em estranho momento - que momento certo é para qualquer vida - fruto se apanha, se come com deliciada delicadeza, e que em si contém a ideia da abnegação, do desconforto, e de tudo aquilo que disso se possa extrair através dos mais inocentes e românticos sentimentos. Enfim, esperava que fosse isso fruto outro que dentro de mim germinaria com a delícia que aquela semente que ali desembocando tinha eu plantado, e que corpo nodoso e ramificante me parecia certo que tomasse. A realidade mostrava-se porém tão diferente e estéril no cerne de sua semente, como aquilo que alguém pensa conhecer da imagem que transmitida recebe, do que ali no Convento dos Capuchos se vivia."



© Direitos de Autor Registados no IGAC

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Augusto Morgado, Sintra, Jornal Época de 12 de Agosto de 1972

Se procurava algo de "Augusto Morgado" no Jornal Época de 12 de Agosto de 1972, então tem o trabalho facilitado.

Lenda da Fonte dos Noivados em Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra


A Fonte dos Noivados na Serra de Sintra
Da Eugaria, próxima de Colares em Sintra, encontrou-se na Biblioteca Municipal de Sintra a seguinte narrativa "recolhida a idónea senhora".

"Próximo da graciosa localidade da Eugaria, existia modesta fonte de finíssima água, que tem a sua história. Na noite de São João, não faltava nenhuma das raparigas daquelas paragens, a vir à meia-noite beber água e lavar-se nessa fonte, romagem que diziam elas lhes deparava noivos.

Parece, assevera a tradição, que aquele sistema hidro-matrimonial dava seguros resultados. Nenhuma deixava de se casar."



© O Caminheiro de Sintra


P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), a Fonte dos Noivados em Sintra, Portugal:



Ver mapa maior

terça-feira, 6 de julho de 2010

Lenda de Monserrate - Sintra

© Pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Manuel Gandra
Imagens: autores Flickr (respectivamente) zip 95Portuguese_eyes



O Palácio de Monserrate em tons
pouco usuais
"Numa colina isolada, a meio de estrada velha que vai de Sintra a Colares, e cerca de um quilómetro da
Penha Verde, encontra-se o Palácio de Monserrate. À direita fica-lhe a Quinta do Cadaval. Ao cimo vê-se a montanha coberta de arvoredo.


Foi fundado perto do local onde havia uma antiga ermida com a invocação de Nossa Senhora de Monserrate.
Diz a tradição que nos tempos do domínio árabe morou naquele sítio, no alto da Penha, um moçárabe ou fidalgo cristão, que tinha grande predomínio com todas as famílias cristãs que habitavam a serra.

A Lenda de Agharta e os Subterrâneos de Sintra (Agharti, Agartta, ou Agartha)


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra




  Repleta de subterrâneos, a Serra de Sintra toma sempre proeminência no fantástico presente na mente das pessoas. Alguns autores referem que o "Mundo de Agharta" encontra uma das suas entradas na Serra de Sintra. Mas o que é o "Mundo de Agharta"? E porquê em Sintra?

  Para responder a essas duas questões, é necessário ter em conta que o racionalismo se deve sempre manter claro, límpido e lúcido, de forma a que as emoções não se sobreponham, fazendo esquecer o verdadeiro propósito do pensamento, que é a elucidação e a compreensão de um quadro completo, baseando-se em factos concretos.

  Agharta - também conhecida como Agharti, Agartta, ou Agartha - de acordo com alguns textos da religião do Budismo, é um Mundo que se encontra abaixo da superfície do planeta Terra, e Mundo no qual, se encontra a sua principal cidade, Shambhala - também conhecida por Shambala e Shambala.

  Porém, antes de se continuar e de se esquecer o propósito da referência a Shambhala [nota: link de site em inglês, devido à qualidade dúbia da versão portuguesa], e ficar apenas com a impressão do fantástico nas emoções, é necessário compreender o que é Shambhala, e qual a sua relação com Agharta e com Sintra.

  De acordo com o Budismo e sendo mencionada no Kalachakra Tantra (ancestral escrito do Budismo), Shambhala é a principal cidade do Mundo subterrâneo de Agharta, onde nessa se encontra o mítico reino da Terra Pura [nota: link de site em inglês, devido à qualidade dúbia da versão portuguesa], para onde o espiritual e o físico se conseguem passar, através da forma mais pura de Budismo, alcançável pela meditação. Ficamos assim então, com o Mundo de Agharta, e a sua principal cidade, Shambhala. E Sintra? Virá a seu tempo.

  No ocidente, e embora não ter sido o primeiro a falar de Agharta, foi Saint-Yves d'Alveydre o maior impulsionador do Mundo de Agharta, no Séc. XIX. Saint-Yves dizia que visitava frequentemente Agharta através da meditação, e que inclusive sabia a sua localização no mundo físico (ou em termos geográficos), mas por razões de segurança dos seus leitores, não revelava a sua localização. Dizia ainda que "...o território sagrado de Agharta é independente, sinarquicamente organizado e composto por uma população que se eleva a um número perto de vinte milhões de almas", e que "...reina nela uma tal justiça que o filho do último dos párias pode ser admitido na Universidade sagrada; os delitos são reparados sem prisão nem polícia. Fala-se nela, a língua universal, o vattan. A organização de Agharta é circular; os bairros estão dispostos em círculos concêntricos".

  E na descrição de Agharta segundo Saint-Yves d'Alveydre, descobre-se que esta terra pura, na descrição do autor, se começa a cruzar com a descrição da Atlântida, segundo Platão nas suas obras "Timeu ou a Natureza", e "Crítias ou a Atlântida". O cruzamento é facilmente perceptível, se tivermos em conta: primeiro, a influência dos escritos gregos clássicos; segundo, a semelhança de disposição geográfica da ilha da Atlântida e do Mundo de Agharta e as descrições de ambos; terceiro, a pureza e o estado avançado das raças, tanto do Mundo de Agharta como dos Atlantes; e por fim, quarto, e de forma concludente, a lenda da Atlântida diz que a mesma se abateu, ficando no fundo do mar, ou no fundo do planeta Terra, segundo umas ou outras crenças, sendo assim a sua localização, em muito semelhante a Agharta, no fundo do planeta Terra.

Os Subterrâneos de Sintra e o Mito de Agharta


  E assim, no Séc. XIX, Agharta começou a ganhar as influências do ocidente, na transmissão do seu mito, na teosofia e na mitologia. E Sintra? Onde aparece Sintra, relacionada com Agharta?

  A Serra de Sintra aparece por fim relacionada com Agharta, muito provavelmente no fantástico de muitos autores, devido aos seus inegáveis subterrâneos, grutas, minas de água, e também em parte relacionado com a fusão na mente dos ocidentes ou na percepção desses, do Hinduísmo e do Budismo, da Ásia, e do Sânscrito, através das inscrições indianas da Quinta da Penha Verde [nota: post com as inscrições, a ser publicado].

  É desse modo também, que Sintra pelo sentimento que imprime em quem a visite ou quem com ela convive, seja encarada como a entrada de um Mundo melhor, de um Mundo de pureza, tal como o mito relata que o Mundo de Agharta assim é.

  Assim, a Lenda de Agharta na Serra de Sintra, é apenas um ideal que resulta da fusão da percepção das pessoas, e que reflecte aquilo que o ser Humano procura, que é um Mundo melhor, mas um Mundo que só será conseguido com os pés assentes no chão, e a mente lúcida.

  Curioso é também o facto de que Saint-Yves d'Alveydre dizia que "...Agharta em sânscrito significa o impossível de encontrar".


© O Caminheiro de Sintra

domingo, 20 de junho de 2010

A Lenda de Xentra, Cynthia, Suntria, ou da Etimologia de Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: membro Youtube drplim




  Embora seja fácil encontrar várias hipóteses para a etimologia de "Sintra", é difícil, senão quase impossível, traçar a sua origem até ao início do povoado.

 As contribuições para essa dificuldade são imensas, desde o facto de vários povos terem passado pela Serra de Sintra, bem como o quão fácil é, ter a lucidez toldada pela emotiva fantasia que a Serra aviva na mente de quem a conhece.

 Desde os primórdios da Humanidade, em especial desde o Neolítico há dez mil anos atrás (8000 a.C.), passando pela Idade do Bronze (3000 a.C.), Idade do Cobre (2500 a.C.), permeadas estas duas últimas pela era Megalítica e com seus traços na Serra de Sintra (Anta de Adrenunes, Tholos do Monge, por exemplo), Idade do Ferro (1200 a.C.), passando muito provavelmente e entre outros, pelos Celtas, Lusitanos, Romanos, Visigodos, Mouros, e por fim e até hoje, os Portugueses.

 Pelo meio de todos esses povos, passaram várias denominações, decerto cada uma tentando adaptar a denominação do povo anterior, à cultura do que então dominava a Serra de Sintra.

 "Ofiússa", um dos nomes que corre por algumas conversas, era não da região de Sintra, mas da parte costeira da Península Ibérica. De étimo grego e significando "terra de serpentes", encontra-se a sua utilização na Ora Maritima de Rufus Avienus Festus: "Ophiussam ad usque. rursum ab huius litore, internum ad aequor, qua mare insinuare se..." (nota: étimos gregos e étimos latinos, eram facilmente adaptados por uma língua na outra).

 Sem fontes convincentes, diz-se que os Celtas davam o nome de "Cynthia" à Serra de Sintra, em devoção à lua. Ainda assim, pode-se confirmar apenas o intento da devoção à lua, visto que os romanos denominavam a Serra de Sintra de "Mons Lunae", "Monte da Lua".

 De acordo com alguns autores, também vários escritores clássicos, gregos e latinos mencionavam a Serra de Sintra como "Mons Sacer", ou "Monte Sagrado", chegando a dizer (Sílvio Itálico) no texto "Púnicas", que o vento de Sintra era tão fértil que emprenhava as éguas, que desse modo davam à luz pequenos e velozes cavalos.

 Dos Celtas e dos Lusitanos, "Cynthia" perdurou, mesmo passando pelo "Mons Lunae" do domínio romano que acabou por entrar em declínio, tendo passado - supostamente - "Cynthia" por esses, e chegado até aos Mouros, que segundo alguns, a chamaram de Zintira, Chinra, Xintra, até chegar a Xentra. Embora isso, e apenas segundo alguns autores, um geógrafo árabe de nome Edrisi, referia "Sintra" nos seus escritos como "Xentra", ou "Sentra" - porém, isso já foi no Séc. XII, o qual teve mais de metade desse com a ocupação de Sintra por parte dos Portugueses, o que equivale a dizer que estes poderiam ter ignorado perfeitamente a denominação que os Mouros usavam.

 Existe ainda quem refira - tal como se encontra na Wikipédia - que a "mais antiga forma medieval conhecida "Suntria" apontará para o Indo-Europeu “astro luminoso” ou “sol”". A questão ganha estranhos contornos, visto que a origem dos étimos de "sol" nos ramos Indo-Europeus, quer bretões, eslavos, romances, afastam de "Suntria" qualquer aproximação a "sol", a não ser o Gótico "Sunno", já depois de várias alterações nos ramos ascendentes.

 Ainda assim, existem provas de cultos mantidos ao longo dos séculos em honra ao sol, como é notório no Da Fábrica que falece ha Cidade de Lysboa de Francisco de Holanda, de 1571, que numa gravura sua mostra um templo de pedras erguidas formando um círculo, com a seguinte descrição:

SOLI.AETERNO / CHRISTO.IESV. / ET. / GLORIASE. VIR/GINI.
MARIAE. / VLISIPPO. / DEDICATIVT.

 Note-se que o que na inscrição se enfatiza, é Jesus Cristo e a Virgem Maria (em glória eterna como o sol), e sendo homenageados por Lisboa (nota: a pedra contendo esta inscrição, encontra-se hoje em dia no Museu de Odrinhas). Para além disso, o misto de Paganismo com Cristianismo não é heterogéneo, por isso deverá mesmo ser visto como um monumento de homenagem.

 Depois da duvidosa Xentra, existe ainda quem diga que "Sintra" advirá de "sin" que para os babilónios significaria montanha ou monte, e "tra" teria sido juntado ao "sin" pelos Lusitanos, representando três faces de Deusa: lua no céu, Diana na terra, e Hécate no inferno - não se percebendo contudo, como é que o "tra", conteria em si, essas três faces de Deusa.

 Voltando a "Suntria" - e já muito perto do fim da etimologia de "Sintra" - a mesma poderá ter sido corrompida, visto que na História de Portugal volume 1, de Alexandre Herculano, se pode encontrar a seguinte nota, tirada da Crónica dos Godos:

 "Mense Julio capta fuit Sintria a comite D. Henrico. Audientes enim sarracem mortem regis D.
Alfonsi coeperunt rebellare», «Chronica Gothorum», era 1147."

 E eis aqui, que é utilizada "Sintria", em 1147, aquando da reconquista de Sintra aos Mouros.

 Certo é que a referida crónica foi escrita em Latim, mas do "Sintria" a "Sintra", foi um pequeno passo, passando ainda pela corrupção de "Cintra", pelas mudanças de ortografia - e com as suas tentativas de adequação às épocas em que a mesma sofria alterações - ao longo dos séculos.

 Xentra, Cynthia, Suntria, Sintria, Sintra...independentemente da nominação, sempre carregando o mesmo sentimento ao longo dos séculos, para os olhos e o coração de quem a vê, em casa se sentir.


© O Caminheiro de Sintra

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Lenda do Túmulo dos Dois Irmãos, Versão "Sintra do Pretérito", de 1957



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Carlos Pinheiro


O Túmulo dos Dois Irmãos
  Talvez seja esta a versão que quem procura informações sobre o Túmulo dos Dois Irmãos em Sintra deva ler, devido à análise dos factos levada a cabo por Félix Alves Pereira, e às suas conclusões.

  De referir também um facto curioso, que é a utilização de medidas e coordenadas para análise, coisa que - falando o escriba por experiência própria - nos pode levar a vários locais da Serra de Sintra, ou subtilmente realizar as ligações entre locais, qual caminho inexistente aos olhos que tudo tentam observar.

sábado, 5 de junho de 2010

Lenda da Peninha em Duas Versões Curtas


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Fontes: Guia de Portugal, 1880; Biblioteca Municipal de Sintra
Imagem: autor Flickr ouriço


  Tal como no primeiro post sobre a Lenda da Peninha, do qual constavam duas versões longas da mesma, também nestas duas versões curtas as histórias se regem pelo mesmo: na era de D. João III, uma pastorinha muda, o aparecimento de uma imagem de Nossa Senhora, e a construção de uma capela em devoção a Nossa Senhora, por parte do povo.


::::: Primeira Versão Curta da Lenda da Peninha

Conta-se que em tempo de D. João III, andava por esta serra (de Sintra) uma rapariga muda, pastoreando um rebanho de ovelhas, das quais se extraviou uma, e procurando-a, foi encontrá-la sobre o rochedo, onde aparecendo-lhe a Nossa senhora, sob a forma de uma formosa menina, lhe deu fala.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Versão II da Lenda da Pedra Amarela (ou Penedo dos Ovos) de Sintra


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra
Transcrição: de Alfredo Beato, através de Manuel Gandra


  Mais uma versão encontrada sobre a Lenda da Pedra Amarela, ou Lenda do Penedo dos Ovos, desta vez  - de acordo com Manuel Gandra - de

Alfredo Beato (História de Sintra).

  Esta versão segunda, acaba por ser praticamente igual à primeira, se bem que muito menos trabalhada na sua prosa, e com um diferente à vontade na maneira como foi escrita.

 Tal como na primeira versão, a imagem apresentada - bem como a localização no mapa - é de um dos outros vários locais - sendo pelo menos três - na Serra de Sintra, com a igual denominação de Pedra Amarela.

  O conteúdo desta versão de mais esta Lenda de Sintra, acaba por ter o mesmo conteúdo que a primeira versão publicada neste blog, e os trâmites que fazem surgir os nomes Pedra Amarela ou Penedo dos Ovos, são exactamente os mesmos:

domingo, 30 de maio de 2010

Lenda do Convento dos Capuchos de Sintra ou "A Tentação de Frei Honório"


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Fontes: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagens: autores Flickr (respectivamente) PesterussaTiago A. Pereirapmdcsb


O corredor do dormitório do Convento
dos Capuchos da Serra de Sintra
  O Convento dos Capuchos, sito no centro da Serra de Sintra, o qual foi sempre habitado por comunidades de frades da Ordem dos Franciscanos (também conhecida como Ordem dos Frades Menores devido ao seu voto de pobreza), é palco de uma lenda mais comummente conhecida como A Tentação de Frei Honório.

  Esta lenda centra-se num frade do Convento dos Capuchos, de seu nome Honório, que se deparou um dia com o diabo, que o tentou tentar sob a forma de mulher, tentação essa que Frei Honório ignorou.

  A lenda acaba por atribuir um impacto ainda maior ao simbolismo dos Capuchos na Serra de Sintra. De seis caminhos, é uma encruzilhada, que tal como qualquer outra da Europa ou mais especificamente de Portugal, se vê como o cruzamento com os caminhos do destino, o cruzamento com as outras vidas, o cruzamento com os medos, ou simplesmente o realçar desses, em especial se num ambiente propício ao aparecimento desse sentimento. Na Cultura Europeia, as encruzilhadas sempre foram tomadas como locais onde à noite os diabos e as feiticeiras se encontravam para celebrar os seus Sabat.
Janela que dá para a passagem da Casa das Águas
no Convento dos Capuchos em Sintra

  Uma encruzilhada, acaba também por ser o símbolo do próprio interior do ser Humano, nos seus vários caminhos de pensamentos, ideias, sentimentos, e emoções, que a sua percepção percorre dentro de si mesmo, encontrando - muitas vezes com surpresa - desconhecidos caminhos, ou outros desconhecidos símbolos que enlevam o medo. Assim acontece também - num misto de interior com o exterior - na lenda do Convento dos Capuchos de Sintra, ou na - suposta - "Tentação de Frei Honório".

Lenda da Gruta da Fada de Sintra - O Mito da Gruta do Monge



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


  A Lenda da Gruta da fada é uma Lenda de Sintra, que já o sendo acaba por ser um mito em si.

  O que é capaz de tornar essa lenda em mito, é o facto de as poucas linhas existentes que a tornam numa Lenda de Sintra, subsistem no tempo e no espaço, sem que a mesma se alargue. Talvez o factor primordial para tal se deva ao facto de que a gruta aludida ser inexistente, ou pelo menos, a mesma não existir hoje em dia, como possivelmente outrora existiu, "na entrada da Pena, à esquerda de quem sobe"...

  Publicada pela primeira vez no jornal / revista Cyntra, número 6 de 1912, de acordo com Manuel Gandra, a Lenda da Gruta da Fada deu azo a que fosse quase sempre confundida com a Gruta do Monge (2ª fotografia deste post / foto à esquerda) no Parque da Pena, ou com uma outra que essa antecede (1ª fotografia deste post / foto à direita).

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Peninha em Sintra - Lendas, Misticismo, Magia, Mitos



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra



  A Peninha é um local na Serra de Sintra, considerado por muitos como mágico, devido ao verde e à vista, que enfatizado pelos locatários vento e nevoeiro, faz com que a mente de quem na Peninha se encontre, viaje até tempos imemoriais, com um sabor a mistério e ao misticismo que tira qualquer pessoa do presente, e a leva até aos enigmas do passado e às incógnitas do futuro.

  Apresenta-se como sendo das áreas da Serra de Sintra, talvez a mais virgem em termos da flora de Sintra, e também da fauna de Sintra onde abundam em maior número as espécies da Serra.

  Perto da Peninha, a Noroeste, a Anta de Adrenunes, monumento sepulcral da época Megalítica (entre 4800 A.C. e 2500 A.C.), atribuindo a Sintra ou a quem a sente, um sentimento de importância para a Humanidade, tão longo como seis ou sete milénios conseguem ser.

  Mais perto do monte da Peninha, as Casas dos Romeiros, do Século XVIII, levantadas para apoiar e acolher os peregrinos que até ao Santuário da Peninha iam.

  Na base do monte da Peninha, a Ermida de São Saturnino dos tempos medievais, erigida por D. Pêro Pais, companheiro de armas de D. Afonso Henriques na conquista do território português, sendo assim desse modo, uma das mais - senão talvaz a mais - antigas ermidas de Portugal (Século XII - o início de Portugal).

o cume da Peninha, no ano de 1884
em gravura de Caetano Alberto e co-autor desconhecido







  No cume do monte da Peninha, a Capela de Nossa Senhora da Penha (Santuário da Peninha), erguida no Século XVI, no reinado de D. João III, segundo a Lenda da Peninha, em que Nossa Senhora tinha aparecido perante uma jovem e muda pastorinha, e nela operado um milagre.

  Dividindo o cume do monte da Peninha com o Santuário da Peninha, o Palácio da Peninha, ou o Palacete de Carvalho Monteiro, o homem que mandou edificar a Quinta da Regaleira, e que deu início aos trabalhos na Peninha em 1918, tendo-os deixado praticamente no início, devido ao seu falecimento em 1920.

  Por fim, e de realce não menos acentuado que os restantes pontos da Peninha, junto ao Santuário e ao Palácio, bem como à Ermida de São Saturnino, em algumas rochas podem-se encontrar arredondados ou cilíndricos buracos de uma dimensão considerável, que funcionaram como sepulturas em rocha, com enterros dos Séculos XII, XIII, e XVI, segundo investigações arqueológicas.


© O Caminheiro de Sintra

Lenda dos Cinco Altos de Nomes Iguais e de Apelidos Diferentes de Sintra


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra



  Lenda simples e de domínio popular, sobre a origem do nome de cinco locais de Sintra. A gravura acima disposta representa a Quinta da Penha Verde, vista da estrada, o autor é desconhecido, mas data de 1866.

"O Senhor, Deus Todo-Poderoso, criava o mundo e preparava-se para moldar e edificar a Serra de Sintra, quando ouviu solicitações dos materiais a empregar naquele cometimento.


Prosseguindo a lenda, o Criador um a um dos seus solicitantes e de comum acordo arranjou solução para os pedidos formulados. O Grande Arquitecto, afável e sorridente, docemente reparou em cinco rochas que nada pediram. Inquirindo do seu mutismo, aqueles fraguedos solicitaram mudança de nome. Não desejavam ser chamadas rochas, penhascos, ou fraguedos.

Lenda do Túmulo dos Dois Irmãos, em Sintra


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra



  A comum Lenda do Túmulo dos Dois Irmãos, chega-nos por intermédio do Visconde de Jerumenha, através do seu "Cintra Pinturesca", do ano de 1838.

  Num próximo post, irá ser colocada a versão de Félix Alves Pereira, autor o qual faz uma excelente análise da lenda, bem como da forma como o túmulo chegou até meados do Século XX.

Lenda da Peninha de Sintra - Duas Versões Longas


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagens: autor Flickr iPhil, e Arquivo do Caminheiro de Sintra


o cume da Peninha na primeira década
do novo milénio

Em todas as quatro versões da Lenda da Peninha, a história remete sempre para a época de D. João III, em que perto da Peninha em Sintra - e em algumas versões, especificamente em Almoinhas Velhas (nota: assinalado no mapa que se encontra no fim deste post), lugar perto da Malveira da Serra (Concelho de Cascais) - uma rapariga muda pastoreava um rebanho.

A pastorinha acaba por ficar com o poder de falar, e uma imagem de Nossa Senhora aparece na região da Peninha.

O povo, espantado pelo milagre e pelo aparecimento da imagem de Nossa Senhora, acaba por eregir uma pequena capela, hoje conhecida como Capela de Nossa Senhora da Penha, ou Santuário da Peninha:

::::: Primeira Versão da Lenda da Peninha

Conta-se que no reinado de D. João III havia no lugar de Almoinhos Velhos (nota: o correcto é Almoinhas Velhas) uma rapariga muda, guardadora de ovelhas e muito temente a Deus.

domingo, 23 de maio de 2010

Lenda da Praia da Ursa - Cabo da Roca, Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: autor Flickr almeidafe


A Praia da Ursa, aqui captada por Fernando Almeida

  A Lenda da Praia da Ursa, sita perto do Cabo da Roca no Parque Natural de Sintra-Cascais, é uma curta lenda que serve apenas o propósito de satisfazer a curiosidade da origem do nome da Praia da Ursa.

  Ainda assim, é de realçar o paganismo no qual esta lenda assenta.

Um par de enormes rochedos emergem da água, a norte da Praia da Ursa, mesmo junto a essa, evocando a primeira enorme rocha em seu perfil, a imagem de um urso.

A lenda diz que há muitos milhares de anos, quando a terra era uma enorme bola coberta de gelo, aqui vivia uma ursa com os seus filhos. Quando o degelo começou , os Deuses disseram a todos os animais para abandonarem a beira-mar, mas a ursa não o fez, pois ali tinha nascido e ali queria ficar.