colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Origem do Nome Cintra - ou "Sintra" e "Cintra"



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo d'O Caminheiro de Sintra


gravura pretendendo ter o valor das armas
da Vila de Cintra, no ano de 1859
   
    Sintra, tendo passado por várias grafias em latim e em português, passou em finais do século XVI / inícios do século XVII, a ver seu nome escrito com ‘C’: Cintra.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Lenda de Agharta e os Subterrâneos de Sintra (Agharti, Agartta, ou Agartha)


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra




  Repleta de subterrâneos, a Serra de Sintra toma sempre proeminência no fantástico presente na mente das pessoas. Alguns autores referem que o "Mundo de Agharta" encontra uma das suas entradas na Serra de Sintra. Mas o que é o "Mundo de Agharta"? E porquê em Sintra?

  Para responder a essas duas questões, é necessário ter em conta que o racionalismo se deve sempre manter claro, límpido e lúcido, de forma a que as emoções não se sobreponham, fazendo esquecer o verdadeiro propósito do pensamento, que é a elucidação e a compreensão de um quadro completo, baseando-se em factos concretos.

  Agharta - também conhecida como Agharti, Agartta, ou Agartha - de acordo com alguns textos da religião do Budismo, é um Mundo que se encontra abaixo da superfície do planeta Terra, e Mundo no qual, se encontra a sua principal cidade, Shambhala - também conhecida por Shambala e Shambala.

  Porém, antes de se continuar e de se esquecer o propósito da referência a Shambhala [nota: link de site em inglês, devido à qualidade dúbia da versão portuguesa], e ficar apenas com a impressão do fantástico nas emoções, é necessário compreender o que é Shambhala, e qual a sua relação com Agharta e com Sintra.

  De acordo com o Budismo e sendo mencionada no Kalachakra Tantra (ancestral escrito do Budismo), Shambhala é a principal cidade do Mundo subterrâneo de Agharta, onde nessa se encontra o mítico reino da Terra Pura [nota: link de site em inglês, devido à qualidade dúbia da versão portuguesa], para onde o espiritual e o físico se conseguem passar, através da forma mais pura de Budismo, alcançável pela meditação. Ficamos assim então, com o Mundo de Agharta, e a sua principal cidade, Shambhala. E Sintra? Virá a seu tempo.

  No ocidente, e embora não ter sido o primeiro a falar de Agharta, foi Saint-Yves d'Alveydre o maior impulsionador do Mundo de Agharta, no Séc. XIX. Saint-Yves dizia que visitava frequentemente Agharta através da meditação, e que inclusive sabia a sua localização no mundo físico (ou em termos geográficos), mas por razões de segurança dos seus leitores, não revelava a sua localização. Dizia ainda que "...o território sagrado de Agharta é independente, sinarquicamente organizado e composto por uma população que se eleva a um número perto de vinte milhões de almas", e que "...reina nela uma tal justiça que o filho do último dos párias pode ser admitido na Universidade sagrada; os delitos são reparados sem prisão nem polícia. Fala-se nela, a língua universal, o vattan. A organização de Agharta é circular; os bairros estão dispostos em círculos concêntricos".

  E na descrição de Agharta segundo Saint-Yves d'Alveydre, descobre-se que esta terra pura, na descrição do autor, se começa a cruzar com a descrição da Atlântida, segundo Platão nas suas obras "Timeu ou a Natureza", e "Crítias ou a Atlântida". O cruzamento é facilmente perceptível, se tivermos em conta: primeiro, a influência dos escritos gregos clássicos; segundo, a semelhança de disposição geográfica da ilha da Atlântida e do Mundo de Agharta e as descrições de ambos; terceiro, a pureza e o estado avançado das raças, tanto do Mundo de Agharta como dos Atlantes; e por fim, quarto, e de forma concludente, a lenda da Atlântida diz que a mesma se abateu, ficando no fundo do mar, ou no fundo do planeta Terra, segundo umas ou outras crenças, sendo assim a sua localização, em muito semelhante a Agharta, no fundo do planeta Terra.

Os Subterrâneos de Sintra e o Mito de Agharta


  E assim, no Séc. XIX, Agharta começou a ganhar as influências do ocidente, na transmissão do seu mito, na teosofia e na mitologia. E Sintra? Onde aparece Sintra, relacionada com Agharta?

  A Serra de Sintra aparece por fim relacionada com Agharta, muito provavelmente no fantástico de muitos autores, devido aos seus inegáveis subterrâneos, grutas, minas de água, e também em parte relacionado com a fusão na mente dos ocidentes ou na percepção desses, do Hinduísmo e do Budismo, da Ásia, e do Sânscrito, através das inscrições indianas da Quinta da Penha Verde [nota: post com as inscrições, a ser publicado].

  É desse modo também, que Sintra pelo sentimento que imprime em quem a visite ou quem com ela convive, seja encarada como a entrada de um Mundo melhor, de um Mundo de pureza, tal como o mito relata que o Mundo de Agharta assim é.

  Assim, a Lenda de Agharta na Serra de Sintra, é apenas um ideal que resulta da fusão da percepção das pessoas, e que reflecte aquilo que o ser Humano procura, que é um Mundo melhor, mas um Mundo que só será conseguido com os pés assentes no chão, e a mente lúcida.

  Curioso é também o facto de que Saint-Yves d'Alveydre dizia que "...Agharta em sânscrito significa o impossível de encontrar".


© O Caminheiro de Sintra

domingo, 20 de junho de 2010

A Lenda de Xentra, Cynthia, Suntria, ou da Etimologia de Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: membro Youtube drplim




  Embora seja fácil encontrar várias hipóteses para a etimologia de "Sintra", é difícil, senão quase impossível, traçar a sua origem até ao início do povoado.

 As contribuições para essa dificuldade são imensas, desde o facto de vários povos terem passado pela Serra de Sintra, bem como o quão fácil é, ter a lucidez toldada pela emotiva fantasia que a Serra aviva na mente de quem a conhece.

 Desde os primórdios da Humanidade, em especial desde o Neolítico há dez mil anos atrás (8000 a.C.), passando pela Idade do Bronze (3000 a.C.), Idade do Cobre (2500 a.C.), permeadas estas duas últimas pela era Megalítica e com seus traços na Serra de Sintra (Anta de Adrenunes, Tholos do Monge, por exemplo), Idade do Ferro (1200 a.C.), passando muito provavelmente e entre outros, pelos Celtas, Lusitanos, Romanos, Visigodos, Mouros, e por fim e até hoje, os Portugueses.

 Pelo meio de todos esses povos, passaram várias denominações, decerto cada uma tentando adaptar a denominação do povo anterior, à cultura do que então dominava a Serra de Sintra.

 "Ofiússa", um dos nomes que corre por algumas conversas, era não da região de Sintra, mas da parte costeira da Península Ibérica. De étimo grego e significando "terra de serpentes", encontra-se a sua utilização na Ora Maritima de Rufus Avienus Festus: "Ophiussam ad usque. rursum ab huius litore, internum ad aequor, qua mare insinuare se..." (nota: étimos gregos e étimos latinos, eram facilmente adaptados por uma língua na outra).

 Sem fontes convincentes, diz-se que os Celtas davam o nome de "Cynthia" à Serra de Sintra, em devoção à lua. Ainda assim, pode-se confirmar apenas o intento da devoção à lua, visto que os romanos denominavam a Serra de Sintra de "Mons Lunae", "Monte da Lua".

 De acordo com alguns autores, também vários escritores clássicos, gregos e latinos mencionavam a Serra de Sintra como "Mons Sacer", ou "Monte Sagrado", chegando a dizer (Sílvio Itálico) no texto "Púnicas", que o vento de Sintra era tão fértil que emprenhava as éguas, que desse modo davam à luz pequenos e velozes cavalos.

 Dos Celtas e dos Lusitanos, "Cynthia" perdurou, mesmo passando pelo "Mons Lunae" do domínio romano que acabou por entrar em declínio, tendo passado - supostamente - "Cynthia" por esses, e chegado até aos Mouros, que segundo alguns, a chamaram de Zintira, Chinra, Xintra, até chegar a Xentra. Embora isso, e apenas segundo alguns autores, um geógrafo árabe de nome Edrisi, referia "Sintra" nos seus escritos como "Xentra", ou "Sentra" - porém, isso já foi no Séc. XII, o qual teve mais de metade desse com a ocupação de Sintra por parte dos Portugueses, o que equivale a dizer que estes poderiam ter ignorado perfeitamente a denominação que os Mouros usavam.

 Existe ainda quem refira - tal como se encontra na Wikipédia - que a "mais antiga forma medieval conhecida "Suntria" apontará para o Indo-Europeu “astro luminoso” ou “sol”". A questão ganha estranhos contornos, visto que a origem dos étimos de "sol" nos ramos Indo-Europeus, quer bretões, eslavos, romances, afastam de "Suntria" qualquer aproximação a "sol", a não ser o Gótico "Sunno", já depois de várias alterações nos ramos ascendentes.

 Ainda assim, existem provas de cultos mantidos ao longo dos séculos em honra ao sol, como é notório no Da Fábrica que falece ha Cidade de Lysboa de Francisco de Holanda, de 1571, que numa gravura sua mostra um templo de pedras erguidas formando um círculo, com a seguinte descrição:

SOLI.AETERNO / CHRISTO.IESV. / ET. / GLORIASE. VIR/GINI.
MARIAE. / VLISIPPO. / DEDICATIVT.

 Note-se que o que na inscrição se enfatiza, é Jesus Cristo e a Virgem Maria (em glória eterna como o sol), e sendo homenageados por Lisboa (nota: a pedra contendo esta inscrição, encontra-se hoje em dia no Museu de Odrinhas). Para além disso, o misto de Paganismo com Cristianismo não é heterogéneo, por isso deverá mesmo ser visto como um monumento de homenagem.

 Depois da duvidosa Xentra, existe ainda quem diga que "Sintra" advirá de "sin" que para os babilónios significaria montanha ou monte, e "tra" teria sido juntado ao "sin" pelos Lusitanos, representando três faces de Deusa: lua no céu, Diana na terra, e Hécate no inferno - não se percebendo contudo, como é que o "tra", conteria em si, essas três faces de Deusa.

 Voltando a "Suntria" - e já muito perto do fim da etimologia de "Sintra" - a mesma poderá ter sido corrompida, visto que na História de Portugal volume 1, de Alexandre Herculano, se pode encontrar a seguinte nota, tirada da Crónica dos Godos:

 "Mense Julio capta fuit Sintria a comite D. Henrico. Audientes enim sarracem mortem regis D.
Alfonsi coeperunt rebellare», «Chronica Gothorum», era 1147."

 E eis aqui, que é utilizada "Sintria", em 1147, aquando da reconquista de Sintra aos Mouros.

 Certo é que a referida crónica foi escrita em Latim, mas do "Sintria" a "Sintra", foi um pequeno passo, passando ainda pela corrupção de "Cintra", pelas mudanças de ortografia - e com as suas tentativas de adequação às épocas em que a mesma sofria alterações - ao longo dos séculos.

 Xentra, Cynthia, Suntria, Sintria, Sintra...independentemente da nominação, sempre carregando o mesmo sentimento ao longo dos séculos, para os olhos e o coração de quem a vê, em casa se sentir.


© O Caminheiro de Sintra