colecções disponíveis: 1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra 6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento
O Palácio Nacional de Sintra, também conhecido como Palácio da Vila
Após duas versões menos correntes já colocadas aqui n'O Secreto Palácio de Sintra da Lenda do Palácio Nacional de Sintra, bem como da versão de Almeida Garrett chegou a vez de expor a versão mais comum desta lenda, e que se encontra com imensa facilidade na internet.
Apenas difere das outras por ter mais detalhe - embora não muito - e por ao contrário das duas outras versões, se focar na não inocência do beijo de D. João I, ao mesmo tempo que transmite um sentimento de frieza no relacionamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre.
Fala também de uma lenda de um dos jardins do Palácio Nacional de Sintra, também essa de contornos amorosos.
Acaba por ser um texto mais do que nos relacionamentos Humanos, extremamente focado no Eros, e revelando falta de acuidade, notório no "Pour Bien" ao invés do "Por Bem", inscrito na mensagem das Pegas:
Almeida Garret, um dos autores que falou
sobre a Sala das Pegas no Palácio Nacional de Sintra
Almeida Garrett, no seu primeiro volume do Romanceiro, de 1843, na última parte do mesmo, apresenta sob forma de nota o seguinte texto para o seu redactor, em alusão à Lenda do Palácio da Vila, de Sintra:
AS PEGAS DE SINTRA Dou aqui lugar a esta composição que, moderna como é, e minha, toda é feita de coisa populares e antigas. A anedota devera ter sido celebrada pelos menestréis do tempo: não o foi, e eu procurei suprir o seu descuido. Não aparece pois em meu nome, senão no deles, embora de longe os rastreie. Quando a primeira vez saiu de minha carteira a presente balada foi para se imprimir na Ilustração31 , jornal que se publicava em Lisboa em 1845-46. Reimprimir com ela aqui também a carta que então escrevi ao redactor daquele jornal, porque deveras contém a história de sua composição. Eis aqui a carta:
Embora seja fácil encontrar várias hipóteses para a etimologia de "Sintra", é difícil, senão quase impossível, traçar a sua origem até ao início do povoado.
As contribuições para essa dificuldade são imensas, desde o facto de vários povos terem passado pela Serra de Sintra, bem como o quão fácil é, ter a lucidez toldada pela emotiva fantasia que a Serra aviva na mente de quem a conhece.
Desde os primórdios da Humanidade, em especial desde o Neolítico há dez mil anos atrás (8000 a.C.), passando pela Idade do Bronze (3000 a.C.), Idade do Cobre (2500 a.C.), permeadas estas duas últimas pela era Megalítica e com seus traços na Serra de Sintra (Anta de Adrenunes, Tholos do Monge, por exemplo), Idade do Ferro (1200 a.C.), passando muito provavelmente e entre outros, pelos Celtas, Lusitanos, Romanos, Visigodos, Mouros, e por fim e até hoje, os Portugueses.
Pelo meio de todos esses povos, passaram várias denominações, decerto cada uma tentando adaptar a denominação do povo anterior, à cultura do que então dominava a Serra de Sintra.
"Ofiússa", um dos nomes que corre por algumas conversas, era não da região de Sintra, mas da parte costeira da Península Ibérica. De étimo grego e significando "terra de serpentes", encontra-se a sua utilização na Ora Maritima de Rufus Avienus Festus: "Ophiussam ad usque. rursum ab huius litore, internum ad aequor, qua mare insinuare se..." (nota: étimos gregos e étimos latinos, eram facilmente adaptados por uma língua na outra).
Sem fontes convincentes, diz-se que os Celtas davam o nome de "Cynthia" à Serra de Sintra, em devoção à lua. Ainda assim, pode-se confirmar apenas o intento da devoção à lua, visto que os romanos denominavam a Serra de Sintra de "Mons Lunae", "Monte da Lua".
De acordo com alguns autores, também vários escritores clássicos, gregos e latinos mencionavam a Serra de Sintra como "Mons Sacer", ou "Monte Sagrado", chegando a dizer (Sílvio Itálico) no texto "Púnicas", que o vento de Sintra era tão fértil que emprenhava as éguas, que desse modo davam à luz pequenos e velozes cavalos.
Dos Celtas e dos Lusitanos, "Cynthia" perdurou, mesmo passando pelo "Mons Lunae" do domínio romano que acabou por entrar em declínio, tendo passado - supostamente - "Cynthia" por esses, e chegado até aos Mouros, que segundo alguns, a chamaram de Zintira, Chinra, Xintra, até chegar a Xentra. Embora isso, e apenas segundo alguns autores, um geógrafo árabe de nome Edrisi, referia "Sintra" nos seus escritos como "Xentra", ou "Sentra" - porém, isso já foi no Séc. XII, o qual teve mais de metade desse com a ocupação de Sintra por parte dos Portugueses, o que equivale a dizer que estes poderiam ter ignorado perfeitamente a denominação que os Mouros usavam.
Existe ainda quem refira - tal como se encontra na Wikipédia - que a "mais antiga forma medieval conhecida "Suntria" apontará para o Indo-Europeu “astro luminoso” ou “sol”". A questão ganha estranhos contornos, visto que a origem dos étimos de "sol" nos ramos Indo-Europeus, quer bretões, eslavos, romances, afastam de "Suntria" qualquer aproximação a "sol", a não ser o Gótico "Sunno", já depois de várias alterações nos ramos ascendentes.
Ainda assim, existem provas de cultos mantidos ao longo dos séculos em honra ao sol, como é notório no Da Fábrica que falece ha Cidade de Lysboa de Francisco de Holanda, de 1571, que numa gravura sua mostra um templo de pedras erguidas formando um círculo, com a seguinte descrição:
Note-se que o que na inscrição se enfatiza, é Jesus Cristo e a Virgem Maria (em glória eterna como o sol), e sendo homenageados por Lisboa (nota: a pedra contendo esta inscrição, encontra-se hoje em dia no Museu de Odrinhas). Para além disso, o misto de Paganismo com Cristianismo não é heterogéneo, por isso deverá mesmo ser visto como um monumento de homenagem.
Depois da duvidosa Xentra, existe ainda quem diga que "Sintra" advirá de "sin" que para os babilónios significaria montanha ou monte, e "tra" teria sido juntado ao "sin" pelos Lusitanos, representando três faces de Deusa: lua no céu, Diana na terra, e Hécate no inferno - não se percebendo contudo, como é que o "tra", conteria em si, essas três faces de Deusa.
"Mense Julio capta fuit Sintria a comite D. Henrico. Audientes enim sarracem mortem regis D.
Alfonsi coeperunt rebellare», «Chronica Gothorum», era 1147."
E eis aqui, que é utilizada "Sintria", em 1147, aquando da reconquista de Sintra aos Mouros.
Certo é que a referida crónica foi escrita em Latim, mas do "Sintria" a "Sintra", foi um pequeno passo, passando ainda pela corrupção de "Cintra", pelas mudanças de ortografia - e com as suas tentativas de adequação às épocas em que a mesma sofria alterações - ao longo dos séculos.
Xentra, Cynthia, Suntria, Sintria, Sintra...independentemente da nominação, sempre carregando o mesmo sentimento ao longo dos séculos, para os olhos e o coração de quem a vê, em casa se sentir.
Talvez seja esta a versão que quem procura informações sobre o Túmulo dos Dois Irmãos em Sintra deva ler, devido à análise dos factos levada a cabo por Félix Alves Pereira, e às suas conclusões.
De referir também um facto curioso, que é a utilização de medidas e coordenadas para análise, coisa que - falando o escriba por experiência própria - nos pode levar a vários locais da Serra de Sintra, ou subtilmente realizar as ligações entre locais, qual caminho inexistente aos olhos que tudo tentam observar.
"Já se encontram referências às Queijadas de Sintra, como fazendo parte de pagamento de foros, no ano de 1227 (Século XIII), quando reinava D. Sancho II, o Capelo (podem-se consultar documentos arquivados na Torre do Tombo que o atestam).
Quanto ao local de origem das queijadas parece ter sido o lugar de Ranholas, freguesia de S. Pedro de Penaferrim, do concelho de Sintra. Em 11 de Maio de 1935, na extinta Assembleia de Sintra, que funcionou na Casa Valmor, na Vila Velha, proferiu uma conferência subordinada ao tema «Manteiga de Sintra», o regente agrícola, publicista e investigador Tude Martins de Sousa, e nela pode ler-se o seguinte:
Tal como no primeiro post sobre a Lenda da Peninha, do qual constavam duas versões longas da mesma, também nestas duas versões curtas as histórias se regem pelo mesmo: na era de D. João III, uma pastorinha muda, o aparecimento de uma imagem de Nossa Senhora, e a construção de uma capela em devoção a Nossa Senhora, por parte do povo.
::::: Primeira Versão Curta da Lenda da Peninha
Conta-se que em tempo de D. João III, andava por esta serra (de Sintra) uma rapariga muda, pastoreando um rebanho de ovelhas, das quais se extraviou uma, e procurando-a, foi encontrá-la sobre o rochedo, onde aparecendo-lhe a Nossa senhora, sob a forma de uma formosa menina, lhe deu fala.
Esta versão segunda, acaba por ser praticamente igual à primeira, se bem que muito menos trabalhada na sua prosa, e com um diferente à vontade na maneira como foi escrita.
Tal como na primeira versão, a imagem apresentada - bem como a localização no mapa - é de um dos outros vários locais - sendo pelo menos três - na Serra de Sintra, com a igual denominação de Pedra Amarela.
O conteúdo desta versão de mais esta Lenda de Sintra, acaba por ter o mesmo conteúdo que a primeira versão publicada neste blog, e os trâmites que fazem surgir os nomes Pedra Amarela ou Penedo dos Ovos, são exactamente os mesmos:
A Peninha é um local na Serra de Sintra, considerado por muitos como mágico, devido ao verde e à vista, que enfatizado pelos locatários vento e nevoeiro, faz com que a mente de quem na Peninha se encontre, viaje até tempos imemoriais, com um sabor a mistério e ao misticismo que tira qualquer pessoa do presente, e a leva até aos enigmas do passado e às incógnitas do futuro.
Apresenta-se como sendo das áreas da Serra de Sintra, talvez a mais virgem em termos da flora de Sintra, e também da fauna de Sintra onde abundam em maior número as espécies da Serra.
Perto da Peninha, a Noroeste, a Anta de Adrenunes, monumento sepulcral da época Megalítica (entre 4800 A.C. e 2500 A.C.), atribuindo a Sintra ou a quem a sente, um sentimento de importância para a Humanidade, tão longo como seis ou sete milénios conseguem ser.
Mais perto do monte da Peninha, as Casas dos Romeiros, do Século XVIII, levantadas para apoiar e acolher os peregrinos que até ao Santuário da Peninha iam.
Na base do monte da Peninha, a Ermida de São Saturnino dos tempos medievais, erigida por D. Pêro Pais, companheiro de armas de D. Afonso Henriques na conquista do território português, sendo assim desse modo, uma das mais - senão talvaz a mais - antigas ermidas de Portugal (Século XII - o início de Portugal).
o cume da Peninha, no ano de 1884
em gravura de Caetano Alberto e co-autor desconhecido
No cume do monte da Peninha, a Capela de Nossa Senhora da Penha (Santuário da Peninha), erguida no Século XVI, no reinado de D. João III, segundo a Lenda da Peninha, em que Nossa Senhora tinha aparecido perante uma jovem e muda pastorinha, e nela operado um milagre.
Dividindo o cume do monte da Peninha com o Santuário da Peninha, o Palácio da Peninha, ou o Palacete de Carvalho Monteiro, o homem que mandou edificar a Quinta da Regaleira, e que deu início aos trabalhos na Peninha em 1918, tendo-os deixado praticamente no início, devido ao seu falecimento em 1920.
Por fim, e de realce não menos acentuado que os restantes pontos da Peninha, junto ao Santuário e ao Palácio, bem como à Ermida de São Saturnino, em algumas rochas podem-se encontrar arredondados ou cilíndricos buracos de uma dimensão considerável, que funcionaram como sepulturas em rocha, com enterros dos Séculos XII, XIII, e XVI, segundo investigações arqueológicas.
Lenda simples e de domínio popular, sobre a origem do nome de cinco locais de Sintra. A gravura acima disposta representa a Quinta da Penha Verde, vista da estrada, o autor é desconhecido, mas data de 1866.
"O Senhor, Deus Todo-Poderoso, criava o mundo e preparava-se para moldar e edificar a Serra de Sintra, quando ouviu solicitações dos materiais a empregar naquele cometimento.
Prosseguindo a lenda, o Criador um a um dos seus solicitantes e de comum acordo arranjou solução para os pedidos formulados. O Grande Arquitecto, afável e sorridente, docemente reparou em cinco rochas que nada pediram. Inquirindo do seu mutismo, aqueles fraguedos solicitaram mudança de nome. Não desejavam ser chamadas rochas, penhascos, ou fraguedos.
A comum Lenda do Túmulo dos Dois Irmãos, chega-nos por intermédio do Visconde de Jerumenha, através do seu "Cintra Pinturesca", do ano de 1838.
Num próximo post, irá ser colocada a versão de Félix Alves Pereira, autor o qual faz uma excelente análise da lenda, bem como da forma como o túmulo chegou até meados do Século XX.
o cume da Peninha na primeira década
do novo milénio
Em todas as quatro versões da Lenda da Peninha, a história remete sempre para a época de D. João III, em que perto da Peninha em Sintra - e em algumas versões, especificamente em Almoinhas Velhas (nota: assinalado no mapa que se encontra no fim deste post), lugar perto da Malveira da Serra (Concelho de Cascais) - uma rapariga muda pastoreava um rebanho.
A pastorinha acaba por ficar com o poder de falar, e uma imagem de Nossa Senhora aparece na região da Peninha.
O povo, espantado pelo milagre e pelo aparecimento da imagem de Nossa Senhora, acaba por eregir uma pequena capela, hoje conhecida como Capela de Nossa Senhora da Penha, ou Santuário da Peninha:
::::: Primeira Versão da Lenda da Peninha
Conta-se que no reinado de D. João III havia no lugar de Almoinhos Velhos (nota: o correcto é Almoinhas Velhas) uma rapariga muda, guardadora de ovelhas e muito temente a Deus.
O Arco Triunfal de Seteais e a entrada para o actual hotel
Mais uma versão da Lenda de Seteais que em muito pouco difere das anteriores publicadas no Secreto Palácio de Sintra, que não pelo detalhe e pelos diálogos:
"No tempo de D. Afonso Henriques, o Castelo de Sintra foi conquistado com a ajuda de uma esquadra estrangeira. Os moradores da região começaram logo a fugir dali para que não fossem alvo de vingança. D. Mendo de Paiva era um dos cavaleiros mais chegados ao rei que fora designado para ocupar o castelo.
Pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagem: autor Flickr luispabon
Uma das muitas encantadas covas da Serra de Sintra
"No tempo em que os Mouros dominavam Sintra, os cristãos faziam frequentes incursões contra eles, chegando por vezes muito próximo do castelo.
Num desses recontros travou-se junto do castelo uma renhida batalha. Mas os cristãos foram vencidos porque o seu chefe - um nobre cavaleiro - havia tombado ferido e logo fora aprisionado pelos infiéis.
Conduzido ao castelo, encerraram o ferido num húmido calabouço com cadeias nos pés e nas mãos. O intuito era deixá-lo para ali abandonado, sem alimento nem tratamento até que morresse. Porém, ao atravessar o pátio para dar entrada na prisão que lhe destinavam, foi visto pela filha do alcaide, que estacou petrificada, tal a impressão que o jovem cavaleiro lhe causara. Tentou a donzela saber onde o encerravam. E pela calada da noite, com o auxílio de uma das suas aias, foi visitar o prisioneiro. O silêncio e a escuridão reinavam no cárcere acanhado onde o cavaleiro português estava encerrado. Cautelosamente, a jovem moura abriu o portão de grades e entrou. Deu apenas dois passos. A escuridão era intensa. Ouvia a respiração agitada do prisioneiro. Acendeu um pavio, e a fraca luz iluminou mal o triste cubículo. Mas o cavaleiro português distinguiu perfeitamente o lindo rosto da jovem moura. Perguntou:
- Que quereis, donzela?
Ela respondeu, com aparente serenidade:
- Curar as tuas feridas e trazer-te de comer.
- Quem vos mandou?
- A minha consciência.
- E se vos virem?
- Espero que não.
- Quem sois?
- Zaida, a filha do alcaide.
Docilmente, o cavaleiro cristão deixou-se tratar pela bondosa e linda sarracena. Quando terminou, ela disse-lhe como despedida:
Ainda sobre a Pedra Amarela em Sintra e sua lenda, ou melhor dizendo "sobre as Pedras Amarelas de Sintra", aqui fica um vídeo do que se pode ver em todo o redor de um dos locais homónimos, distando no entanto do local onde a Lenda da Pedra Amarela ou Lenda do Penedo dos Ovos ocorre (Penha Longa).
O Palácio da Pena por entre o Arco Triunfal de Seteais
Analisando ou desconstruindo a Lenda de Seteais de forma mais profunda, acaba por não se chegar a nenhuma conclusão quanto ao local, e aqui a confusão bifurca-se em dois caminhos relativos à palavra “Seteais”.
Há quem diga que a mesma se deve a uma lenda, a qual daqui não consta por não ter sido encontrada – muito provavelmente encontra-se somente em tradição oral -, que diz que naquele local ao dizer-se “ai”, a interjeição ecoava por sete vezes.
O outro caminho da bifurcação da confusão quanto à origem do nome “Seteais”, é alusivo ao facto de que o referido local onde Seteais é sito, anteriormente ter sido denominado de Centeais. Este aspecto baseia-se na documentação que se encontra no Arquivo Histórico de Sintra, onde se descobre que realmente Centeais (terra de centeio) era mesmo o nome daquele lugar. Porém, aqui surge mais um conflito na lógica: para além do terreno para o cultivo de centeio ter de ser extremamente extenso em planura, o centeio (secale cereale) é uma gramínea que não se dá com o frio nem com a humidade. Mesmo tendo em conta que Sintra nem sempre foi arborizada como o é agora, recorde-se que fica junto ao litoral, e que tem um microclima muito próprio, o que leva à quase invalidação desta segundo possível origem para o nome “Seteais”.
O Palácio de Seteais por entre a vegetação que lhe é fronteira
Esta lenda, tanto quanto se sabe, possui duas versões, muito semelhantes entre si. Ambas se situam no tempo, algures depois de 1147, aquando da reconquista de Lisboa e Sintra, sem uso da força, antes tendo os mouros se rendido sem oferecer qualquer resistência.
Em ambas as versões da lenda, a acção desenrola-se na fuga dos mouros do Castelo de Sintra, e em ambas, um nobre português de nome Dom Mendo Paiva perto do castelo ou já colado às suas muralhas, surpreende uma jovem moura que entre a turba fugia com a sua aia.
Numa lenda, a jovem moura possui o nome de Anasir e sua aia Zuleima, e a outra lenda, não faz qualquer menção aos seus nomes, mas refere o detalhe de que ambas fugiam por uma porta secreta.
Imagens: autores Flickr (respectivamente) anabananasplit; simbiotica ponto org
O Arco Triufal de Seteais na noite
Lenda de Seteais (versão primeira)
"Segundo a lenda, na conquista de Lisboa por Dom Afonso Henriques em que Sintra se rende sem resistência em 1147, um dos primeiros cavaleiros cristãos a subir a serra de Xentra (Sintra) foi D. Mendo de Paiva que encontrou uma porta secreta por onde fugiam vários mouros. Entre eles encontrava-se uma moura muito bonita com a sua velha aia. Quando viu o cavaleiro, a jovem, por se sentir descoberta, suspirou. A aia, aflita, pediu-lhe que não suspirasse mais. D. Mendo decidiu fazer a jovem sua prisioneira. Quando o disse à aia a jovem voltou a suspirar.
A Pedra Amarela na Serra de Sintra, local que possuí um dos marcos geodésicos da Serra bem como uma das cabines elevadas de vigilância, e ainda onde fica situado o Pedra Amarela Campo Base - concebido de acordo com o espírito Scout - tem igual nome a outros locais que em Sintra a rodeiam, sendo que um deles (na Penha Longa) possuí uma lenda de domínio popular, e que na sua singularidade e simplicidade se tornam notórios os traços da Cultura Saloia da região.
Relata como com a simplicidade de acreditar as pessoas se vêem na necessidade de em simplicidade actuar, perseguindo sonhos os quais muitas vezes levam as suas vidas ou as emoções dessas alto demais, até que perdem a linha do horizonte...e não só.
Acaba por ser também uma espécie de aviso da Cultura Sintriana, àqueles que seus segredos tentam descortinar: os mistérios estão mais do que bem encerrados, e quaisquer ferramentas para esses descobrir, certamente se tornarão nas mais frágeis, não o sendo no entanto, a naturalidade de a Serra de Sintra amar, que por si só já tantas portas abre a que outros para sempre estarão fechadas.
E aliás, os "musgos amarelados" revelam bem os tesouros existentes, mas que se encontram encerrados na fortaleza que a Serra de Sintra é, e que aqui se encontra figurado como sendo a infissurável rocha que coberta pelos "musgos amarelados" se encontra.
"Existe, no meio da serra de Sintra um penedo elevado a prumo, caprichosamente, pela Natureza, ou produzidos pelas convulsões vulcânicas do terreno em tempos ignotos, anda ligada à seguinte lenda:
Dizia-se em tempos que por baixo de tal pedra havia um tesouro escondido (um tesouro encantado) que pertenceria a quem fosse capaz de derrubar o penedo, atirando-lhe com ovos.