colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


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sexta-feira, 7 de julho de 2017

"A Rainha D. Carlota Sepultada em São Pedro de Penaferrim" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 30 de Junho de 2017

A Rainha D. Carlota Sepultada em São Pedro de Penaferrim
na edição de 30 de Junho de 2017
do Jornal de Sintra


    Já se encontra disponível para leitura gratuita online, o meu último artigo no Jornal de Sintra. Não é só sobre uma maneira de ser e um rosto que marcou a nossa história através do despeito que muitos têm pelo seu nome; é também um excerto do século XIX que interessará especialmente aos sanpedrinos: A Rainha D. Carlota Sepultada em São Pedro de Penaferim.

    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 30 de Junho de 2017.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico acabado de completar neste mês de Janeiro os seus 83 anos!

    E não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.










quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pedro Pelo Chão Esquecido


    Pedro, Senhor da Casa do Infantado que logo após ter sido criada recebeu – por ora, então – a Quinta de Queluz, encontra-se hoje pelo chão esquecido.

    Um chão gasto, visto e comentado, milhares de vezes por semana.
    Pedro era o último de vários irmãos, sendo o mais velho e promissor, Teodósio, que Teodósio I em poucos anos se esperaria tornar.
    Mas Teodósio adoeceu e morreu. E na linha da família, era Afonso que se seguiria.

Armadura de arcabuzeiro do Rei D. Pedro II,
contendo monograma PR (Petrus Rex) e a cruz da
Ordem de Cristo, cargo hereditário dos Reis de Portugal.
Provável elaboração pelo londrino Richard Holden.
(transformação e tratamento de imagem do autor
a partir de original do The Metropolitan Museum
of Art (em CCO))

    Afonso era louro e de pele clara; Pedro, de cabelo preto e tez agitanada. Um débil, o outro alto e robusto. Ambos, no século XVII se davam às lutas com marginais e homens do povo, de gravata feita com braço pelos pescoços, de armas afiadas jogos de bandos na entrada do Paço se dando. Alguns ainda hoje dizem que serviam essas lutas e jogos, para saber notícias sobre o que em Lisboa se passava no seu mundo mais inferior, quando os marginais largavam mais palavras por derrota ou por empatia.
    As duas adolescências foram passando, e Pedro, alto, de peruca negra debaixo de um refinado escuro chapéu emplumado de larga aba, longas meias pretas e esvoaçantes capas de brilhante seda preta, se destacava entre a corte. E quando o seu irmão, loiro, débil, foi coroado Rei de Portugal, Pedro, além de senhor da Casa do Infantado, além de possuir o Ducado de Beja, ganhou uma imponência ainda maior ao tornar-se Príncipe.

    Aqui a história comprime-se naquilo que algumas vezes conto de viva voz às pessoas, com os pequenos detalhes que tornam mais humanos estes nomes: o irmão de Pedro, o Rei, casou-se, a Rainha arrependeu-se, o povo foi-se arrepiando com as tomadas de decisões no Reino – às vezes, nas audições, o próprio Rei, por irritação a com quem falava começava às punhaladas –, tudo isso fazendo com que surgisse a conjura dos insatisfeitos com o Rei. Quiseram elevar Pedro, a Rei. A história é de várias maneiras contada, mas sabe-se que o Rei Afonso foi para a Ilha Terceira, como prisioneiro.

Moeda de cinco réis do reinado de D. Pedro II (colecção pessoal do autor)

    Pedro, assumindo a regência, por respeito nunca quis ser coroado nem ocupar – literal e espacialmente – os lugares que deveriam ser ocupados pelo Rei nas cerimónias. Curiosamente, a Rainha deixou o Rei e passou a Princesa, pois casou-se com Pedro.
Retábulo da Capela da Peninha na Serra de Sintra,
elaborado através de desenho de João Antunes
(ou João Nunes Tinoco). Para a construção da
própria Capela, Pedro da Conceição poderá
ter contado com o auxílio do Rei D. Pedro II.
(transformação e tratamento de imagem do autor a
partir de original da década de 1970, da Direcção
Geral do Património Arquitetónico (DGPC) (Sistema
de Informação para o Património
Arquitetónico))
    Tudo isto a muitos pode parecer gracioso por se ver um alguém tão elevado em tamanhas tramas e patranhas, mas quem olhe para a sua própria vida familiar só não estremece com algumas situações pois as mesmas não estão expostas e não ficarão para a história.

    Em 1674, Pedro, de quem se dizia ser tão forte que era capaz de só com suas mãos dominar por completo um touro na luta com um, vê-se obrigado – por uma série de razões políticas que para este dia não interessam –, a ordenar que fossem buscar o irmão, o Rei prisioneiro, à Ilha Terceira, onde se encontrava já há cinco anos. Mandou que o fossem buscar e que o levassem para um dos quartos mais altos do Palácio da Vila de Sintra. Nesse mesmo quarto, o irmão, o Rei, ali ficou ao longo de nove anos.
Armadura do Rei de Inglaterra
James II (1685-1688), feita pelo
londrino Richard Holden, possível
feitor da armadura aqui apresentada
como sendo do Rei D. Pedro II.
(transformação e tratamento de
imagem do autor a partir de
original da Royal Armouries)
    Hoje, de Pedro para Sintra, sobra-nos a “vontade” de ali ter encarcerado o irmão durante nove anos, num quarto que tendo parte do chão desgastado, a voz do povo e dos cicerones do século XIX sempre disseram que era do Rei Afonso andar de um lado para o outro. E assim parece Pedro ficar pelo chão esquecido.

    Mas Pedro, enquanto ser humano, deu-nos muito mais do que essa memória da história que a maior parte leva de forma jocosa. No estudar de sua vida começamos a perceber a dignidade que teve ao só se deixar coroar após o falecimento do irmão, do Rei D. Afonso VI. Para além da dignidade e da difícil gestão familiar e real, teve de lidar com a imagem do Reino para o exterior, em especial com o Rei Sol, Luís XIV de França. Para Sintra, temos de seu tempo o início da utilização – e adquirir – da Quinta de Queluz, que derivaria naquilo que conhecemos hoje como Palácio de Queluz. Temos também em Sintra e de seu tempo, o retábulo da Capela da Peninha, zona hoje “mais virgem” da Serra de Sintra, assim como possivelmente a ajuda para a construção da própria Capela. E temos ainda um frade do Convento dos Capuchos da Serra de Sintra que em desespero por ajudar um clérigo cujo prior da Igreja de Santa Maria impedia de ser ajudado, foi fazer uma espera a Alcântara, conseguindo apanhar Pedro; o Rei Pedro escreveu carta régia ao dito prior da Igreja de Santa Maria, levantando o impedimento, e o Frade garantiu que o clérigo passaria a encomendar Pedro a Deus todos os dias, visto que isso mesmo já o Frade há muito o fazia em suas preces diárias.

Gravura representando o Rei D. Pedro II elaborada por Pieter Schenck.
(transformação e tratamento de imagem do autor a partir de original
guardado pelo Stadtmuseum Düsseldorf)

    O Rei D. Pedro II, através do normal decorrer da vida, tão cheia de asperezas, escolhos e difíceis caminhos, acabou por – em tristeza maior – deixar uma importantíssima marca da monarquia no Palácio da Vila, através do aprisionamento de seu irmão.
    Mas como pudemos ver, Pedro não se fica pelo chão gasto esquecido. E menos ainda no dia de hoje, 26 de Abril, dia do seu aniversário, 369 anos depois de seu nascimento. Ficam os seus conselhos e reconhecimentos de seus erros de juventude, que ajudaram também a que através de seu filho surgisse a grande construção de Mafra, assim como dos momentos mais faustosos em celebrações que pudemos na história de Portugal encontrar, e que nessa primeira metade dos anos de 1700 se deram.









segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Convenção de Sintra, Dalrymple e Junot - Contributo Para a Sua Clarificação


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Contribuição: Edgar Cavaco
Imagens: créditos designados nas legendas


  Com as invasões francesas no início do século XIX, e com todos os acontecimentos que lhe foram inerentes em território português (declaração de guerra à Grã-Bretanha, fuga da Família Real Portuguesa para o Brasil, religação Portugal/Grã-Bretanha, etc.), é assinado um armistício entre França e a Grã-Bretanha em 1808, para a partida dos franceses de solo português.

  A convenção onde foi ratificado o armistício ficou conhecida como "Convenção de Sintra", um nome que apenas devido à localidade de onde a carta informando o Governo Britânico do acordo consumado entre franceses e britânicos, havia sido remetida, e devido à já fama que Sintra possuía no seio britânico, levou a que se assumisse que o armistício tinha sido assinado em Sintra. Não impediu contudo tal facto, que tivessem surgido as hipóteses e certezas de que a "Convenção de Sintra" tinha sido assinada no Palácio de Seteais, ou no Palácio de Queluz.

  Num post do Secreto Palácio de Sintra onde aparece uma nota alusiva à "Convenção de Sintra", E. Cavaco do blog "As Invasões Francesas" teve a amabilidade de deixar o seu rico contributo na reposição da verdade da história, clarificando de forma rigorosa alguns dos contornos que envolveram a ratificação do armistício.

Blog "As Invasões Francesas" de E. Cavaco

Assim, ficam aqui os seus dois comentários como foram colocados, havendo no entanto notícia por parte do seu autor de que ao longo deste ano de 2011 irão ser publicados documentos relativos às Invasões Francesas em Portugal por ordem cronológica, sendo que  perto do Outono estarão disponibilizados os textos do armistício, da "Convenção de Sintra" (o texto provisório que foi rectificado, e o definitivo), e outros referentes ao mesmo assunto: diversas cartas do juiz de Lisboa e de alguns oficiais do exército português aos generais ingleses (destes últimos ao governo britânico), algumas notícias de jornais britânicos, entre outros. Em Dezembro de 2011 será ainda publicado o resultado do inquérito que foi feito em Inglaterra a este mesmo respeito.


1ª MISSIVA
[nota: dos links presentes no texto, os indicados pelo seu autor encontram-se precedidos por um asterisco]