colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


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quarta-feira, 2 de maio de 2018

3 de Maio: Aniversário do Convento dos Capuchos da Serra de Sintra

Um frade sentado nos rústicos degraus entre as cruzes que colinas acima de Monserrate
indicavam o caminho para o Convento dos Capuchos da Serra de Sintra.

    Este 3 de Maio é para mim tão especial como todos os que têm passado. O deste ano celebra 458 anos de história desde a fundação do Convento dos Capuchos da Serra de Sintra. Na verdade, o nome de baptismo do Convento era Convento da Santa Cruz da Serra de Sintra. E que Santa Cruz? E como se relaciona essa com o dia 3 de Maio?

    Neste ano o consumir de tempo por parte dos projectos em que estou envolvido fez com que escrevesse apenas um artigo sobre o Convento, tendo-o feito na última edição do Jornal de Sintra. E é nesse artigo que encontrará a resposta às perguntas que acima coloquei, assim como outros factos da sua história.

As entradas para as enfermarias, em frente daquela
que hoje é conhecida como "Sala da Penitência"
(esta última não se encontra presente na imagem).

    As vivências que ali se deram tentavam, no maior desconforto humano, enaltecer a entrega que faziam à sua fé. Entre as crónicas de há séculos atrás foram anotados os nomes daqueles que ali viveram assim como aquilo que ali viveram. Mas há que nunca esquecer que esses, esses que nos fazem o peito enfunar no entusiasmo e fascínio que encontramos nos relatos das suas histórias, foram tão humanos como nós, sentindo o calor, sentindo o frio, a humidade, o sono, a paixão, o amor, o ódio, enfim, tudo aquilo que nos distingue - a nós e àqueles - das personagens de ficção que nunca existiram.

    Poderá celebrar o aniversário do nosso amado Convento ao ler aqui o artigo do Jornal de Sintra dedicado ao seu aniversário e às razões e tradições do seu original nome.



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segunda-feira, 30 de abril de 2018

"Invenção e Exaltação nos Capuchos" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 27 de Abril de 2018

Exaltação e Invenção nos Capuchos
na edição de 27 de Abril de 2018
do Jornal de Sintra

Que Exaltação e que Invenção foram estas? É o que irá saber agora ao poder consultar gratuitamente online o meu último artigo no Jornal de Sintra. Invenção e Exaltação nos Capuchos trar-lhe-á o que decerto não espera e que assinala algo de grande e sentimental importância:

    Mas hoje o Convento dos Capuchos irá mostrar-nos o que nos próximos dias chegará. E isso
está relacionado com a sua invocação original, com o nome através do qual surgiu na Serra de
Sintra: Convento
da Santa Cruz da Serra de Sintra.
    No ano de 312 o Imperador... (...)


    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 27 de Abril de 2018.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que completou em Janeiro deste ano os seus 84 anos!

    E não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.





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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Sintra e a Invenção da Cruz: 457 anos sobre a fundação do Convento dos Capuchos, 562 anos sobre o nascimento do Príncipe Perfeito



    Este é um dia especial para Sintra, e especialíssimo para alguns espaços específicos de Serra e Vila.

    E porquê Invenção da Cruz? Porque hoje é dia 3 de Maio, e em Portugal, durante a maior parte do correr do tempo no reino, a Invenção da Cruz foi celebrada a 3 de Maio. Existiram outros dias do ano para o celebrar (cá, tendo também sido a 14 de Setembro) mas para o que hoje interessa e tenho para – de especial – lhe contar, foi no 3 de Maio. A origem do termo – Invenção da Cruz – poderá conhecê-la no artigo que publiquei no ano de 2016, também a 3 de Maio (disponível aqui).

O Convento dos Capuchos da Serra de Sintra, por William Burnett,
década de 1830 (transformação e tratamento de imagem por parte do autor
a partir de original da Biblioteca Nacional de Portugal)

    Temos um Rei, por exemplo, que em termos de impacto pela vivência, pela sua vivência aqui em momentos críticos, pode dizer-se que tem uma ligação especial com Sintra. Não nasceu aqui, mas nasceu num dia da Invenção da Cruz, num 3 de Maio dos anos de 1400. O povo, de saia e barrete, e os eruditos de chapeirão e sapato em ponta, sempre tentaram inventar lendas que o ligassem a Sintra, mas curiosamente essas lendas parece que ganharam vida e no seu recontar colocaram outras personagens da história na vez do nome de D. João II, ou o inverso.

Iluminura do Livro dos Copos, mandado elaborar por D. João II,
podendo ler-se neste fragmento
Saibam todos que na era de mil quatrocentos e trinta e dois anos...
(transformação e tratamento de imagem por parte do autor
a partir de original da Torre do Tombo)


    Mas isso também não é para hoje e poderá muito bem ser para breve. Mas mais do que nas lendas por humanas mentes produzidas, nós temos a realidade lendária que foi vivida, e lendária por tão intensa ter sido em seu viver e sentir. Sabemo-lo mesmo que não saibamos exactamente do que se fale: a morte, o ódio, o amor, o perigo, tudo é lendário quando a extremos levado. O início do reinado de D. João II passa por um tropeção quando é coroado em Santarém, mas o pai, D. Afonso V decide voltar e o novo Rei passa a velho Príncipe.


Iluminura do Livro dos Copos, mandado elaborar por D. João II,
podendo ler-se neste fragmento
O nome Deos Seja Sempre Louvado

(transformação e tratamento de imagem por parte do autor
a partir de original da Torre do Tombo)

    Da segunda e definitiva vez que D. João, Príncipe de Portugal, é coroado Rei, inicia de imediato uma série de medidas que passam por adagas, e cepo e sator (carrasco). Tudo, em nome da justiça e do povo. Aliás, a alma da divisa que a Guarda Nacional Republicana (G.N.R.) utiliza é a mesma que o Rei teve para si: Pela Lei e Pela Grei. Essa reviravolta na forma como a justiça é aplicada, acaba por estar relacionada com Sintra, pois foi em Sintra, no Paço Real (vulgo, Palácio da Vila), numa parte específica que mesmo nos dias de hoje feia sendo, é para mim das mais belas, pela coroação do Príncipe Perfeito nesse lugar. Sim, o ser humano que nasceu no dia da Invenção da Cruz do ano de 1455 e que ficou marcadamente conhecido na nossa história, foi coroado Rei em Sintra. O Rei que se preocupava com o que os filhos dos pais diziam, como no caso de João Álvares, conhecido como o Gato. De pobre ascendência conseguiu destacar-se no paço; mas certa vez seu pai passou por si, fez-lhe a devida vénia, e Gato desprezou-o; D. João II ao tomar conhecimento da situação disse para o Gato não lhe voltar a aparecer, pois o homem que desprezava seu pay e lhe nam fazia bem, podendoo fazer, nam era pera se fiarem delle. Entre milhares de coisas mundanas – mas intensas para quem as vivia como cada um de nós hoje vive sua vida – foi também o Rei que fez cumprir justiça quando os camponeses se queixaram do roubo impune que os homens dos grandes senhores faziam nas suas amoreiras: roubando-lhes os bichos-da-seda, e assim quebrando o negócio da extracção do fio que fazia a nobreza sentir o suave deslizar do tecido em seu corpo. E, voltando a Sintra, o Rei que se relaciona também com o cume onde hoje em dia se situa o Palácio da Pena, mesmo antes de ser o Mosteiro de Nossa Senhora da Pena que ali antes ocupava aquele cume da Serra.

O altar da Igreja (gruta) do Convento dos
Capuchos da Serra de Sintra


    Mas agora, pela Invenção da Cruz, há também que falar de uma edificação religiosa. Ou melhor talvez seja a ela aludir como construção religiosa. Saindo da coroação de D. João II e das cerimónias fúnebres com essa relacionada – iniciadas de noite com centenas de homens carregando archotes pelos caminhos de Sintra saindo –, temos necessariamente de entrar num dos lugares mais especiais da Serra, e que séculos atrás era conhecido também como "Convento da Santa Cruz." Refiro-me ao Convento dos Capuchos da Serra de Sintra, e a mais um feliz aniversário da sua fundação. "Feliz", pois todos nós podemos senti-lo, é quase como uma dádiva divina para na terra sentirmos através da estranheza da sua configuração (a felicidade da curiosidade e vida com que nos preenche, mesmo que a morte ou a mortificação tenha estado sempre bem presente nos corações daqueles que ali viveram). Celebram-se hoje 457 anos desde a sua fundação no dia da Invenção da Cruz, 3 de Maio, do ano de 1560. Já dele várias vezes aqui falei, e mesmo de forma um pouco mais extensa no ano passado, quando igualmente relembrei o seu aniversário. Mas falar no Convento dos Capuchos da Serra de Sintra significa não poder deixar de falar em D. João de Castro, um dos grandes heróis, valido da honra e da curiosidade que faz com que o mundo se desenvolva, da história de Portugal. E só doze anos depois da vida ter abandonado o seu corpo é que viu, através de seu filho, o desejo de ver levantado o austero Convento no meio da Serra de Sintra. Para além do encanto que o interior do Convento transmite a quem o visite e a quem do conhecimento da religião se encontre distante, conhecer os hábitos, os seres humanos – e seus nomes – que ali viveram, e alguns dos quais ali, ao longo daqueles espaços, no interior daquele monte de rochas, também foram sepultados. O Convento dos Capuchos mantém de forma rígida, um outro tempo, um outro ambiente, para que nós ainda nos dias de hoje consigamos senti-los levemente, já num ritmo de vida completamente diferente, já num sentir completamente diferente.

O Pórtico das Fragas, de entrada para o Convento
a aguardar por si, 457 anos depois

    Hoje é um dia especial para Sintra. Celebram-se dois aniversários muito importantes. Não posso deixar de lembrar que os espaços com esses aniversários relacionados estão ao seu alcance, para que a história possa sentir.









terça-feira, 3 de maio de 2016

Aniversário do Convento dos Capuchos da Serra de Sintra || Dia da Invenção da Cruz (3 de Maio)

   
o altar da Igreja do Convento dos Capuchos da Serra de Sintra


     Hoje é dia 3 de Maio, dia da Invenção da Cruz segundo o calendário litúrgico cristão, em Portugal. A muitos poderá causar estranheza o termo invenção, e a outros - mais avessos - será uma alavanca para a crítica.

     O termo invenção neste contexto vem do latim invenire, o que etimologicamente decomposto dará algo como "ao encontro", dada a preposição in e o verbo venire, representando este último algo como "chegar".
     Resumidamente, tinha o termo invenção na sua etimologia, na sua origem em latim, o significado "encontrar". E é isso que a celebração da Invenção da Cruz comemora: a descoberta da cruz em que Cristo foi crucificado no ano de 325, por Santa Helena.


pórtico de entrada no Convento dos Capuchos
formado por rochas


     Aflorei a Invenção da Cruz pois relaciona-se intimamente com o Convento dos Capuchos da Serra de Sintra. Não por apenas ser uma data coincidente.
     Na igreja do Convento - e para quem não o conheça, terá de desmantelar o arquétipo quadrangular de igreja e substituí-lo pela imagem de uma gruta - encontra-se uma descrição que nos transmite uma vivência, um avivar do passado. Se nos transportássemos no presente 3 de Maio até, por exemplo, aos anos de 1600, chegando até ao átrio do Convento dos Capuchos da Serra de Sintra veríamos a missa ser aí celebrada devido à multidão que a ele tinha acorrido.
     No seio de cada pessoa estava bem presente o que a inscrição transmitia: quem no dia da Invenção da Cruz ao Convento dos Capuchos conseguisse até ao sol posto chegar, e desde que já se tivesse confessado ou intenção de tal possuísse, teria o perdão dos seus pecados. Era-lhe também pedido o rogo por várias entidades cristãs e também pela alma do grande D. João de Castro, um dos mais destacados heróis da história de Portugal que pediu a seu filho para ali erguer o Convento dos Capuchos da Serra de Sintra. O grande D. João de Castro, que faleceu na Índia na maior das misérias e nos braços de São Francisco Xavier.


as escadas da Igreja para o coro alto


     Era esse dia da Invenção da Cruz, o dia 3 de Maio, vivido de forma muito especial no Convento dos Capuchos da Serra de Sintra.

     Mas o 3 de Maio era especial para o Convento da Cortiça - que tinha os seus quartos como caixões para muitos viajantes estrangeiros que o visitavam - também pela tradição que no século XVIII corria no Convento: no ano de sua fundação, 1560, tinha sido no 3 de Maio que recebera a primeira pedra de sua construção, e que o suave vale - então claramente visível - em redor tinha visto as grandes rochas de cume de seu monte serem abertas para as vivências que ali foram intensas durante quase trezentos anos.

o brasão dos Castro e a lápide onde se encontra
a inscrição sobre as indulgências no
dia da Invenção da Cruz


     Pode assim afirmar-se que, segundo a tradição do Convento dos Capuchos da Serra de Sintra, hoje, 3 de Maio, o Convento dos Capuchos faz 456 anos.
     Que o seu espírito possa eternamente perdurar e que o exemplo da mortificação das suas vivências seja continuamente edificado pelo respeito que o lugar merece.