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Depois da tradução da carta de doação de D. Afonso Henriques a Gualdim Pais alusiva a Sintra, e colocada no Secreto Palácio de Sintra, e pela fortuna de alguns leitores terem apontado alguns possíveis erros, vi-me na necessidade de realizar duas adendas para compor um errata, sendo esta uma delas.
Para que tal fosse possível, é necessário deixar um especial agradecimento ao companheiro de caminho Degraconis, pela forma privada como abordou também ele os meus erros, fazendo uso de delicadeza e tacto, bem como pelo facto de ter informado que a tradução não foi realmente a primeira a ser realizada - a primeira tendo sido de Frei Bernardo da Costa (“Historia da Militar Ordem de Nosso Senhor Jesus Christo”) e contendo um importante erro de tradução abordado na segunda adenda desta errata - e ter sugerido algumas obras, entre as quais aquelas em que estas duas adendas se baseiam, no que à história dos Templários toca.
Inicialmente, gostaria de dizer que a data indicada na tradução (Era Hispânica ano de 1199, correspondendo a 1161 d.C.) não corresponde à realidade histórica. Isso porque em 1161 d.C. a Rainha Mafalda - que também assina o documento em questão - já não era viva, tendo falecido em Dezembro de 1158 d.C. Esta data referem-na a título de exemplo, Frei Bernardo da Costa (obra já citada), e o Visconde da Juromenha no “Cintra Pinturesca”. Viterbo refere que não seria de 1199, mas sim de 1180 (em sua consulta ao documento, no cartório de Tomar, tomando-o como original). Acontece que Gonçalo de Sousa, o dapifer responsável pela elaboração do documento, só ocupou o cargo a partir de Abril de 1157 d.C., o que tendo sido na era de 1180, seria equivalente a 1152 d.C. - logo, impossível. Infere-se assim, que a data real do documento deverá situar-se entre 1157 d.C. e 1158 d.C. - o que se supõe que está na origem destes erros que acabam por acontecer frequentemente em documentos com muitos séculos, é que devido à degradação dos mesmos, quando eram transcritos não eram feitos os cálculos correctos tendo em conta a data em que estavam, a data dos documentos, e a Era Hispânica.
“…tem a ver com a questão de que sendo Gualdim Pais à altura Grão-Mestre da Ordem dos Templários em Portugal, as ditas casas…”
Esta foi a passagem que por ser uso corrente de muitos - em especial daqueles que não convivem diariamente com o tema dos Templários - é frequentemente utilizado “Grão-Mestre” para referir o grau máximo da Ordem do Templo à altura da sua presença activa no reino de Portugal (séc. XII a XIV).
Para além da própria denominação em si, baseando-me no “Elucidario das Palavras, Termos e Frases que em Portugal antigamente se usaram” de Joaquim de Santa Rosa de Viterbo - obra do século XVIII - realizei uma pesquisa que julguei ir ao encontro de tornar o documento que esta adenda originou, ainda um pouco mais claro, como se verá mais à frente.
