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O Mestre da Ordem do Templo
edição de 8 de Abril de 2016 do
Jornal de Sintra
Publicado na edição do Jornal de Sintra de 8 de Abril de 2016, poderá agora consultar o meu último artigo sobre as lendas e os factos lendários de Sintra, desta vez dedicado a Gualdim Pais: O Mestre da Ordem do Templo
Para o ler bastará abrir a imagem (ou realizar download da mesma) ou então seguir o link do site do Jornal de Sintra e abrir a edição de 8 de Abril de 2016 - o link abrirá num PDF e o artigo encontrar-se-á na página 2.
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Como segunda adenda desta errata da tradução da carta de doação de D. Afonso Henriques a Gualdim Pais alusiva a Sintra, e já depois de na primeira se ter abordado o termo “Grão-Mestre” no que toca à denominação do responsável máximo pelos Templários em Portugal do século XII ao século XIV - e também o facto de a tradução por mim realizada dentro do Secreto Palácio de Sintra não ter afinal sido a primeira - esta segunda parte foca-se na tradução do termo apud, do latim para o português, na supracitada tradução.
Depois dessa ter sido realizada e revista, existia algo no documento que não se estava a coadunar com outros escritos que à luz da vela que se encontram em desenvolvimento no Secreto Palácio de Sintra, e que têm que ver com a presença Templária em Sintra.
Ora esses opus em tudo apontavam para que os Templários tivessem tido uma forte presença em Sintra, ou pelo menos nos limites daquilo que à altura era definido como Sintra.
O próprio Foral de Sintra diz que: “In primis damus vobis XXX casales cum suis hereditatibus in ulixbona XXX populat oribus qui in presenti illud castellum populatis…” [Francisco Costa: “Em primeiro lugar, damo-vos trinta casais com suas fazendas em Lisboa, a vós trinta povoadores que ao presente povoais aquele castelo…”]. A pergunta que com naturalidade surge, é porque sendo os beneficiados de Sintra recebiam casais em Lisboa.
A utilização do termo “in” é ablativa, e com clareza quer dizer “em”, o que vem dar um reforço à ideia de que os benefícios de que poderiam usufruir, teriam que ser mesmo em Lisboa, ou tanto quanto a lógica nos poderá levar de seguida, não poderiam ser em Sintra. Porquê esta divisão tão acentuada?
Na época da presença romana, e de acordo com a cultura e organização romana, as terras tinham os seus limites muito bem definidos, formando assim fora das grandes cidades, municípios, com todas as regulamentações, direitos e deveres, que lhes eram adstritos. Depois da queda do Império Romano, e com o desfalecimento de toda a sociedade romana, os povos que vieram ocupar esta zona da Península, apesar de se terem introduzido e estabelecido com as suas culturas próprias, não foram capazes de desenvolver moldes de sociedade diferentes daqueles que ainda subsistiam como traços do Império Romano.
Depois da tradução da carta de doação de D. Afonso Henriques a Gualdim Pais alusiva a Sintra, e colocada no Secreto Palácio de Sintra, e pela fortuna de alguns leitores terem apontado alguns possíveis erros, vi-me na necessidade de realizar duas adendas para compor um errata, sendo esta uma delas.
Para que tal fosse possível, é necessário deixar um especial agradecimento ao companheiro de caminho Degraconis, pela forma privada como abordou também ele os meus erros, fazendo uso de delicadeza e tacto, bem como pelo facto de ter informado que a tradução não foi realmente a primeira a ser realizada - a primeira tendo sido de Frei Bernardo da Costa (“Historia da Militar Ordem de Nosso Senhor Jesus Christo”) e contendo um importante erro de tradução abordado na segunda adenda desta errata - e ter sugerido algumas obras, entre as quais aquelas em que estas duas adendas se baseiam, no que à história dos Templários toca.
Inicialmente, gostaria de dizer que a data indicada na tradução (Era Hispânica ano de 1199, correspondendo a 1161 d.C.) não corresponde à realidade histórica. Isso porque em 1161 d.C. a Rainha Mafalda - que também assina o documento em questão - já não era viva, tendo falecido em Dezembro de 1158 d.C. Esta data referem-na a título de exemplo, Frei Bernardo da Costa (obra já citada), e o Visconde da Juromenha no “Cintra Pinturesca”. Viterbo refere que não seria de 1199, mas sim de 1180 (em sua consulta ao documento, no cartório de Tomar, tomando-o como original). Acontece que Gonçalo de Sousa, o dapifer responsável pela elaboração do documento, só ocupou o cargo a partir de Abril de 1157 d.C., o que tendo sido na era de 1180, seria equivalente a 1152 d.C. - logo, impossível. Infere-se assim, que a data real do documento deverá situar-se entre 1157 d.C. e 1158 d.C. - o que se supõe que está na origem destes erros que acabam por acontecer frequentemente em documentos com muitos séculos, é que devido à degradação dos mesmos, quando eram transcritos não eram feitos os cálculos correctos tendo em conta a data em que estavam, a data dos documentos, e a Era Hispânica.
Esta foi a passagem que por ser uso corrente de muitos - em especial daqueles que não convivem diariamente com o tema dos Templários - é frequentemente utilizado “Grão-Mestre” para referir o grau máximo da Ordem do Templo à altura da sua presença activa no reino de Portugal (séc. XII a XIV).
Para além da própria denominação em si, baseando-me no “Elucidario das Palavras, Termos e Frases que em Portugal antigamente se usaram” de Joaquim de Santa Rosa de Viterbo - obra do século XVIII - realizei uma pesquisa que julguei ir ao encontro de tornar o documento que esta adenda originou, ainda um pouco mais claro, como se verá mais à frente.
O facto de na referida carta de doação as casas e herdades não estarem discriminadas, faz supor que as mesmas já deveriam estar em posse de Gualdim pais, tendo sido a carta de doação, um documento que de forma oficial selava aquele como autêntico dono.
Outro aspecto a ter em conta, e que por alguns autores é abordado pendendo para um lado ora para outro, tem a ver com a questão de que sendo Gualdim Pais à altura Grão-Mestre da Ordem dos Templários em Portugal, as ditas casas de Sintra teriam sido atribuidas à Ordem dos Templários e não apenas ao indivíduo, usando para isso na carta de doação, o termo de latim "Magistro Gualdino", equivalendo a "Mestre Gualdim". Porém, não existe nenhuma prova que provoque uma conclusão definitiva em relação a isso mesmo, embora que seja de supor que sendo um Freire Templário, as suas posses - bem como as da Ordem dos Templários - não fossem para usufruto pessoal ou da Ordem, mas para o Senhor [nota: como no lema dos Templários (a sublinhado), extraído do Salmo 113 da antiga Vulgata e da antiga tradução grega da Bíblia, e do Salmo 115 da tradução hebraica da Bíblia: "Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam, super misericordia tua et veritate tua" - "nada para nós Senhor, nada para nós, mas a Teu nome dai glória, pelo amor da tua misericórdia e da tua verdade"].
Abaixo encontra-se primeiramente a carta de doação de D. Afonso Henriques para Gualdim Pais das casas junto a Sintra, no seu latim original (latim medieval), seguida da tradução de latim para português de minha autoria autoria, coadjuvado por A. V., e com revisão de A. Simões: