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domingo, 31 de outubro de 2010

Templários e Latim - "apud" e Sintra - Segunda Adenda da Errata à Tradução da Doação de D. Afonso Henriques a Gualdim Pais



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra




  Como segunda adenda desta errata da tradução da carta de doação de D. Afonso Henriques a Gualdim Pais alusiva a Sintra, e já depois de na primeira se ter abordado o termo “Grão-Mestre” no que toca à denominação do responsável máximo pelos Templários em Portugal do século XII ao século XIV - e também o facto de a tradução por mim realizada dentro do Secreto Palácio de Sintra não ter afinal sido a primeira - esta segunda parte foca-se na tradução do termo apud, do latim para o português, na supracitada tradução.

  Depois dessa ter sido realizada e revista, existia algo no documento que não se estava a coadunar com outros escritos que à luz da vela que se encontram em desenvolvimento no Secreto Palácio de Sintra, e que têm que ver com a presença Templária em Sintra.

  Ora esses opus em tudo apontavam para que os Templários tivessem tido uma forte presença em Sintra, ou pelo menos nos limites daquilo que à altura era definido como Sintra.

  O próprio Foral de Sintra diz que: “In primis damus vobis XXX casales cum suis hereditatibus in ulixbona XXX populat oribus qui in presenti illud castellum populatis…” [Francisco Costa: “Em primeiro lugar, damo-vos trinta casais com suas fazendas em Lisboa, a vós trinta povoadores que ao presente povoais aquele castelo…”]. A pergunta que com naturalidade surge, é porque sendo os beneficiados de Sintra recebiam casais em Lisboa.

  A utilização do termo “in” é ablativa, e com clareza quer dizer “em”, o que vem dar um reforço à ideia de que os benefícios de que poderiam usufruir, teriam que ser mesmo em Lisboa, ou tanto quanto a lógica nos poderá levar de seguida, não poderiam ser em Sintra. Porquê esta divisão tão acentuada?

  Na época da presença romana, e de acordo com a cultura e organização romana, as terras tinham os seus limites muito bem definidos, formando assim fora das grandes cidades, municípios, com todas as regulamentações, direitos e deveres, que lhes eram adstritos. Depois da queda do Império Romano, e com o desfalecimento de toda a sociedade romana, os povos que vieram ocupar esta zona da Península, apesar de se terem introduzido e estabelecido com as suas culturas próprias, não foram capazes de desenvolver moldes de sociedade diferentes daqueles que ainda subsistiam como traços do Império Romano.

Templários em Portugal - Mestre e Grão-Mestre - Primeira Adenda da Errata à Tradução da Doação de D. Afonso Henriques a Gualdim Pais



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: O Caminheiro de Sintra




 Depois da tradução da carta de doação de D. Afonso Henriques a Gualdim Pais alusiva a Sintra, e colocada no Secreto Palácio de Sintra, e pela fortuna de alguns leitores terem apontado alguns possíveis erros, vi-me na necessidade de realizar duas adendas para compor um errata, sendo esta uma delas.

 Para que tal fosse possível, é necessário deixar um especial agradecimento ao companheiro de caminho Degraconis, pela forma privada como abordou também ele os meus erros, fazendo uso de delicadeza e tacto, bem como pelo facto de ter informado que a tradução não foi realmente a primeira a ser realizada - a primeira tendo sido de Frei Bernardo da Costa (“Historia da Militar Ordem de Nosso Senhor Jesus Christo”) e contendo um importante erro de tradução abordado na segunda adenda desta errata - e ter sugerido algumas obras, entre as quais aquelas em que estas duas adendas se baseiam, no que à história dos Templários toca.

 Inicialmente, gostaria de dizer que a data indicada na tradução (Era Hispânica ano de 1199, correspondendo a 1161 d.C.) não corresponde à realidade histórica. Isso porque em 1161 d.C. a Rainha Mafalda - que também assina o documento em questão - já não era viva, tendo falecido em Dezembro de 1158 d.C. Esta data referem-na a título de exemplo, Frei Bernardo da Costa (obra já citada), e o Visconde da Juromenha no “Cintra Pinturesca”. Viterbo refere que não seria de 1199, mas sim de 1180 (em sua consulta ao documento, no cartório de Tomar, tomando-o como original). Acontece que Gonçalo de Sousa, o dapifer responsável pela elaboração do documento, só ocupou o cargo a partir de Abril de 1157 d.C., o que tendo sido na era de 1180, seria equivalente a 1152 d.C. - logo, impossível. Infere-se assim, que a data real do documento deverá situar-se entre 1157 d.C. e 1158 d.C. - o que se supõe que está na origem destes erros que acabam por acontecer frequentemente em documentos com muitos séculos, é que devido à degradação dos mesmos, quando eram transcritos não eram feitos os cálculos correctos tendo em conta a data em que estavam, a data dos documentos, e a Era Hispânica.

“…tem a ver com a questão de que sendo Gualdim Pais à altura Grão-Mestre da Ordem dos Templários em Portugal, as ditas casas…”

  Esta foi a passagem que por ser uso corrente de muitos - em especial daqueles que não convivem diariamente com o tema dos Templários - é frequentemente utilizado “Grão-Mestre” para referir o grau máximo da Ordem do Templo à altura da sua presença activa no reino de Portugal (séc. XII a XIV).

  Para além da própria denominação em si, baseando-me no “Elucidario das Palavras, Termos e Frases que em Portugal antigamente se usaram” de Joaquim de Santa Rosa de Viterbo - obra do século XVIII - realizei uma pesquisa que julguei ir ao encontro de tornar o documento que esta adenda originou, ainda um pouco mais claro, como se verá mais à frente.