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6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Palácio da Pena e Lisboa: "Presença de Lisboa na Arquitectura do Castelo da Pena"



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra


Retrato de D. Fernando II
  Da revista municipal Lisboa de há quase vinte cinco anos atrás - mais precisamente do ano de 1986 - consta um excelente artigo intitulado Presença de Lisboa na Arquitectura do Castelo da Pena.

  Para além de inúmeras referências ao Palácio da Pena dignas de registo para quem por ele se interessar, o referido artigo tem um efeito curioso que é o de organizar dentro da mente de quem o leia, aquilo que muitos já se terão apercebido, mas que possivelmente nunca o estruturaram mentalmente ou analisaram com a clareza que nele é notória:

"O Castelo da Pena, essa estranha e tão sedutora criação de D. Fernando II e do arquitecto Barão de Eschwege, é, no seu aspecto arquitectónico, uma obra híbrida, na qual avulta a sua feição de revivalismo. Tem pormenores inspirados em variados estilos (1). Aí encontramos também a presença do manuelino, aspecto que Raul Lino valorizou pelo seu carácter prioritário, mas sem pormenorizar infelizmente: «é digno de nota o terem-se aproveitado aqui (na Pena) pela primeira vez elementos de arquitectura nacional, nomeadamente manuelinos». (2)


Decorridas cerca de três décadas, Diogo de Macedo, simultaneamente um escultor e um estudioso, um historiador e um crítico de arte que nos legou páginas com reais méritos, assim apreciou a mesma faceta desse monumento: «no culto de um nacionalismo delirantemente concebido, só a preocupação imitativa de velhos estilos, em total fantasia cenográfica se tornaria notória pelo barroquismo pitoresco e compósito que o rei D. Fernando fora o primeiro a adoptar nas obras do palácio da Pena, em Sintra. Romantismo evocativo que, sobretudo viria a perturbar pelos pastiches imprevistos».(3)


Tal como Raul Lino, Diogo de Macedo mantém os seus comentários num plano de generalidade.


Quanto ao Prof. José-Augusto França, nas suas magistrais e penetrantes páginas dedicadas ao Castelo da Pena, aponta no mesmo sentido dois aspectos particulares: o «Pórtico de Tritão, imitação da Porta da Justiça de Alhambra, de Granada, cujas plantas e levantamentos foram riscados por encomenda de D. Fernando», assim como «a imitação da famosa janela da Sala do Capítulo do Convento de Cristo em Tomar», apreciando-a, com o seguinte comentário: «A cópia infiel da Janela do Capítulo denuncia a involuntária caricatura romântica - que, neste caso, agindo sobre um elemento decorativo de um estilo ornamental lhe faz a crítica... Decoração em segundo grau, decoração de decoração, o desenho romântico desfaz-se, desfazendo também o original manuelino, a sua insuficiência arquitectural de aplique.
Janela do Capítulo, no Convento de Cristo em Tomar (imagem não presente no artigo original)
Formalmente, D. Fernando tornou pesada a esbelteza do desenho de Castilho e invertendo de propósito a posição da janela e da rosácea (que perdeu densidade realista), tudo reduziu a uma ilustração. O gigante ou Tritão que ele desenhou para a fachada oposta é uma ampliação brutal da estatueta que termina inferiormente a janela de Tomar — e aí algo de fantástico passou à pedra, com raríssima manifestação de sobrenatural do romantismo entre nós». (4)
Ser semelhante ao Tritão do Palácio da Pena, na base da Janela do Capítulo no Convento de Cristo em Tomar (imagem não presente no artigo original)
Parece-nos haver interesse assinalar, em especial numa revista olisiponense como esta, encontrarem-se, entre as imitações existentes no Castelo da Pena, diversas originais da cidade de Lisboa.
Porta antecedendo a Ponte Levadiça tem nas ombreiras e na parte superior uma decoração cuja semelhança com a do Cunhal das Bolas no Bairro Alto, em Lisboa, é evidente
Aspecto do Cunhal das Bolas

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A História do Paço Real de Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: O Caminheiro de Sintra




 A história do Paço Real de Sintra (também conhecido como “Palácio Nacional de Sintra”, e “Palácio da Vila”) remonta aos tempos da ocupação islâmica, dizendo-se que à altura Sintra teria dois castelos.

 Um deles, era - e é - localizado no topo de uma colina com vista para norte, e é actualmente denominado de “Castelo de Mouros”.

 O outro, localizado no declive dessa mesma colina, supostamente terá sido a residência dos governantes mouros da região, tendo tempos depois da Reconquista, sido denominado de Paço Real de Sintra.

 Essa - estranha de se ler nos dias de hoje - primeira referência histórica, surgiu no século X pelo geógrafo árabe Al-Bakr. Depois, no século XII, quando Sintra foi tomada em paz por D. Afonso Henriques, a residência dos governantes árabes passou a ser um edifício importante na conjectura do reino português, tendo inclusive alguns autores assumido que tinha sido essa uma das casas que D. Afonso Henriques havia doado a Gualdim Pais, Grão-Mestre da Ordem dos Templários em Portugal.

 Da forma mourisca do Paço Real de Sintra, dos primeiros tempos de ocupação cristã, diz-se nada se ter mantido até aos dias de hoje, sendo talvez a parte mais antiga, a Capela Real, possivelmente construída durante o reinado de D. Dinis no início do século XIII.

 As grandes campanhas de renovação do Paço Real de Sintra, começaram talvez com D. João I, por volta do século XIV, nos edifícios à volta do pátio central (recorde-se que a antiga configuração do Paço Real de Sintra tinha ao longo do perímetro do largo que fica à frente da actual escadaria, altos muros fazendo lembrar um castelo) onde as suas maiores alterações datam desta campanha, que incluiu o edifício principal com as arcadas, bem como as chaminés cónicas. Do interior, e datando ainda desta modificação, uma série de salas foram fundadas, como por exemplo a Sala das Pegas (na qual se basei uma das lendas do Paço Real de Sintra, ou Palácio Nacional de Sintra).

 Seguiram-se depois outros projectos de renovação, um ainda no mesmo século XV, e outro no século XVI. Desses projectos ordenados pelo rei D. Manuel I e pelo rei D. João III, entre 1497 e 1530, e à medida que o reino ia assistindo ao desenvolvimento de um estilo de transição da arte Gótico-Renascentista denominado “Manuelino”, inspirado nos feitos dos portugueses nos Descobrimentos, bem como uma espécie de renascimento artístico de influência islâmica chamado de Mudéjar, o Paço Real de Sintra ganhou em certas partes os tons policromáticos dos azulejos de traçado islâmico, bem como a Ala Manuelina (no extremo direito, estando de frente para as arcadas e possuindo decoradas janelas em pedra) e a Ala Joanina. Surgiu também durante estas modificações, a Sala dos Brasões.

 Nessas primeiras renovações pela parte de D. Manuel, o arquitecto responsável foi Diogo Boytac (também conhecido como "Diogo de Boitaca"), crendo-se que tenha sido este um dos primeiros maçons em Portugal. Apesar deste facto, algumas assinaturas maçónicas que constam desse edifício bem como de outros em Sintra, tudo leva a crer que fizeram parte das obras de reparação realizadas após o terramoto de 1755. Na ocorrência do mesmo, a maior perda foi a torre sobre a Sala Árabe, que desabou.

 A configuração actual, sem muralha em redor da praça sita em frente à escadaria das arcadas, ficou consumada no início do século XX, quando também após a implantação da República, o Paço Real de Sintra foi considerado Monumento Nacional.


 Outros factos de nota relacionados com o Paço Real de Sintra:

- Na Sala dos Brasões, após a conspiração contra o rei D. José I, o brasão da família Távora foi removido [As armas dos Tavoras foram, em resultado da sabida sentença, apagadas, e mal se enxergam... in O Paço de Cintra, Conde de Sabugosa, p.193.].
- D. Duarte I, filho de D. João I, gostava muito do Paço Real de Sintra e durante muito tempo aí permaneceu. Acabou por deixar uma descrição bastante importante, frisando que a maior parte do edifício não mudou muito desde as renovações realizadas por seu pai, D. João I.
- O sucessor de D. Duarte I, o rei D. Afonso V, nasceu (em 1432) e faleceu (em 1481), no Paço Real de Sintra. Por sua vez, o seu sucessor, D. João II, foi aclamado rei de Portugal no mesmo edifício.
- Diz-se também que o rei D. Sebastião ouviu no Paço Real de Sintra, Luís Vaz de Camões a recitar “Os Lusíadas”, antes da partida do primeiro para Alcácer-Quibir.
- D. Afonso VI, que foi deposto por seu irmão D. Pedro II, por ser declarado mentalmente instável foi forçado a lá viver sem de lá sair, de 1674 até ter lá falecido no ano de 1683.


© O Caminheiro de Sintra


P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), o Paço Real de Sintra, Portugal:


Ver mapa maior