colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


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terça-feira, 31 de agosto de 2010

A História do Paço Real de Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: O Caminheiro de Sintra




 A história do Paço Real de Sintra (também conhecido como “Palácio Nacional de Sintra”, e “Palácio da Vila”) remonta aos tempos da ocupação islâmica, dizendo-se que à altura Sintra teria dois castelos.

 Um deles, era - e é - localizado no topo de uma colina com vista para norte, e é actualmente denominado de “Castelo de Mouros”.

 O outro, localizado no declive dessa mesma colina, supostamente terá sido a residência dos governantes mouros da região, tendo tempos depois da Reconquista, sido denominado de Paço Real de Sintra.

 Essa - estranha de se ler nos dias de hoje - primeira referência histórica, surgiu no século X pelo geógrafo árabe Al-Bakr. Depois, no século XII, quando Sintra foi tomada em paz por D. Afonso Henriques, a residência dos governantes árabes passou a ser um edifício importante na conjectura do reino português, tendo inclusive alguns autores assumido que tinha sido essa uma das casas que D. Afonso Henriques havia doado a Gualdim Pais, Grão-Mestre da Ordem dos Templários em Portugal.

 Da forma mourisca do Paço Real de Sintra, dos primeiros tempos de ocupação cristã, diz-se nada se ter mantido até aos dias de hoje, sendo talvez a parte mais antiga, a Capela Real, possivelmente construída durante o reinado de D. Dinis no início do século XIII.

 As grandes campanhas de renovação do Paço Real de Sintra, começaram talvez com D. João I, por volta do século XIV, nos edifícios à volta do pátio central (recorde-se que a antiga configuração do Paço Real de Sintra tinha ao longo do perímetro do largo que fica à frente da actual escadaria, altos muros fazendo lembrar um castelo) onde as suas maiores alterações datam desta campanha, que incluiu o edifício principal com as arcadas, bem como as chaminés cónicas. Do interior, e datando ainda desta modificação, uma série de salas foram fundadas, como por exemplo a Sala das Pegas (na qual se basei uma das lendas do Paço Real de Sintra, ou Palácio Nacional de Sintra).

 Seguiram-se depois outros projectos de renovação, um ainda no mesmo século XV, e outro no século XVI. Desses projectos ordenados pelo rei D. Manuel I e pelo rei D. João III, entre 1497 e 1530, e à medida que o reino ia assistindo ao desenvolvimento de um estilo de transição da arte Gótico-Renascentista denominado “Manuelino”, inspirado nos feitos dos portugueses nos Descobrimentos, bem como uma espécie de renascimento artístico de influência islâmica chamado de Mudéjar, o Paço Real de Sintra ganhou em certas partes os tons policromáticos dos azulejos de traçado islâmico, bem como a Ala Manuelina (no extremo direito, estando de frente para as arcadas e possuindo decoradas janelas em pedra) e a Ala Joanina. Surgiu também durante estas modificações, a Sala dos Brasões.

 Nessas primeiras renovações pela parte de D. Manuel, o arquitecto responsável foi Diogo Boytac (também conhecido como "Diogo de Boitaca"), crendo-se que tenha sido este um dos primeiros maçons em Portugal. Apesar deste facto, algumas assinaturas maçónicas que constam desse edifício bem como de outros em Sintra, tudo leva a crer que fizeram parte das obras de reparação realizadas após o terramoto de 1755. Na ocorrência do mesmo, a maior perda foi a torre sobre a Sala Árabe, que desabou.

 A configuração actual, sem muralha em redor da praça sita em frente à escadaria das arcadas, ficou consumada no início do século XX, quando também após a implantação da República, o Paço Real de Sintra foi considerado Monumento Nacional.


 Outros factos de nota relacionados com o Paço Real de Sintra:

- Na Sala dos Brasões, após a conspiração contra o rei D. José I, o brasão da família Távora foi removido [As armas dos Tavoras foram, em resultado da sabida sentença, apagadas, e mal se enxergam... in O Paço de Cintra, Conde de Sabugosa, p.193.].
- D. Duarte I, filho de D. João I, gostava muito do Paço Real de Sintra e durante muito tempo aí permaneceu. Acabou por deixar uma descrição bastante importante, frisando que a maior parte do edifício não mudou muito desde as renovações realizadas por seu pai, D. João I.
- O sucessor de D. Duarte I, o rei D. Afonso V, nasceu (em 1432) e faleceu (em 1481), no Paço Real de Sintra. Por sua vez, o seu sucessor, D. João II, foi aclamado rei de Portugal no mesmo edifício.
- Diz-se também que o rei D. Sebastião ouviu no Paço Real de Sintra, Luís Vaz de Camões a recitar “Os Lusíadas”, antes da partida do primeiro para Alcácer-Quibir.
- D. Afonso VI, que foi deposto por seu irmão D. Pedro II, por ser declarado mentalmente instável foi forçado a lá viver sem de lá sair, de 1674 até ter lá falecido no ano de 1683.


© O Caminheiro de Sintra


P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (seta verde - poderá ampliar o mapa para ver melhor), o Paço Real de Sintra, Portugal:


Ver mapa maior

terça-feira, 6 de julho de 2010

Versão Comum da Lenda do Palácio Nacional de Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: autores Flickr (respectivamente) dB e n c h e c i; dot Whisker


O Palácio Nacional de Sintra, também conhecido
como Palácio da Vila

  Após duas versões menos correntes já colocadas aqui n'O Secreto Palácio de Sintra da Lenda do Palácio Nacional de Sintra, bem como da versão de Almeida Garrett chegou a vez de expor a versão mais comum desta lenda, e que se encontra com imensa facilidade na internet.

  Apenas difere das outras por ter mais detalhe - embora não muito - e por ao contrário das duas outras versões, se focar na não inocência do beijo de D. João I, ao mesmo tempo que transmite um sentimento de frieza no relacionamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre.

  Fala também de uma lenda de um dos jardins do Palácio Nacional de Sintra, também essa de contornos amorosos.

  Acaba por ser um texto mais do que nos relacionamentos Humanos, extremamente focado no Eros, e revelando falta de acuidade, notório no "Pour Bien" ao invés do "Por Bem", inscrito na mensagem das Pegas:

domingo, 20 de junho de 2010

Almeida Garrett e Sintra: a Sala das Pegas do Palácio Nacional de Sintra ou Palácio da Vila


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Excerto transcrito: O Romanceiro, de Almeida Garrett
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra; autor Flickr dot Whisker


Almeida Garret, um dos autores que falou
sobre a Sala das Pegas no Palácio Nacional de Sintra

Almeida Garrett, no seu primeiro volume do Romanceiro, de 1843, na última parte do mesmo, apresenta sob forma de nota o seguinte texto para o seu redactor, em alusão à Lenda do Palácio da Vila, de Sintra:


AS PEGAS DE SINTRA

Dou aqui lugar a esta composição que, moderna como é, e minha, toda é feita de coisa populares e antigas. A anedota devera ter sido celebrada pelos menestréis do tempo: não o foi, e eu procurei suprir o seu descuido. Não aparece pois em meu nome, senão no deles, embora de longe os rastreie. Quando a primeira vez saiu de minha carteira a presente balada foi para se imprimir na Ilustração31 , jornal que se publicava em Lisboa em 1845-46. Reimprimir com ela aqui também a carta que então escrevi ao redactor daquele jornal, porque deveras contém a história de sua composição. Eis aqui a carta:

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Lenda do Palácio Nacional de Sintra ou Lenda do Palácio da Vila


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: (respectivamente) autor Flickr soyignatius; autor Flickr Whisker



O Palácio Nacional de Sintra, comummente
conhecido como Palácio da Vila

  A Lenda do Palácio Nacional de Sintra - ou como é mais comummente conhecido, "Palácio da Vila” - é uma lenda que se foca na Sala das Pegas, sala de jantar existente no dito palácio, tendo há vários séculos atrás, sido uma sala de audiências.

  Talvez por que a sala de jantar fosse um local pelo qual muitas pessoas passassem e pudessem com tempo a sala observar e sobre o que observavam reflectir, foram aí pintadas uma série de Pegas, contendo no bico uma faixa onde se lia “Por Bem”.