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6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


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domingo, 26 de dezembro de 2010

Palácio Nacional da Pena - Parte III


© Pesquisa e transcrição: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: Adriana Sousa Duarte
Imagens: ver créditos fotográficos no final deste artigo



  Continuação da transcrição do documentário de Adriana Sousa Duarte sobre o Palácio Nacional da Pena, com a participação do ex-director do Palácio da Pena, José Martins Carneiro.

Parte III

Continuando pelo nosso percurso, vamos conhecer o interior deste palácio. Ao subirmos as escadas de dois lances em forma de “u” deparamo-nos com o claustro do convento dos frades jerónimos, de estilo Manuelino. Trata-se de um espaço lindíssimo, onde a arcaria e os feixes do abóbadado reflectem a solenidade de uma atmosfera tranquila. Tem dois pisos, com arcada de arcos plenos no primeiro, e abatidos no segundo. À volta destes, dispõem-se algumas das principais salas. Este ambiente é praticamente todo original, tendo sido guardados mesmo os azulejos policromáticos. Esta estética azulejar variada foi colocada e ajustada aos diversos espaços rectangulares disponíveis.

Palácio da Pena, Serra de Sintra

Essencialmente estão presentes azulejos hispano-árabes Maneiristas tipo xadrez, e tipo tapete, onde a policromia varia com a luminosidade, e até com o nevoeiro de cada dia. A ideia de colocar esta manta de retalhos de azulejaria foi do próprio rei, que foi buscar estes pequenos quadrados aos armazéns do estado, criados pelo Marquês de Pombal aquando do célebre terramoto de Lisboa.

Azulejos de Wenceslau Cifka

Somos convidados agora a entrar na copa principal, que dá acesso à casa de jantar privada da família real. O tecto desta sala é ainda do tempo dos frades jerónimos do século XVI. Passamos a seguir aos aposentos do rei D. Carlos I, assim como o seu atelier de pintura. De seguida, detemo-nos numa antiga cela dos monges, com a sacristia e o coro numa planta em “L”. Destaque para o vitral da janela central da nave, uma obra produzida em Nuremberga na Alemanha, em 1848, tratando-se de uma homenagem a Portugal e à sua expansão no Mundo. Aqui vemos o rei D. Manuel I que segura num Conventinho da Pena, mais além vê-se Vasco da Gama que regressa da Índia com os navios ao fundo, enquanto que em cima estão Santa Maria e São Jorge, e mais em cima podemos divisar a heráldica da casa de Saxe Coburgo Gotha e da casa de Portugal.

Retábulo de Nicolau de Chanterene

Na igreja destaca-se o retábulo de alabastro do mestre Nicolau de Chanterene, que trabalhou toda a vida em Portugal. Entre 1530 e 1532, esteve em Sintra a criar este retábulo. Esta obra transmite delicadeza, expressão, leveza, e transparência. Este painel na verdade, é uma novidade para a altura, na medida em que já não tem nada de manuelino e sim, é pura renascença.

Ponte Levadiça do Palácio da Pena

Situados no piso superior da galeria das antigas celas do Convento que foram remodeladas, estão os quartos da família real. O primeiro quarto, o Quarto das Damas de Companhia tem um notável trabalho de estuques. No tecto encontramos uma representação de troncos de árvores com pinhas à mistura. As paredes imitam madeira, dando à dependência uma área de distinção e sobriedade. Este admirável trabalho de estuques está bem patente também no segundo quarto, o Quarto do Veador com temas florais. Passemos agora ao quarto da rainha Dona Amélia, que inclui um exímio trabalho de decoração atribuido ao pintor-desenhador António Januário Correia, criando-nos a sensação de estarmos no interior de uma sala árabe.

Gárgula do Palácio da Pena

No seguimento do nosso périplo pelo interior do Palácio, passamos pelo Quarto de Vestir da Rainha, pela Sala de Estar da Família Real, e pelo Escritório da Rainha. D. Amélia foi a última Rainha de Portugal, esposa de D. Carlos I. Embora o Palácio não tenha sido construido em sua geração, ela foi a maior utilizadora e apreciadora deste castelo.

Janela Para o Pátio dos Arcos do Palácio da Pena

José Martins Carneiro: "A última figura real que habitou, vivou, o Palácio da Pena. E se nos exteriores nós temos de prestar toda a nossa vassalagem e toda a nossa homenagem a D. Fernando II, os interiores, as ambiências decorativas do interior devemo-lo sim ao gosto da última rainha de Portugal, Dona Amélia de Orlean e Bragança. Nitidamente."

Pátio dos Arco, Palácio da Pena

Narrador: Esta foi a razão porque tantos espaços foram atribuidos a ela.

Finalmente chegamos à Sala Árabe, uma das mais belas salas de todo o Palácio. Integralmente pintada Trompe-l'Oeil por Paolo Pizzi. Sendo uma sala de pequenas dimensões, as pinturas conferem-lhe profundidade e relevo, dando-lhe uma dimensão quase irreal. Faz parte das dependências privadas da Rainha, um terraço o qual pode ser acedido pela sala de estar privada, ou através de um átrio de passagem.

Parte da Ronda da Guarda, Palácio da Pena

Daqui se avista a parte fernandina do Palácio, e todo o movimento de volumes que dão à arquitectura exterior do monumento, uma dignidade e uma racionalidade inimaginável. Atenda-se que toda a construção do Palácio está assente sobre grandes rochedos, e consequentes grandes desnivelamentos do terreno, o que transforma numa maior magnitude a grandeza do bastião arquitectónico do romantismo.

Lendas do Palácio da Pena

É do terraço da rainha que nos apercebemos imediatamente da relação directa do interior com o exterior do Palácio, e deste, com o imenso manto verde que o envolve. Na Sala Indiana destacamos o gosto pelo rendilhado e pelo escultórico, de tal forma que não conseguimos encontrar o limite entre a escultura e as artes decorativas."


© O Caminheiro de Sintra

Créditos fotográficos:
1ª fotografia: autor Flickr J. A. Alcaide
2ª fotografia: autor Flickr Samuel Santos
3ª fotografia: autor Flickr Samuel Santos
4ª fotografia: autor Flickr Eric-P
5ª fotografia: autor Flickr Tony Moorey
6ª fotografia: autor Flickr Jürgen Stemper //
7ª fotografia: autor Flickr bartb_pt
8ª fotografia: autor Flickr Harshil.Shah
9ª fotografia: autor Flickr Pedro Moura Pinheiro
P.S.: Quanto à localização dos sítios mencionados neste blog, tive durante muito tempo a dúvida se a mesma haveria de ser aqui disposta ou não. Pela resolução positiva, peço que faça o melhor uso possível desta informação, o qual principalmente tem a ver com a preservação do património e a não poluição dos locais sob que forma for. Tendo boa fé em si, deixo-lhe aqui no mapa (balão "A" - para ver melhor poderá ampliar), o Palácio da Pena em Sintra, Portugal:

Sinais da Maçonaria - O Marquês de Pombal em Sintra ou a Maçonaria em Sintra - Parte IV


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Vídeo: O Caminheiro de Sintra
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra




  Humildemente escondida à vista de todos que a ignoram como apenas mais um portão, encontra-se na estrada que leva os seus viandantes da Vila de Sintra até Monserrate, uma entrada que se supõe que tenha tido a ver com a Maçonaria, e em especial, com Sebastião Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal.

  Para os mais fantasiosos sendo vista como uma entrada iniciática - devido a todo o desconhecido que a Maçonaria envolve ou o que com essa se relacione para os leigos - esta entrada sita após a Quinta da Bella Vista, é hoje parte da propriedade dessa - e em 1953 o era, no registo topográfico - existindo indícios especulativos, de que no passado tenha dado acesso a terrenos mais baixios sitos a Norte onde se encontravam outras quintas.

Sinais da Maçonaria em Sintra

  Essa especulação tem como base o facto de que mais abaixo nessa colina, se encontra um lugar conhecido como São Bento e se encontrava a Quinta de São Bento, também conhecida como Quinta do Bosque, de origens que remontam ao século XVII. A razão da especulação chega mais tardiamente, quando em 1780 a quinta é cedida ao Marquês de Pombal como forma de salda de dívidas, depois de esse já ter adquirido propriedades no lugar da Boiça e também de São Bento, e depois do rei D. José ter doado a Sebastião Carvalho e Melo, dois bosques “para aformosear a Quinta do Bosque” - citação que pressupõe que o Marquês de Pombal já usufruia da quinta, antes de 1780.

  Assim, e de acordo com o mito que o Marquês de Pombal era maçon, se faz a ligação especulativa, da entrada que se encontra na estrada que liga a Vila de Sintra a Monserrate correspondia aos terrenos que esse possuia naquela zona da Serra de Sintra, e nos quais se incluia a Quinta de Pombal - denominação que suplantou os termos Quinta de São Bento e Quinta do Bosque, por ter sido posse dos Marqueses de Pombal até 1867.

Antiga Quinta do Marquês de Pombal em Sintra

  Este conjunto de ligações poderá no entanto ser falacioso, uma vez que não existe modo de comprovar em absoluto, o raciocínio apresentado; contudo, a especulação feita, tem bases mais do que plausíveis para o mesmo raciocínio se dar. No entanto, e caso existisse maneira de tornar essa inferência inválida, existiria sempre a associação da Quinta do Pombal, símbolo do Marquês de Pombal em Sintra - carregando em seu nome o espectro da Maçonaria - à referida entrada na estrada de Monserrate.

  Poder-se-ia justificar o erro do raciocínio ao dizer que a data de construção da mesma é incerta, e que poderá muito bem ser recente. Sem dúvida que o que se questionaria era mais do que válido, mas, o traçado da construção fala por si, referindo que é anterior ao início do século XX - algumas décadas antes de os Marqueses de Pombal terem vendido as propriedades que ali possuiam - nomeadamente a argola para amarro do cavalo, à esquerda da entrada, assim como as semi-esferas embutidas no chão junto à entrada, possivelmente as colunas originais que ficariam sitas em frente à entrada do portão.

Mina de Água da Quinta de Pombal (Marquês de Pombal) em Sintra

  Daquilo que supostamente associa esta construção ao tema da Maçonaria, são os símbolos nela presente em seus dois pilares. Em um encontramos a Roseta no topo superior da coluna, e o Pentagrama na parte inferior; em outra encontramos o Coração (presente também como símbolo maçónico ou “assinatura de canteiro” em outras construções em Sintra) no topo superior da coluna, e a Chave na parte inferior. Estes são símbolos utilizados pelas várias Lojas Maçónicas, bem como são associados à Maçonaria - como aliás é bem patente na referida “assinatura de canteiro” - o que coloca longe de ser falacioso, o raciocínio aqui apresentado, entre Sebastião Carvalho e Melo, Marquês de Pombal, e a referida entrada na estrada que parte de Sintra e leva a Monserrate.


© O Caminheiro de Sintra


Outros Artigos da Maçonaria em Sintra:
Trabalho Maçónico - Símbolos da Maçonaria Operativa em Sintra - Parte I
Assinaturas de Canteiro, Aprendiz Maçon - Símbolos da Maçonaria Operativa em Sintra - Parte II
Mestre Maçon, Guilda Maçónica - Símbolos Maçónicos de Sintra - Parte III
José Alfredo da Costa Azevedo e a Loja Luz do Sol, ou a Maçonaria em Sintra - Parte V
Companheiro Maçon, Loja Luz do Sol ou a Maçonaria em Sintra - Parte VI
Aprendiz Maçon, Loja Luz do Sol ou a Maçonaria em Sintra - Parte VII
Simbologia da Maçonaria, José Alfredo da Costa Azevedo e a Loja Luz do Sol ou a Maçonaria em Sintra - Parte VIII