colecções disponíveis:
1. Lendas de Sintra 2. Sintra Magia e Misticismo 3. História de Sintra 4. O Mistério da Boca do Inferno 5. Escritores e Sintra
6. Sintra nas Memórias de Charles Merveilleux, Séc. XVIII 7. Contos de Sintra 8. Maçonaria em Sintra 9. Palácio da Pena 10. Subterrâneos de Sintra 11. Sintra, Imagem em Movimento


Mostrar mensagens com a etiqueta D. João I. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta D. João I. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 3 de março de 2020

"Fevereiro, Mês de Amor" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 20 de Fevereiro de 2020



Fevereiro, Mês de Amor
na edição de 20 de Fevereiro de 2020
do Jornal de Sintra

    Em mais um ano não resisti a utilizar a desculpa do dia de São Valentim para falar de amor. E aqui, neste caso, indo até bem lá atrás no tempo, até ao século XIV e vindo desse para cá.

    «D. Pedro certamente ficou com um sentido de justiça ainda mais apurado. Na história que se cruza com a história de Sintra vemos isso através dos dois escudeiros que roubaram um judeu que andava pelos montes a vender especiarias. Foram mandados degolar pelo Rei no Paço de Belas. Depois de apanhados, perante si, o Rei tentava extrair a verdade da boca de ambos, caminhando de um lado para o outro, vindo-lhe por vezes as lágrimas aos olhos por terem sido com ele criados e pelo fim que a injustiça que haviam cometido merecia – e que se concretizou.

Passadas décadas, o
Rapaz da Praça dos Canos é obrigado a entrar numa guerra, deixada acontecer – se assim se lhe pode indirectamente atribuir – por um...»

    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 20 de Fevereiro de 2020.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que completou em Janeiro deste ano os seus 86 anos!

    E não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.





ir para a página de Facebook O Caminheiro de Sintra

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O 14 de Fevereiro e os Amores do Rapaz da Praça dos Canos (Séculos XIV/XV)

    Como surgiu o Rapaz da Praça dos Canos? De infidelidade, de amor, ou de desejo carnal?

    Chegado o 14 de Fevereiro, sinto-me – pelo simbolismo que tem – impelido a fazer uma evocação sobre o amor, particularmente sobre partes da nossa história que podem aos meus contemporâneos fazer pensar sobre o amor, em vez de continuarem a interpretá-lo de forma rotineira ou a deixarem-se ir em cegas paixões a que erradamente chamam amor.

O "Rapaz da Praça dos Canos"
    Quando se fala de bastardos, de filhos não legitimados, percebemos sempre que algo saiu da normal rotina do casamento. Mas na realidade nunca questionamos se algum desses casos pode ter um legítimo amor, ou uma legítima paixão.

    Para tal, tanto pode esse amor ser despertado naturalmente, como a paixão pode ter começado a arder de uma pequena centelha surgida no normal correr de um dia. Mas o amor ou a paixão podem para isso ter condições. Isto é, o próprio relacionamento já existente entre duas pessoas pode ter propiciado o despertar de um novo amor ou de uma nova paixão: por dolo do trato na já existente união entre as duas pessoas, por ausência de interesse intelectual e/ou físico, ou simplesmente por uma das pessoas se ter tornado completamente diferente daquilo que aparentou ser quando para si puxou a outra. Estes são alguns dos casos que propiciam o surgir de novos amores, mais até do que novas paixões.

    Até que ponto é erro ou pecado, fazer-se alguém infeliz? Ou até, até que ponto é erro ou pecado, deixar-se ser infeliz? Até que ponto é erro ou pecado, deixar os sonhos escaparem com o sopro de Deus (ou do Universo) que é insuflado quando nos sentimos verdadeiramente felizes por amar de forma pura e por sermos puramente amados?

    O pai do Rapaz da Praça dos Canos casou-se no século XIV, nos anos de 1300. Na verdade, não era feliz. Tinha sido obrigado a casar. Quem o fazia feliz era alguém que tinha estado sempre em companhia da sua esposa. Este verdadeiro amor houve (...) e como se dela enamorou, sendo casado e ainda infante, de maneira que para dela no começo não perdesse de vista nem de fala estando ausente, como ouvistes, que é a principal razão de se perder o amor, nunca cessava de lhe enviar mensagens... Aqui adaptei alguns termos para que possa compreender o sentido que a frase tem nos dias de hoje. E de certeza que percebeu.

Túmulo do Rei D. Pedro I: à esquerda vê-se Inês de Castro
sendo degolada; à direita vê-se a cabeça de Inês de Castro já no chão

    O sonho de se amar, sobreveio quando a sua esposa faleceu. Sobreveio quando aquela com quem o pai do Rapaz da Praça dos Canos tinha sido obrigado a casar, faleceu. Poderiam agora viver juntos sem impedimentos de maior, aquele homem que tinha casado infeliz e a rapariga que dele recebera mensagens quando ausente.

    Mas esta história tem um triste fim. Essa rapariga viria a ser degolada, cortar-lhe-iam a cabeça. O pai do Rapaz da Praça dos Canos nunca a esqueceu. No seu próprio túmulo mandou que fossem colocadas, esculpidas, cenas da vida dos dois. Mandou que fosse esculpido o dia do Juízo Final, em que bons e maus  eram devidamente separados, uns encaminhando-se para o Paraíso, outros caindo na bocarra voraz do Inferno. No topo de tudo, numa janela e separados apenas por uma coluna de pedra, Pedro, de mãos juntas, jura eterno amor a Inês.

    Esta é uma das mais belas histórias da nossa história.

    O Rei D. Pedro I nem depois que reinou lhe aprouve receber mulher. Existiu no entanto um único caso conhecido, em que se tendo envolvido com uma mulher, essa concebeu um filho seu. A esse filho foi dado o nome de João, sendo entregue ao cuidado de um cidadão de Lisboa que vivia junto à Catedral, na Praça dos Canos.

    Mas já lá iremos ao Rapaz da Praça dos Canos.

    D. Pedro certamente ficou com um sentido de justiça ainda mais apurado. Na história que se cruza com a história de Sintra vemos isso através dos dois escudeiros que roubaram um judeu que andava pelos montes a vender especiarias. Foram mandados degolar pelo Rei no Paço de Belas. Depois de apanhados, perante si, o Rei tentava extrair a verdade da boca de ambos, caminhando de um lado para o outro, vindo-lhe por vezes as lágrimas aos olhos por terem sido com ele criados e pelo fim que a injustiça que haviam cometido merecia – e que se concretizou. 

Túmulo do Rei D. Pedro I: o Dia do Juízo Final.
Subindo para o lado esquerdo, as almas que se encaminham para o Céu;
caindo à direita na boca do Inferno, as almas perdidas;
no canto superior direito, numa janela de uma torre, Pedro e Inês.

    Passadas décadas, o Rapaz da Praça dos Canos é obrigado a entrar numa guerra, deixada acontecer – se assim se lhe pode indirectamente atribuir – por um meio-irmão seu. Mas por um meio-irmão que era filho legítimo, e não um bastardo como ele era. Este bastardo, o Rapaz da Praça dos Canos, foi no entanto aquele que o povo escolheu para que o reino se salvasse.

    Ao longo de uma aventura medieval – que para quem a leia, nada mais é que o recontar da nossa história – o Rapaz da Praça dos Canos trava inúmeros combates, toma as mais difíceis decisões, fala com eremitas emparedados, e acaba por se tornar em D. João I, Rei de Portugal.

    D. João I casou com Philippa of Lancaster, que após casamento na Catedral do Porto em 2 de Fevereiro de 1387, se tornou naquela que conhecemos como Rainha D. Filipa de Lencastre. O selar do casamento deu-se a 2 de Fevereiro, mas as festas realizaram-se apenas dias depois, no dia de São Valentim, dia 14 de Fevereiro.

    D. João e D. Filipa, para além da Ínclita Geração fariam brotar muito do que em Sintra se vê. Fariam brotar em eremitas da Serra de Sintra, das mais belas edificações que aqui existiram. Fariam brotar também, o amor que os filhos lhe tinham, bem notório nas palavras que o Rei D. Duarte escreveu sobre o amor que os filhos sentiam por D. João I.

    Assim também se passou com o amor de D. Duarte por sua mãe, por D. Filipa de Lencastre, o qual fez com que, à beira da morte dessa, o próprio D. Duarte saísse de um estado depressivo em que se encontrava já há tempos, e estado o qual fazia com que lhe aconselhassem que frequentasse mulheres e bebesse vinho para espairecer. Creio que as recomendações não especializadas não mudaram muito em seiscentos anos.

Túmulo do Rei D. Pedro I: a própria representação do Rei já amortalhado.
A inscrição que se encontra por baixo foi por alguns definida - de forma
romântica ou poética, entenda-se - como contendo
até ao fim do mundoOutras hipóteses são aqui está o fim do mundo e ainda aqui espero o fim do mundo.

    Até aqui temos tido um amor que, para quem não lide com o passado no dia-a-dia, parece algo imaculado. O que é certo é que, realmente, muito amor brotou em coisas que eram importantíssimas, e que permitiam ter a intensidade que a nossa história do século XIV para o século XV tem, como esta envolvendo o Rapaz da Praça dos Canos, o qual se haveria de tornar no Rei D. João I e o levaria a casar com aquela que na história fica com a imagem de uma delicada e elegante de sentimentos, nobre inglesa.

    Seriam os casamentos dos reis sempre assim? Não. Os casamentos, o matrimónio, foram sempre contratualizados (salvo algumas excepções surgidas de ímpetos, como o caso do Rei D. Fernando I). O coração do rei (não querendo dizer que todos o tivessem com bom fundo, tal como qualquer ser humano que estas palavras leia) era sacrificado em prol do que se entendia como o que deveria ser feito para o Reino prosperar. Tal como em qualquer família o coração dos filhos é sacrificado segundo o entendimento dos progenitores para aquilo que melhor é para a vida profissional, amorosa e de amizade, tendo em vista a vida dos filhos e o estender da longevidade da família.

    Relativamente à evocação do amor deste 14 de Fevereiro – e no seguimento daquilo que tenho aqui hoje contado – existe muitas vezes um apequenar da figura do homem quando, tendo um casamento contraído, acabava por gerar o que eram conhecidos como bastardos, o que, por sua vez, eram vistos apenas como um produto do satisfazer do desejo intenso da líbido. Mas seria realmente sempre assim? Não o sabemos. O que se sabe, como o disse, é que isso é visto quase sempre, quase sem excepção, como esse desejo de carne húmida e quente, que tão intenso desequilíbrio de emoções gera no ávido consumir de dois corpos que se desejam.

    Na música, na pintura, na literatura, nas mais belas criações, encontramos por vezes, nas obras excepcionais, um arder dos sentidos que consumimos intensamente com o nosso coração e com os nossos sentidos. É sabido também, em termos teológicos, que o Diabo, o mal, entra pelos sentidos. E não basta terem-se princípios, pois um princípio pode ser bom para quem o tem, mas no seu aplicar ser mau para aqueles que essa pessoa rodeiam, ou que até, muitos afecta de malévola, egoísta, maneira.
Túmulo do Rei D. Pedro I, fragmento de imagem do tema Dia do
Juízo Final, já acima apresentada. Aqui - já em detalhe - vê-se, a uma
janela, Pedro jurando amor eterno a Inês.


    Mas existe algo grandioso que vai muito além dos sentidos: a nossa concepção de amor. A nossa concepção de amar. De ver sorrir e de fazer sorrir, tendo em vista apenas o pequeno e simples prazer de dar e receber. Esse prazer que é projectado na fantasia da mente como eterno, dura por vezes poucas semanas, meses, ou anos, mas foi em momentos tido como sempiterno.

    Outras vezes dura o resto da vida. Mesmo até que nunca consumemos em vivência contínua esse sorrir e fazer sorrir para com a pessoa que também o sente em direcção a nós.

    E finalmente chego onde quero chegar na evocação do amor do 14 de Fevereiro deste presente ano. As pessoas tendem a pegar nas histórias dos reis e rainhas que envolvem filhos ilegítimos, ou relacionamentos adúlteros, e brincar com elas da forma como os portugueses brincam sempre com o que não é seu e envolve complexidade de sentimentos por parte de outros. Fazem-se piadas sexuais, diz-se em tom de gozo que fulano ou sicrano tinha sede e foi ao pote. Que se sentiu tentado e cedeu. É um prazer poderem brincar com isso, com a cedência humana dos outros, especialmente quando quem brinca nunca teve oportunidade para se poder sentir tentado sequer. Mas nunca se vê alguém sugerir que se calhar até existia um amor maior, o qual tentou ser vivido indo além daquilo que um dia foi contratualizado por obrigação.

    A história lega-nos que o Rei D. Pedro I teve amigas com que dormiu. Certamente que alguns brincarão com a situação. Mas contextualizando o dito – referência de menos 100 anos depois do Rei ter morrido – vamos muito além daquilo que as pessoas são capazes de viver: Este rei não quis mais casar depois da morte de Dona Inês (...) nem depois que reinou lhe aprouve receber mulher (...) de nenhuma houve filhos salvo de uma dona natural da Galiza que chamaram dona Tareija, que pariu dele um filho que teve o nome Dom João, que foi mestre de Avis em Portugal e depois rei, como adiante ouvireis. O nosso amado D. João I.

Busto do Rei D. Fernando II no Mosteiro da Batalha

    Do Rei D. Fernando II também dizem que D. Maria II serviu para procriar, e que Elise Heinsler serviu para se divertir. Quem vasculhe a correspondência dos mais próximos do Rei e de Elise Heinsler, perceberá que a diversão tem limites e que quem a queira não se sujeita à pressão social, às ofensas e discriminação, como aquelas que os dois passaram.

    Quem saiba que o Rei D. João I, o Rapaz da Praça dos Canos, teve filhos bastardos, logo dirá que o bastardo teve bastardos, sem compreender cronologicamente a existência dos mesmos, nem compreendendo como as regras do matrimónio o privavam de ter liberdade de escolha. Nesse caso e de forma egoísta, felizmente para nós hoje. As suas condicionantes geraram o casamento com D. Filipa (com as festas celebradas no 14 de Fevereiro), o que acabou por gerar muita da beleza da nossa história, do que podemos por Portugal encontrar, e do que podemos ainda em Sintra ver. 

    Amar é a libertação do espírito. Mas nem todas as pessoas são capazes de dar e receber. Não sentem o espírito de Deus a ser em si insuflado nem permitem que quem consigo vive o sinta. Todas as pessoas podem no entanto ter o escape de amar. De sentir. E quem sente, bom ou mau, fá-lo de involuntário modo. Mas fá-lo com o espírito de Deus, do Universo, em si insuflado, para se poder libertar. Mesmo estando dentro de um contrato que o levará a todos os momentos menos agradáveis.




ir para a página de Facebook O Caminheiro de Sintra

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

"Os Directores Espirituais do Convento da Trindade" - Miguel Boim, 22 de Dezembro de 2017

Os Directores Espirituais do Convento da Trindade
na edição de 22 de Dezembro de 2017
do Jornal de Sintra

    Já poderá ler gratuitamente e online o meu último artigo no Jornal de Sintra. Os Directores Espirituais do Convento da Trindade traz algo que poderá ser enganoso para quem viva de artifícios e penda para o extremo do ignorar do mal, como para quem penda para o extremo do exclusivo viver da fantasia:

    É-me vossa Paternidade por cá muito necessário, para coisas que não são para papel (sobrenaturais). Lembre-se muito de me encomendar a Nosso Senhor, que de cada vez me sinto mais obrigado a... (...)

    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 22 de Dezembro de 2017.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que se encontra prestes a completar 84 anos de existência!

    E não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.









quarta-feira, 4 de outubro de 2017

"O Primeiro Príncipe de Portugal" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 29 de Setembro de 2017

O Primeiro Príncipe de Portugal
na edição de 29 de Setembro de 2017
do Jornal de Sintra

    Já poderá ler - online e gratuitamente - o meu último artigo no Jornal de Sintra. O Primeiro Príncipe de Portugal poderá levá-lo em questões a muitos sítios, mas existe um apenas onde aquele nasceu e morreu.

    Poderia estar a aludir a D. Afonso Henriques, ou a Viriato, ou a Vímara Peres, visto o conceito 'príncipe' ser mutável consoante o uso que desse termo se faça. E não, não existe apenas o 'príncipe encantado' como variação do conceito do termo príncipe. Na realidade – e voltando às primeiras linhas deste parágrafo – hoje irei falar da importância do primeiro príncipe que o Reino de Portugal teve, precisamente porque é importante para Sintra. E, de forma inevitável, terei de abordar os conceitos do termo que o poderiam ter levado a perguntar-se pelos nomes que inicialmente enunciei. (...)

    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 29 de Setembro de 2017.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que completou em Janeiro último 83 anos!

    E não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.









terça-feira, 23 de maio de 2017

"A Pedra Amarela e Uma Raposa de Fernão Lopes" - Miguel Boim, Jornal de Sintra, 19 de Maio de 2017

A Pedra Amarela e Uma Raposa de Fernão Lopes
na edição de 19 de Maio de 2017
do Jornal de Sintra


    Já poderá ler online o meu último artigo no Jornal de Sintra, que através das mutações das lendas e da impossibilidade das fábulas, nos leva do século XIX até à Antiguidade Clássica. Trata de uma memória minha de há mais de vinte anos atrás, incidindo sobre um dos pontos mais conhecidos da Serra de Sintra: A Pedra Amarela e Uma Raposa de Fernão Lopes.

    Abrindo a imagem (ou realizando download da mesma para o seu computador ou dispositivo móvel, e depois ampliando-a), poderá ler este artigo da edição do Jornal de Sintra de 19 de Maio de 2017.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico acabado de completar neste mês de Janeiro os seus 83 anos!

    E não se esqueça que também tem disponíveis online os meus anteriores artigos do Jornal de Sintra - para além daqueles de publicação exclusiva no blog.










terça-feira, 11 de abril de 2017

O Bastardo de 11 de Abril de há 660 anos


Túmulo de D. João I no Mosteiro da Batalha
(fotografia de Miguel Boim)
        Às três da tarde de 11 de Abril, há 660 anos, nascia em Lisboa aquele que foi um dos maiores bastardos do Reino, e talvez o maior de Sintra. Filho ilegítimo de um Rei, foi dado ao cuidado de um cidadão de Lisboa, passando assim os seus primeiros dias na Praça dos Canos.

        O tempo faz-nos por vezes saltar as margens do rio da vida que por baixo corre violento, e aos sete anos de idade o bastardo foi armado cavaleiro e Mestre da Ordem de Aviz.

Real Branco do reinado de D. João I,
cunhado na cidade do Porto
(colecção pessoal do autor)

        E a vida tem também sofrimento, lutas, vitórias e aprendizagens com os enganos. A deste bastardo teve traições com hasteares dos estandartes do Reino de Castela no Castelo dos Mouros; teve campos de batalha com milhares de homens sob um tórrido calor, que dando os homens que nele acreditavam seus corpos às lanças e flechas, deram também a independência a um medievo Reino de Portugal; teve um homem de confiança, amizade, íntimo maior, que a Sintra enviou quando o Castelo tinha sido traído, e que ambos até numa noite em que o bastardo decidira conquistar em definitivo o Castelo na Serra altaneiro, começou uma tempestade tão intensa cujas águas das cheias davam pelos peitos dos cavalos e cujos relampejares dos raios no céu iluminavam, faziam coriscar, as pontas das lanças dos homens que o bastardo seguiam. O dilúvio foi tal que até se perderam imensos livros do Mosteiro de São Domingos, ao Rossio, mas a um Rossio em que os caminhos eram lama e aqui e ali brotavam verdes e viçosos arbustos.

Reprodução da efígie presente no túmulo
de D. João I no Mosteiro da Batalha
(fotografia de Miguel Boim)
        Mas este bastardo, não sendo de Sintra, viveu ainda mais do que todas essas desventuras medievais. Iniciou, já enquanto Rei, o costume real dos reis se anicharem nesta Serra de Sintra, e provavelmente ajudando o Palácio da Vila a assemelhar-se ao que hoje parte da sua estrutura é.

         As vozes de um passado perdido da história dizem que contribuiu também para que surgisse o Mosteiro de Penha Longa na parte Sul da Serra, e fez com que do Convento da Santíssima Trindade no colo do vale que do Monte da Pena vem, saíssem vários confessores para a família real, de entre eles, um sobrinho de Inês de Castro.

        E mais que tudo. Soube escolher - se assim se pode dizer - a mulher que o acompanharia até ao fim, e além desse indo ao ficarem em seus túmulos juntos. Dessa união entre Portugal e Inglaterra, entre D. João I e Filipa de Lancaster, nasceu a geração de nobres portugueses que, num difícil e conturbado período da história da Europa, contribuíram e serviram de exemplo para a formação e o bom senso, para a coragem e a polidez, para a educação e o amor. Apesar de brutal, é esse décimo quarto, dos séculos mais ricos que a nossa história tem devido também a essa geração, chamada por Camões como ínclita, e advinda de um bastardo.

Túmulos de D. João I e de D. Filipa de Lancaster
no Mosteiro da Batalha
(fotografia de Miguel Boim)

        Se Lisboa tem a sua estátua do bastardo, a sua estátua de D. João I, Sintra tem o seu espírito. E que esse espírito insufle o peito de muitos através da inspiração da vida do Rei de boa memória, quer nos seus 660 anos que hoje se celebram, quer na sua eternidade.









domingo, 18 de dezembro de 2016

"Dezembro e o Coração de D. Duarte" - Jornal de Sintra, 16 de Dezembro de 2016

Dezembro e o Coração de D. Duarte
edição de 16 de Dezembro de 2016 do
Jornal de Sintra

    Encontra-se disponível online - e também em papel, durante o correr desta semana - o meu último artigo do ano no Jornal de Sintra!
   
    Dezembro e o Coração de D. Duarte traz aquilo que do século XV - através de duas personagens da nossa história que se relacionam directamente com Sintra - nos chega com os raios desta luminosidade de Dezembro que passam através da diáfana memória de Sintra.

    Para ler o artigo bastará abrir a imagem (ou realizar download da mesma).

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que conta já com 82 anos e infindáveis outros por vir.













terça-feira, 1 de novembro de 2016

"O Lagarto, o Coração e o Dragão" - Jornal de Sintra, 4 de Novembro de 2016

O Lagarto, o Coração e o Dragão
edição de 4 de Novembro de 2016 do
Jornal de Sintra


    Já poderá ler em formato digital o meu último artigo no Jornal de Sintra!
   
    O Lagarto, o Coração e o Dragão chegam-lhe através de algo que nos últimos tempos tem espicaçado a curiosidade das pessoas. Aparecem-lhe em percepções, mas percepções que têm em si o simbolismo de tempos passados e o encanto por uma das grandes personagens da história de Sintra.

    Para ler o artigo bastará abrir a imagem (ou realizar download da mesma).

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que conta já com 82 anos e infindáveis outros por vir.













sexta-feira, 1 de julho de 2016

"Encantos da Trindade de Sintra" - Jornal de Sintra, 3 de Junho de 2016

Encantos da Trindade de Sintra
edição de 3 de Junho de 2016 do
Jornal de Sintra

    Já poderá consultar a versão digital do meu último artigo (Encantos da Trindade de Sintra) do espaço Lendas e Factos Lendários de Sintra no Jornal de Sintra, onde poderá ficar com a sua curiosidade ainda mais espicaçada relativamente a este secular edifício que despercebido a muitos passa.

    Para o fazer bastará abrir a imagem (ou realizar download da mesma) ou então seguir o link do site do Jornal de Sintra e abrir a edição de 3 de Junho de 2016 - o link abrirá num PDF e o artigo encontrar-se-á na página 2.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que conta já com 82 anos e infindáveis outros por vir.
















domingo, 28 de fevereiro de 2016

"A Lenda das Pegas e D. João I" - Jornal de Sintra, 12 de Fevereiro de 2016


A Lenda das Pegas e D. João I
edição de 12 de Fevereiro de 2016 do
Jornal de Sintra

    Já poderá consultar a versão digital do meu último artigo do espaço Lendas e Factos Lendários de Sintra no Jornal de Sintra: A Lenda das Pegas e D. João I

    Para o fazer bastará abrir a imagem (ou realizar download da mesma) ou então seguir o link do site do Jornal de Sintra e abrir a edição de 12 de Fevereiro de 2016 - o link abrirá num PDF e o artigo encontrar-se-á na página 2.

    Deixo ainda o convite para se associar à página de Facebook do Jornal de Sintra, um periódico histórico que conta já com 82 anos e infindáveis outros por vir.
















quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Lenda Tradição e História do Convento de Penha Longa - Da Revista Cyntra, número 1, de 1908


© Pesquisa: O Caminheiro de Sintra
Fonte: Biblioteca Municipal de Sintra
Imagem: Arquivo do Caminheiro de Sintra


À direita, na distância, o Convento da Penha Longa

"Este convento que era de frades jerónimos foi fundado em 1355 por frei Vasco Martins, mandado concluir por D. João I e reedificado por D. João III. Teve origem em uma ermida de Nossa Senhora, cuja imagem, segundo a tradição, foi achada naquele sítio. Penha Longa parece derivar de Pera Longa ou Pedra Longa, devido à estranha configuração de uma pedra, semelhante a uma pera, que encima o grupo de penedos, junto ao qual foi fundado este convento.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Versão Comum da Lenda do Palácio Nacional de Sintra



© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: autores Flickr (respectivamente) dB e n c h e c idot Whisker


O Palácio Nacional de Sintra, também conhecido
como Palácio da Vila

  Após duas versões menos correntes já colocadas aqui n'O Secreto Palácio de Sintra da Lenda do Palácio Nacional de Sintra, bem como da versão de Almeida Garrett chegou a vez de expor a versão mais comum desta lenda, e que se encontra com imensa facilidade na internet.

  Apenas difere das outras por ter mais detalhe - embora não muito - e por ao contrário das duas outras versões, se focar na não inocência do beijo de D. João I, ao mesmo tempo que transmite um sentimento de frieza no relacionamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre.

  Fala também de uma lenda de um dos jardins do Palácio Nacional de Sintra, também essa de contornos amorosos.

  Acaba por ser um texto mais do que nos relacionamentos Humanos, extremamente focado no Eros, e revelando falta de acuidade, notório no "Pour Bien" ao invés do "Por Bem", inscrito na mensagem das Pegas:

domingo, 20 de junho de 2010

Almeida Garrett e Sintra: a Sala das Pegas do Palácio Nacional de Sintra ou Palácio da Vila


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Excerto transcrito: O Romanceiro, de Almeida Garrett
Imagens: Arquivo do Caminheiro de Sintra; autor Flickr dot Whisker


Almeida Garret, um dos autores que falou
sobre a Sala das Pegas no Palácio Nacional de Sintra

Almeida Garrett, no seu primeiro volume do Romanceiro, de 1843, na última parte do mesmo, apresenta sob forma de nota o seguinte texto para o seu redactor, em alusão à Lenda do Palácio da Vila, de Sintra:


AS PEGAS DE SINTRA

Dou aqui lugar a esta composição que, moderna como é, e minha, toda é feita de coisa populares e antigas. A anedota devera ter sido celebrada pelos menestréis do tempo: não o foi, e eu procurei suprir o seu descuido. Não aparece pois em meu nome, senão no deles, embora de longe os rastreie. Quando a primeira vez saiu de minha carteira a presente balada foi para se imprimir na Ilustração31 , jornal que se publicava em Lisboa em 1845-46. Reimprimir com ela aqui também a carta que então escrevi ao redactor daquele jornal, porque deveras contém a história de sua composição. Eis aqui a carta:

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Lenda do Palácio Nacional de Sintra ou Lenda do Palácio da Vila


© Pesquisa e texto: O Caminheiro de Sintra
Imagens: (respectivamente) autor Flickr soyignatius; autor Flickr Whisker



O Palácio Nacional de Sintra, comummente
conhecido como Palácio da Vila

  A Lenda do Palácio Nacional de Sintra - ou como é mais comummente conhecido, "Palácio da Vila” - é uma lenda que se foca na Sala das Pegas, sala de jantar existente no dito palácio, tendo há vários séculos atrás, sido uma sala de audiências.

  Talvez por que a sala de jantar fosse um local pelo qual muitas pessoas passassem e pudessem com tempo a sala observar e sobre o que observavam reflectir, foram aí pintadas uma série de Pegas, contendo no bico uma faixa onde se lia “Por Bem”.